bolachas_1O que é que a literatura de policiais nórdicos tem a ver com bolachas? Tudo. Bruno e Ana Mourinha devoram esse género literário com a mesma intensidade com que o monstro das bolachas devora bolachas. Nesses livros, é habitual servirem chá ou café juntamente com bolachas de canela. O mote estava lançado. E daí até criarem as Aveianas foi um pulinho (ou uma trinca).

O gosto pela culinária já vem de trás. Quais alquimistas, o casal já passava muito tempo em casa a fazer experiências com as coisas de que mais gostam, sempre num registo muito saudável. Já faziam também bolachas, mas só para os amigos, que na altura já lhas elogiavam de uma forma muito entusiasta. Com a conjuntura económica desfavorável, Ana fica desempregada, e é aí que ambos sentem ser altura ideal para avançar e levar as suas bolachas para fora de casa.

Se é gourmet ou não, não lhes interessa. O importante é que as pessoas gostem muito. Tanto se vendem numa livraria, num café do centro histórico, numa mercearia fina, na casa de chá de Serralves no Porto, como no Clube do Soutocico.

É, aliás, nessa localidade do Soutocico que as bolachas artesanais são feitas, numa padaria emprestada. São os próprios que vão para lá fazer madrugadas, mas sempre com muito prazer e amor à arte, e sacrificando muitas horas de sono. Bruno Mourinha refere o facto de na culinária a reacção ser imediata. Prova-se a bolacha, e a pessoa diz logo se gostou. Esse é um prazer que ninguém lhes tira.

Cheios de simbolismos e brincadeiras com as palavras, os nomes têm de reflectir aquilo que mais gostam. O nome da bolacha chama-se Aveiana porque a base é feita de aveia integral crocante, mas também porque para além de gostarem do chinelo no dedo, há o pormenor de ser a junção do ingrediente aveia com o nome Ana.

A marca Kaeru & Manekineko surgiu depois de um workshop de sushi que fizeram em Lisboa, em que os nomes apareciam, representando, respectivamente, sapo e gato da sorte.

Presentemente têm duas variedades de bolachas: noz com sementes de linhaça e sésamo com canela, vendidas em sacos de 2 euros cada. Vão produzir duas novas bolachas para o dia dos namorados, e estão pensadas outras. Mas Bruno e Ana Mourinha fazem questão de sublinhar que não querem crescer muito, na medida em que, acima de tudo, isto para eles é um hobby.

Claro que dá trabalho e gostariam de rentabilizar o produto, mas apenas o suficiente para lhes proporcionar os pequenos prazeres da vida, como comprar livros ou utensílios para a cozinha. Não querem vender para grandes superfícies, nem desvirtuar o produto. Já recusaram fabricar um molde para fazer em série. O fabrico é 100% artesanal e assim continuará a ser feito, em harmonia com o modo de vida sustentável que procuram levar.

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Texto de Pedro Miguel
Foto de Ricardo Graça

(Publicado a 31 Janeiro 2013)