Seis da tarde e a clientela faz fila ao balcão da tasca da Gracinda. É hora do lanche, os petiscos estão prontos a servir e a barriga a dar horas.

É quase criminoso olhar para aquela vitrine. Ora escolha: raia frita, xaputa, jaquinzinhos, iscas, filetes, panados, pataniscas, moelas, orelha, língua estufada, salada de polvo, rissóis, pastéis de bacalhau… Para beber: pode ser cheio.

Há 40 anos que Gracinda Santos prepara todos os petiscos da tasca e todos os dias “com a mesma dedicação”, garante. “Esta casa sem mim não trabalha e os clientes são como família.” Todos os dias se cruzam ao balcão os mesmos rostos, alguns há dezenas de anos, pelo que a cozinheira não hesita em dizer que “há com alguns até maior proximidade do que com certos familiares”.

Como em qualquer tasca, contam-se piadas, atropelam-se algumas sílabas no discurso, comentam-se as últimas da bola, mas também se partilham as preocupações. Hoje Gracinda pergunta a um dos clientes pela saúde da mãe, e se algum deles não aparece um ou dois dias seguidos já fica em preocupações.

Por aqui a frigideira está sempre a postos. O peixe frito é a prata da casa e vai-se fritando ao longo do dia “para estar sempre apresentável”. Se o cliente vem com ela fisgada para uns jaquinzinhos e por acaso não há na montra “num instante se faz. É o tempo de pôr a mesa e está a sair”, garante dona Gracinda que se orgulha da qualidade dos seus petiscos. “O que não serve para mim, não serve para os meus clientes. Gosto muito daquilo que faço. Trabalho com amor a isto.”

Nesta tasca, há – como manda o figurino – paredes de azulejo, ditados populares em pratos de cerâmica, flores de plástico e até o menino da lágrima dá por lá o ar da sua graça. Até aqui tudo verdadeiramente ‘tuga’. Mas nesta tasca servem-se também ovos mexidos com bacon ou com paio logo pela manhã. Chique? Não, não é para copiar os ingleses, até porque aqui o chá é de outra qualidade.

Os clientes deste reforçado pequeno-almoço são homens que puxam pelo cabedal todo o dia nas obras e é sabido que ninguém alomba com baldes de massa de copinho de leite no estômago. Gracinda Santos trata-lhes da saúde, como uma mãe que cuida dos seus. Às oito já a porta está aberta, pelas 23 horas acaba a jornada. Descanso aos tachos e às pernas. Que amanhã há mais.

Gracinda anda por estes dias a pensar se vai ou não a França ao casamento de uma sobrinha. “É que custa-me fechar a porta, percebe?” Vá lá, ‘ti Gracinda’, que a clientela não lhe foge!

Petiscos da Gracinda
Morada: Largo de Infantaria 7 (rua da Igreja Nossa Sra. da Encarnação)
Horário: das 8h às 23h
Telefone: 244 833 754

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