Francisco Mendes _ Preguiça

Há quem não saia de casa sem relógio, sem óculos de sol ou sem dinheiro no bolso: ele não sai sem a Canon nem o tripé. Fotógrafo prevenido vale por dois e já que o imprevisto não tem hora marcada, dedo no gatilho que qualquer dia pode ser ‘o grande dia’.

Francisco Mendes é talvez o fotógrafo mais premiado da nossa praça. É notícia muitas vezes por arrebatar mais este ou aquele prémio e, adivinhe-se, recebeu recentemente mais uma distinção pelo seu trabalho. Uma fotografia de Fátima valeu-lhe uma menção honrosa no Architecture Open Competition 2013 dos Sony World Photography Awards, um concurso realizado à escala mundial e do qual já tinha sido finalista com uma imagem da Casa da Música, no Porto.

“Em nenhuma das edições pensei que viesse a ter algum destaque. Sabia que as minhas fotos tinham potencial: contudo, quando falamos de concursos com esta dimensão surgem fotos de sonho, de locais de sonho que fazem com que as nossas percam grandeza”. Modéstia, Francisco, dizemos nós.

De todos os prémios ganhos até hoje destaca a menção honrosa no Talento Fnac 2012, pela exigência da candidatura, que obrigou à realização de um portefólio e também “pelo reconhecimento do júri e respectiva análise, dado que este é um dos prémios mais cobiçados a nível nacional”, explica. Este trabalho pode ser visto na Fnac do Leiriashopping a partir do próximo sábado, dia 16, às 21h30.

Ainda sobre prémios e distinções, Francisco lembra “outro momento especial”, quando em 2010 foi contactado pelo banco de imagens Getty Images com um pedido de licença de utilização de cinco fotos suas. “Dos milhões de fotografias que circulam diariamente na internet, a Getty tinha visto e gostado de fotos minhas”.

Ainda assim, diz que a fotografia não é uma corrida, ou um jogo, e que a participação em alguns concursos não é mais do que a possibilidade de ver as suas fotos serem avaliadas por júris isentos. “Quando são de alguma forma destacadas, já é muito positivo”.

Agarrado às máquinas desde pequeno
Não é para ficar bem na fotografia, mas Francisco diz que sempre se lembra de gostar desta arte. “Desde as imagens dos livros da escola primária aos postais dos locais que visitava com os meus pais, todas estas imagens eram como sonhos”, relembra.

Os primeiros disparos foram feitos na máquina fotográfica da família, uma Canon. Mais tarde comprava a sua primeira máquina, uma Canon 300V e nascia assim uma relação de amor com a marca que dura até hoje. Da analógica saltou naturalmente para a digital, depois as lentes para as mais variadas ocasiões, outras máquinas foram-se juntando e a Canon a marcar território lá em casa.

Francisco diz que é, mais do que um fotógrafo, um apaixonado pela arte de fotografar. Uma arte que define como “a tentativa de captar a magia da luz e do momento”. Para ele, “a fotografia é plural” e não assume temas preferidos, embora reconheça que tem “temas recorrentes” como as estruturas, a paisagem natural e urbana, os pormenores ou mesmo os abstractos. Mais recentemente começou a explorar também os ambientes desportivos. É professor de Educação Física e treinador de hóquei em patins, o que explica muita coisa.

É um fotógrafo autodidacta, o que considera ser um factor de motivação. Já participou em workshops, mas considera-se mais “um leitor de imagens, tanto em livros como em revistas, mas também em sites da especialidade”. “Gosto muito de apreciar e pensar sobre as fotos que os grandes fotógrafos fazem, ou que fizeram no caso dos clássicos. E também gosto de partilhar técnicas e ideias nos fóruns e sites comunitários”.

Admite que como qualquer fotógrafo já fez algumas figuras tristes para conseguir aquela foto. Desde deitar-se no chão da rua constrangendo quem estava consigo, a ser surpreendido por ondas mais cheias do que o previsto, ou mesmo ficar de molho na foz do Lis à espera daquela luz especial. Ainda assim diz: “Não sou uma pessoa de muitos sacrifícios”. Ai não, Francisco?
Em jeito de resumo acrescenta apenas: “Gosto de fotografia, sem fronteiras e com F grande”.

As fotografias de Francisco Mendes aqui e aqui.

Texto de Paula Lagoa
Fotografia de Ricardo Graça

(Publicado em 14 Fevereiro 2013)