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Ela chama-se Quicksnap e iniciou uma viagem pelo mundo. Ele chama-se Bruno Luís e espera-a com ansiedade. A separá-los estão milhares de quilómetros e muitos dias. De Leiria, Quicksnap apenas poderá levar uma lembrança: uma fotografia.

É uma espécie de Willy Fogg no feminino, mas a sua viagem à volta do mundo não será apenas de 80 dias. Depois de Itália, Indonésia, Chile, México, Polónia, entre outros países, será a vez de Quicksnap, uma máquina fotográfica descartável, chegar a Portugal, mais precisamente a Leiria, às mãos de Bruno Luís.

“The Phileas Fogg Project” é o nome da ideia criada por dois lomógrafos italianos, que engloba uma máquina descartável , 27 lomógrafos e 26 países diferentes. Itália será o ponto de partida e chegada da Quicksnap. Até lá vai conhecer os cinco continentes e privar com os lomógrafos que participam neste projecto. É a volta ao mundo em 27 clicks. A regra é só uma: tirar apenas uma fotografia.

Bruno vai representar Portugal. O lomógrafo leiriense aproveitou a oportunidade para se inscrever, porque considera o projecto “interessante e original”. “É muito simples e engrandecedor ao mesmo tempo, porque promove a criatividade e a aproximação de lomógrafos estrangeiros, em torno de uma paixão comum que é a lomografia”, conta.

Ansioso pela chegada da Quicksnap, que por esta altura se encontra a sobrevoar o Pacífico, rumo à Polinésia Francesa, Bruno ainda não sabe o que vai fotografar, “ainda é uma surpresa, quando chegar a máquina logo verei”. “Não penses, lomografa!” é uma das dez regras de ouro da lomografia que Bruno vai cumprir à risca.

Mas que raio é a lomografia?

A fotografia analógica veio para ficar na vida de Bruno Luís, mas numa vertente que ele considera mais descontraída e colorida: a lomografia. Mas que raio é a lomografia? É um estilo de fotografia livre, com recurso a filmes fotográficos. É sobrepor várias imagens numa só. É uma fotografia azul, uma rosa e outra vermelha. É um splitzer. É uma foto a 360 graus. É a preto e branco e a infravermelhos. São intercâmbios de ideias e filmes fotográficos. São truques de bricolage. São 24 fotos assim-assim e 36 muito boas. É a arte de fotografar ao acaso, de forma imprevisível, sem regras. É o que se quer, como se quer.

O leiriense é apaixonado por lomos e pelas “cores provocadas pelos rolos fotográficos quando são revelados nos químicos errados, pela criação de fotografias que nos deixam de boca aberta e pela junção de objectos completamente diferentes na mesma imagem, tornando-se uma simbiose perfeita”.

Ao longo dos anos, a lomografia foi ganhando expressão e passou os limites da simples fotografia analógica para se tornar uma comunidade, que comunga dos mesmos interesses. Bruno também faz parte dessa comunidade, onde é conhecido por sprofishgel. Já lá vão dois anos, 75 álbuns e 1678 registos fotográficos. Para ficar a conhecer o trabalho do lomógrafo basta aceder aqui.

Texto de Joana Areia
Foto de Bruno Luís

(Publicado em 21 Fevereiro 2013)