Les Crazy Coconuts 6

Junta-se uma bateria, uma guitarra, teclas q.b., uma pitada de voz e uns sapatinhos profissionais femininos, em couro, para sapateado. Mexe-se tudo muito bem e coloca-se num palco. Polvilha-se com uma boa dose de loucura e obtém-se uma receita de Les Crazy Coconuts. Delicioso!

Podíamos estar a falar de gastronomia? Sim. Podíamos estar a falar de um cocktail exótico? Sim.Podíamos estar a falar de uma ilha tropical? Também, mas não era a mesma coisa, nem é disso que se trata. Falamos de uma banda leiriense, formada recentemente, cujo conceito é bastante original: uma simbiose perfeita entre a música e a dança. Gil Jerónimo, Tiago Domingues e Adriana Jaulino são Les Crazy Coconuts.

A ideia surgiu há alguns anos, quando Adriana terminou  o curso de Dança. “Queria criar algo que pudesse conjugar bateria com sapateado”, conta. Depois conheceu Tiago e, em Paredes de Coura – onde esperam um dia poder tocar – a ideia ganhou forma. Já temos uma bateria e o sapateado. Mas falta qualquer coisa, e é aqui que entra Gil Jerónimo. “Quando a Adriana falou comigo – e nem sequer nos conhecíamos –, perguntou-me se queria fazer parte de uma banda de kuduro progressivo”, diz o responsável pela guitarra, voz e teclas. A loucura, comum aos três, é o ingrediente principal.

Les Crazy Coconuts poderiam ter sido uma banda de kuduro progressivo, ou de outro estilo qualquer, porque Gil “alinhava na mesma”. Na verdade, não sabem muito bem em que género se encaixam, mas também não gostam de rótulos. Definem o projecto como “um grande desafio, diferente e original”.

Apesar de ser uma experiência única para os três, a relação dos membros da banda com a música não é de agora. Gil integra os Monomonkey e os We Should Dance Anyway e Tiago faz parte dos Killer Texas Bee Queen. Ainda assim, e habituados a estas andanças, no início “foi complicado encontrar um elo de ligação entre nós”. Para Adriana, que teve de fazer magia e transformar dança em música, foi ainda mais difícil. Mas os ‘Cocos Loucos’ gostam de desafios. “Não queremos ser mais um projecto igual a tantos outros”, dizem.

De Outubro até ao momento, a banda já compôs cinco temas e continua a trabalhar sem qualquer pressão. “Estamos relaxados. Isto não é um trabalho forçado para nós, porque  todos gostamos daquilo que estamos a fazer”, referem.  O que fazem é uma novidade para os três. “Quando não sabemos , experimentamos, sugerimos. Tentamos encontrar a nossa identidade, o nosso som.”

Les Crazy Coconuts fizeram apenas uma pequena apresentação pública, em Pombal, no passado mês de Dezembro, e deixaram a curiosidade no ar. Ao público querem oferecer algo diferente e criar um espectáculo mais artístico do que o habitual, com princípio, meio e fim, com movimento em palco: uma espécie de instalação artística “com pessoas pelo meio, que somos nós”. Quem sabe se num dos seus espectáculos, Gil e Tiago também aparecem de sapatos pretos de couro a acompanhar Adriana. Eles prometem surpreender.

Os interessados em ver os ‘Cocos Loucos’ ao vivo podem fazê-lo já no próximo dia 15 de Março, no Café Concerto, em Pombal. O grupo garante que “vai ser show de bola”, ou não fossem eles ter na banda “a bailarina mais linda”.

Texto e Fotos de Joana Areia

(publicado a 7 Março 2013)