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Há malucos assumidos e o Virgílio é um deles. É maluco por bicicletas desde pequeno e há uns tempos, em Itália, descobriu as fixie, que lhe estão a dar a volta à cabeça.

Não percebemos nada de bicicletas, mas fomos tentar entender porque é que há pessoas que preferem comprar e montar uma bicicleta peça a peça, quando pelo mesmo valor e até menos podem ter uma nova, com mudanças, travões e tudo a que têm direito. Parece que é uma espécie de tunning das binas, mas mais a ver com moda, design e uma filosofia do it yourself.

As fixie estão associadas a um universo retro e são vistas como um objecto fashion. Tal como na moda elas podem ser personalizadas para ocasiões e, tal como uma carteira ou uns sapatos, pode-se ter uma série delas para usar de acordo com o momento. E há mesmo quem as pendure nas paredes de casa como objecto decor, confidenciou-nos Virgílio, que foi para o seu próprio casamento a pedalar.

Teoricamente, as bicicletas fixie são um meio de transporte urbano de mecânica muito simples. Algumas nem têm travões convencionais e, consoante o carreto escolhido, numas basta pedalar para trás, noutras dar um impulso nos pedais para as fazer parar.

No caso das bikes do Virgílio, tudo começou com quadros de bicicletas antigas aos quais foi juntando os componentes que mais lhe agradavam, e ao que parece normalmente é assim que se processa, pelo menos para os que gostam de pôr mãos à obra.

Mas para ter uma fixie não é preciso ter uma veia de mecânico. Há na internet sites que as vendem prontinhas a usar e que ainda permitem trocar esta ou aquela peça por outra de que se goste mais. Virgílio Valente é detentor de uma dessas lojas virtuais que vende The Brave Cycles, marca que criou para dar nome as bicicletas da sua autoria e através do qual representa algumas das marcas de peças mais conceituadas do nicho. As The Brave Cycles vão dos 350 aos 1350 euros, mas há fixies a custar 15 mil pedais.

biker que também é designer já conseguiu vender alguns exemplares e diz-se satisfeito por ter feito esta aposta. Espera agora que o boom das fixie chegue a Leiria para poder dizer que o negócio corre sobre rodas.

Texto Paula Lagoa
Foto Ricardo Graça

(Publicado em 11 Abril 2013)