pipocas 1Domingo, três da tarde, um cordão humano circunda metade da praceta central na praia de São Pedro de Moel. Motivo: as pipocas do senhor Sabino.

“Amigo, se tu com 20 anos não consegues arranjar 100 euros por mês para pagar os estudos, então vais ter muitos problemas na vida, porque até a vender pipocas se arranja 100 euros por mês”. Sabino Carvalho, o vendedor de pipocas de São Pedro de Moel, garante que sim mas a frase é do polémico Miguel Gonçalves, o rosto escolhido por Miguel Relvas para o programa Impulso Jovem, que afinal parece que está na gaveta.

Sugestão da Preguiça: que tal juntarem-se os dois Miguéis, virem até São Pedro de Moel dar uma mãozinha ao senhor Sabino e aprender com quem sabe, como fazer dinheiro a vender pipocas? Talvez juntassem uns trocos para financiar o vosso programinha bué da jovem em vez de estarem à espera de verba estatal.

Mas vamos às pipocas que é para isso que cá estamos. O fenómeno tem mais de 30 anos e repete-se todos os domingos, especialmente no Inverno, quem diria?

E o que têm estas pipocas de tão especial? São gordinhas e doces como mais nenhumas e o truque está nas mãos de quem as faz. Na fila mandam-se uns palpites ao ar. Há quem aposte que têm mel, que o segredo está no ponto do açúcar queimado, ou mesmo na quantidade reduzida de óleo que levam.

Sabino Carvalho não esconde a receita e diz que o truque está em carregar bem no açúcar. Mesmo assim “as de casa nunca ficam iguais” diz uma cliente da Praia da Vieira que ali vai às pipocas desde solteira e hoje se faz acompanhar dos netos. Cliente fidelizadíssimo, diríamos.

Só para este domingo, Sabino Carvalho, da Marinha Grande, trouxe 30 quilos de milho e outros tanto de açúcar e “à partida não há-de sobrar muito”. A fila começou a formar-se por volta das duas da tarde e só termina rente ao pôr-do-sol. A pipoca tá sempre a sair, quentinha, crocante e barata. 1€ o saco médio, 1,50€ o saco grande. Não há saco pequeno? Não, porque não é preciso.

Nestes 31 de anos a vender pipocas, Sabino Carvalho já abafou alguns concorrentes que tentaram instalar-se mesmo ali ao lado. Sem sucesso algum. Chegava a ser caricato ver, de um lado a fila interminável do costume, do outro, uma espécie de suplente que lá ia vendendo um ou outro pacotito de pipocas frias aos mais distraídos, apressados ou descrentes. Estão a ver o cenário das farturas Penim na Feira de Maio? É isso mas com pipocas.

Texto de Paula Lagoa
Fotografia de Ricardo Graça
(publicado em 2 Maio 2013)