restaurante uzbequistão

O restaurante Parque, em Leiria, mantém-se fiel à gastronomia lusa, mas começa a ser influenciado por sabores da Ásia Central. Fomos plovar.

Lá em casa, eles já preferem a comida portuguesa, sobretudo o bom peixe cozido, mas esta terça-feira Zarrina Zlyayeva e Nodir Kurbanov ofereceram a um grupo de amigos portugueses – e à Preguiça – uma noite especial em que a estrela foi o prato nacional do Uzbequistão, o plov.

Tudo se passa num pequeno espaço da Rua Comissão de Iniciativa, em Leiria. Ali a ementa é lusa como gosta o Zé Povinho e até mete cozido à portuguesa dois dias por semana. Come-se barato: 5,50 euros a diária ao almoço. Mas, de vez em quando, por marcação, no restaurante Parque acontecem jantares como este, em que só a hospitalidade do casal de imigrantes concorre com a originalidade das sugestões gastronómicas oriundas da antiga Ásia soviética.

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Também chamado palov, o plov é a receita típica do Uzbequistão e de outras ex-repúblicas da URSS. Desde tempos distantes, não falta à mesa em dia de casamento. Consta de um bom naco de carne – experimentámos vaca, mas pode ser borrego ou ave, por exemplo – temperado com sal, pimenta e alhos inteiros. A receita é simples: coloca-se cebola por cima da carne, tapa-se com cenoura cortada em palitos e deixa-se a repousar 10 minutos. Depois adicionam-se cominhos generosos e uma camada de arroz cru, rega-se com água até submergir e leva-se a lume bem forte durante mais 10 minutos, sem mexer. Quando a água evaporar por completo, tapa-se para o arroz descansar, outros 10 minutos. Finalmente, aguarda-se os derradeiros 10 minutos, em lume brando para apurar. O resultado final é tenro e agrada especialmente a quem aprecia o travo doce de um arroz oriental com vegetais.

Na terça-feira, também experimentámos salada de beterraba com nozes, alho e maionese e os tradicionais pastéis bilisi (imediatamente baptizados de billy jean pelos comensais mais inspirados). Os uzbeques costumam devorá-los pela manhã com café. São bolas de massa recheadas com carne picada, cebola e cominhos. Muito saborosas e certamente com calorias suficientes para atacar um dia inteiro de trabalho.

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Entalado entre o Cazaquistão e o Turquemenistão, o Uzbequistão também faz fronteira com o Afeganistão, o Quirguistão e o Tajiquistão. Tudo destinos misteriosos de que os portugueses só ouvem falar quando há sismos devastadores ou avistamentos do abominável homem das neves. No Uzbequistão, um país muçulmano, quase 30 milhões de habitantes dependem de uma economia baseada na produção de algodão, ouro e gás natural. É um território interior, marcado por vastas áreas desérticas, e além disso está cercado por outros estados também sem acesso ao oceano.

Zarrina Zlyayeva e Nodir Kurbanov são oriundos de Samarkand, a segunda cidade: um conhecido centro de estudos islâmicos, que fica no coração da Rota da Seda e tem dimensão equivalente ao Porto. Nodir chegou primeiro, em 2003. Mais tarde viajou Zarrina e as duas filhas do casal. A terceira filha já nasceu em Leiria. Todos falam português fluente e nem as diatribes do ministro Gaspar lhes retiram o gosto de viver em Portugal. “Há mais liberdade, mais pessoas sérias e mais tranquilidade”, explica Nodir, que é empregado de uma fábrica de cerâmica. A família já conhece o Algarve, Lisboa e outros tesouros turísticos portugueses. O mínimo que podemos fazer é retribuir a simpatia e continuar a experimentar a gastronomia uzbeque. Só é preciso ligar e agendar.

Restaurante Parque
Rua Comissão de Iniciativa – Leiria
Reservas pelo telefone: 961 258 956

Texto de Cláudio Garcia
Fotografias de Ricardo Graça

(Publicado a 2 Maio 2013)