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Não é um sofá nem um divã, é uma espreguiçadeira. Uma vez por mês, a Preguiça convida alguém a pôr-se confortável e responder a 12 perguntas sobre livros. Desta vez foi o músico Sean Riley – ou Afonso Rodrigues, como vem no B.I. – a sentar-se para nos contar o que lhe vai na alma. E nas estantes, claro.

1. O que estás a ler neste momento? Recomendas ou nem por isso?
No Meu Peito Não Cabem Pássaros, do Nuno Camarneiro. Comecei há uma hora, mas pelo que já li, recomendaria.

2. O que mais facilmente te leva a pegar num livro: a capa, o título, o autor, os amigos ou os desconhecidos?
Já peguei em livros por todos esses motivos, mas o mais normal é ser pelo autor ou por recomendação de alguém.

3. Diz-nos um autor que descobriste ultimamente e tens pena de não ter descoberto mais cedo.
Não tenho propriamente pena de não o ter descoberto mais cedo – acho que as coisas acontecem quando devem acontecer –, mas gostei de encontrar o Afonso Cruz.

4. Se houvesse um incêndio na casa do teu vizinho, que livro aproveitavas para atirar para a confusão?
Não possuo um único livro que gostasse de ver arder.

5. O bichinho dos livros passa de pais para filhos?
Os meus pais sempre leram muito. Através das conversas em casa, já “conhecia” muitos clássicos antes sequer de os folhear. Nunca me forçaram o gosto pela leitura, eu gostava de BD e eles não me obrigavam a ler Os Cinco (atitude que eu apreciava bastante). Como em tudo o resto, deram-me espaço para encontrar o meu caminho. Quando me comecei a interessar mais, pedi recomendações e o primeiro livro que o meu pai me estendeu foi A Pérola, do Steinbeck. Era um miúdo, e adorei.

6. Se fosses uma personagem do Farenheit 451 (Ray Bradbury/François Truffaut), que livro gostarias de memorizar para garantir que sobrevivia à passagem do tempo?
Não tenho uma grande memória no que diz respeito a livros e filmes, pelo que vou voltando recorrentemente aos que me vão marcando… Acho que não estaria à altura do desafio.

7. Já te rendeste ao tablet? Ou és fiel ao papel em toda e qualquer circunstância?
Não me importo de ler notícias em ecrãs. Estórias, gosto de ler em papel.

8. Há algum livro que queiras ler há muito tempo, mas ficas sempre pela intenção?
Céline, Viagem ao Fim da Noite. Comprei-o há anos, estou sempre quase, mas mete-se sempre alguma coisa à frente. Tenho de resolver isso.

9. A partir de quantas páginas um livro te desmotiva a pegar-lhe? E qual foi o maior calhamaço a que já te aventuraste?
O número de páginas não é uma coisa que me assuste muito. Se for bom, quantas mais melhor. Não tenho bem ideia de qual o maior livro a que já me aventurei… já li umas quantas coisas com vários volumes.

10. “Não negue à partida um género que desconhece” podia ser o teu lema? És transversal, quanto a géneros e estilos de escrita, ou tens claramente favoritos e suspeitos?
Leio principalmente romances, contos, poesia… Também gosto de biografias. Talvez tenha uma predilecção pela realidade – ligeiramente ficcionada ou não – escrita na primeira pessoa. Alguns dos meus livros/autores preferidos são nesse registo. Henry Miller, Bret Easton Ellis, John Fante, Kerouac, Hunter S. Thompson, Bukowski.

11. O que é preciso para se ser um leitor com L grande? Isso é uma espécie em vias de extinção?
TEMPO. Talvez seja, parece que somos levados a crer que cada vez há menos tempo.

12. O que achas verdadeiramente de alguém que tem uma casa sem livros?
Pensaria que acabou de se mudar.

Questionário de Catarina Sacramento
Ilustração de Rui Cardoso

(Publicado a 16 Maio 2013)

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  • Afonso Rodrigues nasceu nas Caldas da Rainha em 1980. Até agora viveu em quatro ou cinco cidades, Lisboa é a mais recente. Teve empregos de passagem. Estudou Direito, em Coimbra, e fez rádio na RUC, entre 2002 e 2007. Editou três discos com a banda Sean Riley & the Slowriders (aos quais empresta a voz e guitarra) e actualmente integra um novo projecto chamado Keep Razors Sharp. Também faz outras coisas.