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André Barros

Quando um arqueólogo viaja para a Islândia e se vê às portas do Inferno, isso é cinema de terror com banda sonora da Marinha Grande.

Na Preguiça gostamos de insólitos e há poucas coisas tão improváveis como alguém da Marinha Grande escrever a banda sonora do primeiro filme de terror e suspense produzido na Islândia por islandeses. Improvável ou não, é o que acontece em Ruins, do realizador Vilius Petrikas. O compositor André Barros é o responsável por este momento inesperado na história do cinema e agarra uma oportunidade surgida durante o estágio no estúdio dos Sigur Ros, em 2012.

Antes de mais conversa sobre a banda sonora, let’s look at the trailer: na Islândia, o agricultor Friðjón prepara-se para novo dia solitário e gelado quando encontra uma mala de viagem à deriva no oceano. Lá dentro, há um pequeno gravador de voz que contém o diário de um arqueólogo britânico. (Estão sintonizados? A Islândia é um sítio verdadeiramente frio e inóspito; só esta descrição devia ser suficiente para vos deixar a tremer de medo.) O velho Friðjón carrega no play do aparelho e o mistério adensa-se: ouvem-se gritos, súplicas, vozes desalmadas, ruídos sem explicação imediata. Que som é este que parece chegar directamente das portas do Inferno?

Agora sim, a música, no bandcamp de André Barros. O pré-lançamento da banda sonora original de Ruins reúne cinco faixas disponíveis para download a partir de 2,5 euros (ou 70 cêntimos cada tema). Estética clássica e minimalista, em que o piano e o violino são os instrumentos dominantes. Transmite aquele sentimento agridoce de tranquilidade e sobressalto, tão familiar nos títulos de suspense. Do género: agora estou a saborear uma pipoca no sofá, agora estou escondido debaixo do cobertor.

O álbum permite um primeiro contacto com o ambiente de Ruins e ajuda a promover o filme, que se encontra em fase de pré-produção. Vai ser rodado na Islândia e deve estrear no início de 2014, com projecção em toda a Escandinávia. Até lá, há uma iniciativa de crowdfunding (aqui) que procura obter 60 mil dólares de financiamento para a longa-metragem.

“Terror e mistério não são o meu género de cinema predilecto, embora este seja um caso diferente, pois não vive do choque visual de imagens aterrorizantes, mas mais de um bom enredo de suspense…”, conta André Barros, que vai tocar ao vivo na Fnac do LeiriaShopping no próximo dia 28 de Junho, sexta-feira.

Até agora, o trabalho tem consistido em criar temas genéricos para cada uma das personagens mais relevantes, além do tema principal de Ruins. Chegará o dia de entrar num processo “muito mais minucioso e exaustivo de adaptação destes temas, bem como de preenchimento de tantos outros momentos que, com certeza, necessitarão de uma paisagem sonora”, explica o compositor da Marinha Grande. Tudo com um delicado equilíbrio no horizonte: É que “a música num filme quer-se decisiva, mas não se pode tornar mais relevante do que a própria cena”.

Na internet
andrebarrosmusic.bandcamp.com (ouvir e comprar a banda sonora)
igg.me/at/ruinsthemovie (teaser e crowdfunding do filme)
Desolatus no YouTube
facebook.com/ruinsthemovie
ruinsthemovie.com

Texto de Cláudio Garcia
Fotografia de Ricardo Graça
(Publicado a 20 Junho 2013)