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Oloron Sainte Marie – Toulouse – Aix Au Provence – Saint Tropez

Em alturas de mais um Tour de France, deixem-se ficar por aqui, que os senhores das bicicletas estão a comemorar o seu 100º aniversário e tudo.

07:00 – A partir de Oloron Sainte Marie, há diversas opções. Ficar por lá, andar pelas montanhas, ou quando já estiverem fartinhos de campo, e já estiverem a ressacar de cidade, como quem precisa de uma cigarrada após 9 horas de voo transatlântico, têm sempre Toulouse. Com duas rotas alternativas sem ser pela auto-estrada – que em França as portagens são caras como tudo – avancem pelas routes nationales, sem medos, com muita localidade pelo caminho, e sim, muitas rotundas.

10:00 – Toulouse é uma cidade dinâmica quanto baste, cosmopolita, com bancos portugueses e tudo, caso sintam saudades da língua, e também com um bocado de sorte, dão de caras com uma mercearia tipicamente portuguesa, onde não falta Nestum com mel, línguas de gato, latas de atum, arroz carolino, bacalhau, Super Bock e pessoas a jogar dominó ao som de um vernáculo familiar.

É uma alternativa às baguetes francesas, onde nos dão aquilo para a mão, sem saco, que uma pessoa depois leva no autocarro, a roçar nas outras pessoas, enfim… não será a melhor altura para pensar em higiene. É uma cidade com uma razoável qualidade de vida, com uma basílica e uma catedral, e o rio Garona.

16:00 – Única e exclusivamente para cagar o cão, que tal um salto a Saint Tropez? Mas antes disso, e na hora de maior calor, porque não parar em Aix-en-Provence para visitar a Fondation Vasarely? Fica mesmo à beira da auto-estrada A8, nem se faz desvio quase nenhum: é só estarem atentos ao lado esquerdo e quando virem uns cubos pretos e brancos, é esse o edifício.

20:00 – Saint-Tropez não é para tesos, mas há a possibilidade de deixar o carro à entrada da cidade, pois existe um enorme parque de estacionamento ao ar livre. Com as compras previamente feitas no Intermaché de Aix, é ali que se janta, no carro. Ah sim, também é ali que se dorme, num verdadeiro hino ao turista de pé descalço. Apesar dos pesares, ainda dá para comer um geladinho, comprar uma água numa loja de souvenirs, olhar com desdém para os iates estacionados no porto, e andar a pé, na noite agradável que certamente estará.

No dia seguinte, é dar uma volta mais a sério à baía. Há de tudo, praias pequenas sem grande stress, água impecável, e, imagine-se, um cemitério com uma das vistas mais maravilhosas de sempre. Muito turista endinheirado escolhe ser ali a sua última morada. Deve ser baratinha a fracção, deve deve!

Texto de Pedro Miguel