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Fomos conhecer o ateliê da Rua Almeida Garrett, ali nas traseiras da Zara. E descobrimos joalharia de autor com muito boa disposição.

Está representada no museu MUDE, na revista Umbigo e no livro Stark 500 com jóias que exibem molas da roupa, carrinhos de linhas, tampões femininos e ventosas, que até dão jeito para prender o anel ao espelho enquanto se refrescam as mãos. Também usa cães, ovelhas, sapos, vasos, cerejas, colheres, cotonetes e tudo o que a inspiração lhe sugere, sem fronteiras. Para Sandrine Vieira, a criatividade não tem limites e não há criatividade sem humor. A senhora dos anéis, de aparência frágil e simpática, transforma artigos comuns em objectos artísticos, como quem abre um sorriso sempre que espreita à janela urbana.

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Sandrine nasceu em Paris, é formada em Design Gráfico pela ARCA (Coimbra) e trabalhou em agências de comunicação de Lisboa e Leiria. Apaixonada por ilustração e arquitectura, faz 11 anos que entrou quase por brincadeira no Concurso Jovens Criadores, com brincos concebidos com saquetas de chá. Às vezes são as frases que lhe servem de inspiração. Por exemplo, ‘dar pérolas a porcos’. Agora está por sua conta e risco no ateliê da Rua Almeida Garrett, em Leiria, a experimentar a paixão pela joalharia. Por ali só há peças únicas, como no gabinete de uma costureira que não prega o mesmo botão duas vezes, mas vive para criar e aceita encomendas à medida. O que nunca pode faltar na bancada de trabalho é mesmo o amor e o entusiasmo. E prata, claro, material favorito para dar asas à imaginação.

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Por estes dias, o ateliê é também um espaço de porta aberta onde decorrem diversos workshops. Numa tarde, qualquer pessoa pode aprender o básico e levar para casa uma peça diferente construída com as próprias mãos. O resto demora mais tempo. “A joalharia não é só ter ideias, é preciso uma boa técnica”, explica a designer, que chega a dedicar-se durante semanas à mesma criação.

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Primeiro as amigas, depois as amigas das amigas, agora de dia para dia um universo crescente de fãs que reconhecem a originalidade das propostas. Sandrine Vieira diz que “a joalharia de autor não é fácil de entender”, mas não tem tido problemas de expressão. Já em 2013, foi seleccionada para representar Portugal em Madrid na exposição BID, e em Leiria apresentou uma colecção de 100 anéis. Na Preguiça já estamos à espera da próxima centena!

Na internet
http://www.sandrinevieira.com

Texto de Cláudio Garcia
Fotografias de Ricardo Graça
(Publicado a 27 Junho 2013)