Enfardar pela Europa fora #4

france

Soulac-sur-Mer – Calais – Gravelines – Dunquerque

O veraneante mais desprevenido que chegue a Soulac-sur-Mer, nos primeiros três segundos pode interrogar-se: “Então querem ver que me enganei no caminho e vim parar à praia do Pedrógão?” A culpa é da marginal, e do muro caiado de branco.

Soulac para os amigos, é uma península e estância balnear a 80 quilómetros acima de Bordéus, e apenas 12 a sul de Royen, mas que também é procurada por alguns parisienses. O Casino e a disconight Le Zinc fazem parte do roteiro. Mas para comer e beber é preciso procurar o La Bodega, um bar restaurante. Com um ambiente sempre em festa, os mexilhões (moules) são deliciosos.

A água do mar é surpreendentemente amena, pois essas coisas das correntes, que uma pessoa nunca percebe muito bem, fazem do banho uma sensação agradável, ao invés de outros sítios, onde uma dor lancinante percorre todo o corpo, assim que se mete o dedo grande do pé no oceano.

Para não dizerem que isto é só comida saudável com moluscos e peixinho, rigorosamente a não perder, num dia de ressaca daqueles que levam alguém a escrever no Facebook ‘nunca mais bebo’, há o crepe de Nutella numa creperie lá do sítio.

Mais a norte, muito mais a norte, onde se apanha o barco para Inglaterra, em Calais, para além dos edifícios de Arte Nova, em substituição dos antigos que foram escalabardados na Segunda Guerra Mundial, há que fazer uma pausa e procurar um restaurante com ostras. Diz que é lá o sítio delas. Vá se lá saber se é do combustível dos ferrys, se do que é, mas aquilo é de categoria.

Um pouco mais ao lado, em Gravelines, também se come um peixe fresco daqueles de dizer oh la la e chorar por mais. Não sei se estão a reparar, vai tudo corrido a peixe e mariscos, mas é bom para desenjoar das viandes – e depois há sempre Inglaterra com o seu peixe com batatas.

Por fim, em Dunquerque, há que levar um tapa-vento. Em certos dias, há patos que mergulham no Atlântico e nunca mais são vistos. Não se sabe se apanham o canal para Inglaterra ou o que é, mas aquilo é digno de se ver. Também há esse grande feito de, pela praia, se chegar a pé à Bélgica. É giro, atravessar países assim a salto como no antigamente. De resto… c’est le nord!

Texto de Pedro Miguel
(Publicado a 11 Julho 2013)

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