Queres ser meu amigo?

“Vamos fazer amigos entre os animais, que amigos destes não são demais na vida”, dizia a canção do José Alberto Moniz e é bem verdade. Esta semana, a Preguiça foi à Associação Desprotegidos e fez uns quantos. Patudos, peludos, grandes, pequenos, todos amorosos e a precisar de uma família.

Há cães com sorte, há cães com azar e outros assim assim. Podemos dizer que os patudos acolhidos pela Desprotegidos, nos Pousos, são assim assim. Não têm a sorte de ter um lar, uma família que cuide deles e lhes dê todo o mimo que merecem, mas também já não andam à deriva, doentes, com fome e sujeitos aos perigos da rua e de gente mal intencionada.

Na Desprotegidos estão seguros, têm quem olhe por eles e procure todos os dias ajuda para os manter a salvo e, se possível, um lugar melhor para viverem. São os heróis desta história: os voluntários da associação que todos os dias dão um bocadinho de si por eles.

Fomos conhecer algumas das estrelas da companhia.

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Pimenta

Pimenta: esteve para ser enfermeiro, mas deu-se mal com o carteiro
O Pimenta foi encontrado junto às antigas instalações da Escola de Enfermagem, onde agora funcionam serviços do IPL. Teve a sorte de encontrar alguns amigos que o mantiveram por ali, até a Desprotegidos poder acolhê-lo, mas houve um dia que não pôde ficar mais. O carteiro, essa figura estranha, que aparece de capacete e em cima de uma coisa com rodas que faz imenso barulho. Será que vai fazer-me mal? Pelo sim pelo não, levas uma trinca que o vigilante aqui do pedaço sou eu. O pimenta tem dois anos, está na desprotegidos há três meses, tem traços de boxer, adora brincar com pedras, é muito sociável com as pessoas, mas dispensa a companhia de outros cães.

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Pluto

Pluto: digno de passerelle
O Pluto é o top model da matilha. Grande, superelegante e de olhar ternurento, é amigo das crianças e precisa de espaço para exercitar as suas pernas longas. Tem um ano e foi para a associação há dois meses, depois de ter sido recolhido em Santa Eufémia, na sequência de um alerta telefónico. Quando chegou, estava muito magro e debilitado, mas agora é um poço de energia.

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Cuca

Cuca: vamos à caça?
Os ratos que se atrevam a entrar no canil da Desprotegidos e vão ter de se pôr a pau com a Cuca. É uma caçadora nata e não deixa créditos por patas alheias. Além disso, é uma lutadora. Foi abandonada pelos donos no terraço de um apartamento, estava grávida, mas teve a sorte de ser resgatada por uma vizinha nova no prédio. Durante algum tempo foi alimentada e vigiada por essa amiga, que ficou com um dos seus bebés e ainda conseguiu encontrar donos para os restantes. Chegou à Desprotegidos há quatro meses e tem cerca de três anos de idade.

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Silvestre

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Lia

Silvestre e Lia: estes cães sabem voar?
Foi a voar que o Silvestre e a Lia chegaram à Desprotegidos. Não não vieram de avião, nem traziam pára-quedas, foram mesmo atirados por cima dos muros da associação há cerca de dois anos. Têm perto de 6 anos e são inseparáveis, como irmãos, embora não se saiba se o são de verdade ou não. Por já terem alguma idade, é pouco provável que alguém os leve, embora o ideal fosse uma adopção conjunta, para que pudessem continuar amigos.

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Faísca

Faísca: my name is David Faísca Bowie
Despenteado, gingão, um olho castanho e outro azul. Isto não vos lembra ninguém? É isso, sou a versão cão do David Bowie. Tinha tudo para ser uma estrela de rock, faltou-me só um bocadinho mais de sorte. O Faísca tem entre dois e três anos e foi resgatado pela Desprotegidos há cerca de ano e meio. Estava perto do campo de futebol de Santa Eufémia onde tentaram apredrejá-lo. Teve a sorte de alguém interceder por ele. É um cão muito meigo e sociável. Adaptava-se a qualquer tipo de família.

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Coquinhas

Coquinhas: deêm-lhe fruta e vejam-na a rodopiar
Esta menina foi, durante algum tempo, um cão com sorte. A dona encontrou-a ainda bebé num pinhal, levou-a para casa e durante três anos foi a sua melhor amiga. Mas, há cerca de um ano, a dona ficou numa situação financeira muito complicada e teve de encontrar solução para ela. Foi para a Desprogidos porque a dona não tinha sequer 25 euros para pagar a taxa de recolha do canil municipal. Tem cerca de cinco anos, é doida por fruta, a quando está contente rodopia tanto que nos deixa zonzos.

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Lucky: sou velhota, mas se me mostram a latinha mágica…
Esta cadela também teve a sua cota de sorte, mas está destinada a ficar na Desprotegidos, que é a sua casa já há três anos. Foi adoptada por alguém que gostava muito dela e com quem viveu dois anos, mas a separação foi inevitável. A dona emigrou e não pôde levá-la. Com sete anos, é a mais velha de todos do grupo e é já pouco provável que alguém venha a ficar com ela. Muito meiga, gosta de mimos e de ração em lata. Afinal, ela merece a dentadura, já não tem a força de quando era jovem e um patezinho escorrega melhor.

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Bárbara Silva e Faísca

Foi por amor aos animais e com este espírito de protecção e de defesa dos seus direitos que nasceu a Desprotegidos, em 2007. Hoje são 10 voluntários que dividem entre si as tarefas do canil e que apelam à generosidade de quem, como eles, não consegue ver um cão triste.

A Desprotegidos tem contado com o apoio de muitos particulares e empresas e é à conta dessa ajuda que hoje tem, por exemplo, os canis individuais e pavimentados, um espaço de arrumos e uma enfermaria, mas é urgente ampliar as instalações para poder receber mais “desprotegidos”.

Todos os dias recebem na entre três e cinco apelos de resgate, mas a capacidade de acolhimento na associação está lotada, pelo que além dos que estão no canil há outros tantos em famílias de acolhimineto temporário à espera de solução. “Esses são para nós os casos prioritários. Os que estão aqui [no canil] vão ficando, mas os que estão nessa situação precisam de solução urgente”, explica Bárbara Silva, presidente da direcção da Desprotegidos (na foto).

Como ajudar?

  • Doar ração, detergentes, mantas, trelas, coleiras, desparasitantes, dinheiro
  • Entregar numerário na Clínica Veterinária dos Milagres (existe dívida corrente)
  • Levar um dos cães da associação a passear aos domingos de manhã
  • Ligar para o número solidário 760 301 388
  • Apadrinhar um cão, oferecendo-lhe a vacinação, alimentação, cuidados médicos ou assegurando qualquer outra necessidade
  • Ser voluntário (ajudando nas tarefas da associação)
  • Acompanhar os pedidos mais urgentes, as campanhas e eventos no facebook e no site

Texto de Paula Lagoa
Fotografia de Ricardo Graça
(Publicado a 18 Julho 2013)

3 responses to “Queres ser meu amigo?

  1. Sou mais de gatos, mas…. apaixonei-me pelo Silvestre e pela Lya!!!
    Infelizmente só os posso passear ao domingo ou ajudar de vez em quando.
    O dinheiro pode não trazer felicidade, mas que ajudava lá isso ajudava….

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