Ele sabe o que dizem os rostos do futuro

faces of the future 1

Bruno Francisco é brasileiro, mas diz que nasceu no país errado. Não gosta de samba, nem de duplas sertanejas, e jura que precisa de vencer a timidez para fotografar e entrevistar jovens da sua geração, no projecto Faces of The Future.

Mesmo assim, em menos de dois meses, reuniu 24 conversas. A inspiração é o site norte-americano humansofnewyork.com, uma espécie de catálogo de vidas anónimas recolhidas na cidade que nunca dorme. “A única diferença do meu projecto é que tenho quatro perguntas fixas e falo com jovens até aos 25 anos”, refere Bruno Francisco, 19 anos, quase metade vividos em Leiria. O brasileiro que se sente europeu tem mais contradições do que esta: era estudante de Gestão, planeia inscrever-se numa licenciatura em Engenharia Informática, mas por enquanto é aluno do curso de Fotografia da Escola Afonso Lopes Vieira, na Gândara, onde se apaixonou pela magia da objectiva. Quase, quase a história do nosso fotógrafo, que foi neurocirurgião e sonha com uma carreira de tocador de banjo.

Qual a maior dificuldade que passas neste momento?
Bruno: Decidir o que vou fazer no futuro. O meu lado artístico e o meu lado racional estão em conflito neste momento.

O que mudarias no mundo, se pudesses?
Bruno: A obediência das pessoas e a forma como elas estão presas ao sistema em que vivemos. Não vivemos a vida que queremos por medo.

Faces of the future: “Quero saber o que podemos esperar desta geração, como eles vêem o futuro”, explica Bruno Francisco. “Através de quatro perguntas super-simples, dá para perceber que as pessoas já passaram por muita coisa na vida.” Tantas vezes, as respostas são uma surpresa e contrariam o pré-julgamento do entrevistador. E de que falam os jovens? Há quem queira mudar mentalidades, quem faça planos para sair de casa, quem queira tatuar de olhos fechados, ou viajar pelo mundo e conhecer novas culturas, outros querem ajudar animais ou mesmo abraçar uma carreira de baterista. Bruno escolhe os entrevistados ao acaso, nas ruas da cidade, e mais tarde pretende comparar as respostas de Leiria com as de outros lugares e países.

Qual a maior dificuldade por que passaste na tua vida?
Bruno: Quando vim para Portugal, demorou muito tempo a sentir-me integrado, devido ao preconceito em relação aos estrangeiros.

Qual é o teu maior sonho?
Bruno: Acho que sonhos não existem. Tens de colocar uma meta na tua vida e ponto final. Ou fazes o não fazes.

“Acho que, no fundo, todas as pessoas querem ser ouvidas”, afirma, para justificar a forma aberta como aceitam as suas questões metediças, que apontam ao íntimo de cada um. E quanto ao futuro, podemos ficar descansados? Parece que sim: “Há sempre pessoas que se destacam e fazem cada geração valer a pena.”

Na internet:
facebook.com/facesofthefuture1

Texto de Cláudio Garcia
Fotografia de Ricardo Graça
(Publicado a 18 Julho 2013)

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