Os ficheiros secretos do m|i|mo

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Em tempo de férias, a Preguiça fez uma visita de estudo ao m|i|mo – museu da imagem em movimento, em Leiria.

Apesar de ser um bicho preguiçoso, este magazine é curioso e mete o nariz em tudo. Pela mão de Ana David, técnica superior de assuntos culturais, a Preguiça encontrou um espólio ainda por descobrir.

No início, nos processos de recolha das máquinas que agora fazem parte da exposição do museu, vieram associados alguns filmes que foram visionados posteriormente, com algumas surpresas, desde filmes de cariz documental, ao hardcore 1º escalão.

Explicando melhor, aquando da aquisição de projectores antigos, veio muito material típico do circuito do cinema ambulante. O arquivo é composto por jornais de actualidades, o mundo em notícias, filmes de karaté, mas também eróticos, porno, comédias, etc… Deve ter sido gira, a descoberta.

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Outra vertente do museu é a de fiel depositário de material histórico. A destacar só a título de exemplo, o depósito do acervo de 30 anos de uma empresa de publicidade, com cartazes publicitários e fotos, assim como uns filmes inéditos e muito antigos de um tio-avô do ex-ministro da justiça, Laborinho Lúcio, natural da Nazaré.

“É um material que exige alguma responsabilidade. Não foi mexido logo, estávamos à espera de um projecto de investigação. Esses projectos demoram a chegar, nem sempre há fundos e nem sempre há investigadores e, portanto, aquele carecia ou de um antropólogo, ou de alguém que pudesse fazer uma abordagem mais cuidada e de certa forma sistematizar a informação”, refere Ana David.

Alguns objectos fazem parte do imaginário colectivo, como as simples placas que estavam à porta do Teatro José Lúcio da Silva a indicar a idade mínima para visionar o filme.

As placas “Para maiores de 18”, não só das míticas sessões da meia-noite – de há muitos, muitos anos – mas também do Natural Born Killers (Assassinos Natos) ou Pulp Fiction. O Rocky IV, “Para maiores de 12 anos”, que num domingo à tarde, levou o cinema ao rubro quando o Stallone foi às fuças do russo ruim.

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O edifício ocupa dois pisos e uma cave, com a sala de exposições temporárias, o Laboratório da Imagem, a Oficina do Olhar, o serviço educativo, o arquivo fílmico, os laboratórios de conservação e restauro, uma câmara escura, o Centro de Documentação e Informação Artur Avelar e ainda uma colecção permanente.

Todo o museu assenta em quatro palavras: recolha, salvaguarda, conservação e inventariação. É isso que se pretende de algo que se diz em movimento e que está aberto à comunidade em geral, e científica em particular.

Seriam precisos detectives, historiadores, antropólogos, bibliotecários, cineastas, estudiosos de fotografia e muitos estudantes interessados em descobrir muito do passado, hábitos e tendências. Muita da verdade histórica não anda nos céus sob a forma de luzes brilhantes; pode andar sim, por este museu.

Haja vontade, dinheiro e interesse de todos os intervenientes.
Alguém interessado?

http://mimo.cm-leiria.pt/

Largo de São Pedro – Cerca do Castelo – 2400-235 Leiria
Tel.: 244 839 675
E-mails: mimo@cm-leiria.pt
mimo-serv.educ@cm-leiria.pt
mimo-centrodoc@cm-leiria.pt

Texto de Pedro Miguel
Fotografia de Ricardo Graça
(Publicado a 18 Julho 2013)

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