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O Mercado da Boqueria é mesmo daqueles sítios onde os olhos também comem – se comem, e até lambem os dedos. Cheio de vida, de cor, e de gente, claro. É um festim de comida, impecavelmente arrumada nas bancas, onde há de tudo como na farmácia. O maior mercado de comida da Europa é um ponto de paragem obrigatória numa viagem a Barcelona. Se andar por estas bandas nas férias, não deixe de lá dar um salto.

Fica mais ou menos a meio da Rambla, à direita de quem desce da Praça da Catalunha, e é bem conhecido pelas suas bancas de frutas e legumes milimetricamente arrumadas. Dá para desconfiar que haja ali mão de um decorador de interiores com especialização em vegetais. E uma certa tendência obsessiva-compulsiva…

A verdade é que está sempre tudo direitinho e com um ar fresquíssimo. O que também contribui para isso é que neste mercado vê-se com os olhos e não com as mãos – os recados são explícitos: as palavras “não mexer” encontram-se banca sim, banca também. A regra é simples: só se toca naquilo que se vai comprar e mais nada. Por isso é que a Boqueria não tem aquele ar caótico a que estamos habituados nos mercados. Mas tem tudo o resto: ou seja, a parte boa, em versão revista e aumentada.

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E as cores? Aquilo é um arco-íris que nos entra pelos olhos dentro. E nem faltam as frutas menos vulgares, como a pitanaya, de um rosa-choque ligeiramente radioactivo, que dificilmente passa despercebido. É um ambiente efervescente, que chama os sentidos todos para a festa: o movimento constante das pessoas, as vozes dos vendedores a tentar vender o seu peixe – ou lá o que for –, o corrupio de gente de um lado para o outro: é assim todos os dias (menos ao domingo), das oito da manhã às oito da noite. Vistas de cima, as pessoas devem parecer carreiros de formigas atarantadas, sempre a cruzarem-se em todas as direcções. Encontrar um metro quadrado vazio ali é quase tão provável como chegar à Sagrada Família e não haver fila.

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Na Boqueria há bancas e mais bancas: a seguir às frutas vêm os legumes, e depois são os presuntos e enchidos, as malaguetas, os queijos, os peixes, os mariscos, chocolates… Perto da entrada, saltam logo à vista os sumos naturais, espremidos de manhã e alinhados em copos para pegar e levar, ou fruta cortada em cubos (incluindo pedaços de coco fresco), com o mesmo objectivo de se ir a comer pelo caminho.

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Sim, porque a este mercado não se vem só comprar comida para depois cozinhar em casa: também há tascas de comida já preparada, para comer ali mesmo. Se em vez de se sentar ao balcão de uma delas, preferir ir picando aqui e ali, o mais certo é ter de ficar em pé (há meia dúzia de mesas espalhadas à volta, mas a concorrência é feroz). Em alternativa, tem sempre a hipótese de pegar num sumo e num pastel (empanada), num croquete ou num cone com lascas de presunto e seguir viagem, ou, à falta de bancos por perto, encostar-se a uma das colunas de pedra à volta do mercado e aviar uma paella: sem cerimónias e com um garfo de plástico, pois claro. Afinal, é preciso é entrar no espírito.

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La Boqueria
La Rambla, 89 (Raval) – Barcelona
Horário: Segunda a sábado, das 8h às 20h30
Metro: Liceu

Texto e fotografias de Catarina Sacramento
(Publicado a 25 Julho 2013)