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NMRRB no Bar Ben, Alcobaça, em 1997

Fartos de festas foleiras tipo Back to Bambi ou Remember Eighties? O punk dá-vos uma nova oportunidade amanhã à noite.

Quem não viveu os anos loucos do rock na Marinha Grande da década de 1990 nunca mais vai viver… ou então pode ir esta sexta-feira 13 ao bar Ovelha Negra e experienciar o regresso dos inconfundíveis No More Rock n Roll Business. A banda que mudou o som de garagem da cidade do vidro, colando novas influências ao hardcore, está de volta para um concerto único e, para já, irrepetível. A primeira parte é dos Noise Trauma.

João Costa – em substituição do baixista original, Adiel – é a novidade num alinhamento de 15 músicas que recria as actuações ao vivo dos últimos dias dos NMRRB. Quem não gosta de noites mesmo old school não percebe o que se vai passar amanhã no número 5 da Rua Álvaro Coelho. Os NMRRB são o exemplo visceral do que acontece quando o espírito do feedback desce sobre um grupo de adolescentes tardios numa época sem redes digitais, em que a vida na província mais parecia um beco sem saída. Guitarras à solta com a pulsação a mil, um baterista sem receio de contratempos e um vocalista em modo revolução atacam como se não houvesse futuro para libertar uma sonoridade crua, sónica e pesada que em cada momento debita a energia de uma locomotiva.

“No final dos anos 90, já havia uma nova geração a pegar em instrumentos e trazíamos as influências das bandas da Marinha, mas também muitas influências novas do rock alternativo, indie e grunge. A mistura de todos estes elementos e das personalidades e gostos muito heterogéneos dentro da banda fizeram com que este “bicho esquisito” nascesse. E marcou um período repleto de concertos ao vivo em todas as esquinas. Nós tocávamos em todo o lado, e tínhamos sempre muita gente que nos seguia” – Ricardo Simões (baterista dos NMRRB)

Dos cinco fundadores, só o baterista Ricardo Simões se mantém no ativo (com os Pharmacia e os Monomonkey), enquanto o guitarrista Paulo Gringo reencarna como DJ em vários programas na onda electrónica. A presença temporária do vocalista Ângelo Calvete – que vive na China – em Portugal foi a desculpa perfeita para o concerto no Ovelha Negra.

Entre 1997 e 2001, os NMRRB andaram por toda a parte no litoral centro e partilharam o palco com Tédio Boys, Mata Ratos e Gothic Sex, de quem se dizia que sacrificavam animais. Alinharam em festivais no Pilado com espectadores movidos a LSD, venderam bilhetes à porta da sala de espectáculos e ficaram com o dinheiro porque a editora não lhes pagava, arrastaram pequenas multidões de amigos que faziam de cada noite uma festa. Mas a melhor estória aconteceu no Montijo. “Vimos no Blitz que estava programada a nossa actuação num concurso de música e metemo-nos à estrada. Chegámos lá, ninguém nos conhecia nem nunca tinham ouvido falar em nós, mas de Blitz na mão mostrámos a prova que tínhamos sido seleccionados! Assim, de mau modo, lá nos meteram em último para tocar. Contra a vontade de todos da organização, partimos tudo literalmente e o público em êxtase queria mais porque estavam a curtir bué mas o técnico de som acabou por nos cortar a P.A. e nós continuámos a tocar só com o som dos amplificadores, para delírio do pessoal. Fomos a votação (votavam todos os presentes na sala) e ficámos em segundo lugar porque o “maioral” da mesa de som não nos deixou ganhar, revoltado pelos piretes que nós em palco lhe íamos enviando!!!”, descreve Ângelo Calvete num e-mail enviado à Preguiça Magazine.

As batidas sincopadas, as mudanças de ritmo, as melodias bizarras, a garra e a construção elaborada das músicas fizeram dos NMRRB reis do bairro, diferentes de tudo e de todos. Doze anos depois, o tempo volta para trás. Se tens medo do mosh, é melhor ficares em casa.

Texto de Cláudio Garcia
(Publicado a 12 Setembro 2013)

NMRRB – “Zero Youth”

No More Rock n Roll Business
Sexta-Feira, 13 de Setembro, 22h
Primeira parte: Noise Trauma
Bar Ovelha Negra
Rua Álvaro Coelho, nº 5 (perto da Câmara Municipal)
Marinha Grande