first breath after coma 3
Está aí o muito aguardado primeiro disco dos First Breath After Coma. Chama-se The Misadventures of Anthon Knivet, é editado pela Omnichord Records e será apresentado com pompa e circunstância no próximo dia 18 de Outubro no Teatro Miguel Franco. Aqui em primeira mão na Preguiça Magazine fica o teaser promocional. Não respirem!

Estamos com vontade de dar um concerto em grande

Finalmente o disco. Sentem que o público aguardava por este momento?
Nós queremos acreditar que há pessoas curiosas para ouvir o nosso trabalho, mas nunca se sabe. Mas talvez ainda mais do que o público, nós os quatro há muito que esperamos por este momento. É que o disco acaba por representar para nós o produto do trabalho que temos desenvolvido nestes últimos longos meses.

Porquê a homenagem ao pirata Anthony Knivet?
Nós queríamos que o álbum tivesse coesão, ou seja, uma temática comum às várias faixas. Naturalmente, no processo de criação isso acabou por acontecer: todas elas são uma viagem e transportam um sentimento de aventura e descoberta, tanto interior como do mundo que nos rodeia. Os elementos água/mar acabam por ser inerentes a todas as músicas, porque há sempre um lado nelas em que procuramos levar o ouvinte a sentir-se submerso, afastado da realidade. Se estivermos submersos, é a água que cria essa barreira. Quando descobrimos a história do Anthony Knivet, achámos logo que tinha tudo a ver com esta mensagem, e que era boa ideia atribuir uma personagem às músicas que já tínhamos. Ele foi um pirata que foi capturado por portugueses em terras brasileiras. Lá passou por várias aventuras, desde ser escravo nos campos de açúcar portugueses até ao facto de ter vivido vários meses com tribos indígenas. Além de tudo isso, é tido como o primeiro homem nas Américas a mergulhar com escafandro. Foi aqui que a história nos chamou verdadeiramente a atenção, porque este objecto é a representação material da tal ideia de completo isolamento através da submersão.

O primeiro momento de apresentação deste trabalho será em Leiria, dia 18 de Outubro. no Teatro Miguel Franco. O que é que estão a preparar?
O concerto vai ser no âmbito do projecto As Paredes Têm Ouvidos, mas nós vamos aproveitar para torná-lo também a apresentação do nosso álbum em Leiria. Estamos com vontade de dar um concerto em grande, já temos umas ideias para agradar não só aos ouvidos mas também aos olhos, mas isso ficará surpresa até lá. Apesar disso, vamos partilhar o palco com o André Barros, que também vai apresentar o seu álbum de estreia, e nós já tivemos direito a um cheirinho e olhem que promete! De resto, o álbum estará à venda à entrada e no fim do concerto vamos ficar para dois dedos de conversa com o público.

Tocar em Leiria é diferente de tocar noutros lugares?
Jogar em casa é sempre bom. Ter como público aqueles que nos acompanham desde o início é muito diferente do que lá fora, onde ainda nos estão a começar a conhecer. Sentimos um carinho especial quando tocamos por cá e é sempre uma festa!

Tiveram alguns concertos nestes últimos tempos. A experiência mudou alguma coisa na vossa música ou mesmo na performance pessoal de cada um? 
Sim, esta maratona de concertos que tivemos no início do Verão deu-nos outra bagagem. Sentimo-nos mais confiantes em palco e mais à vontade com o público. Foi uma espécie de treino intensivo, que acabou por nos fazer bastante bem.

Mexeram na constituição da banda. Saiu a Isabel, entrou alguém? Querem aproveitar para explicar esta mudança na equipa?
A saída da Isabel deu-se apenas por um desencontro no processo criativo. Nós os quatro fazemos música juntos há vários anos: logo, a cumplicidade que temos entre nós no momento da criação é sempre diferente do que aquela que ela tinha connosco. Conversámos os cinco e chegámos a esta decisão, mas amigos à mesma, claro! De momento, somos só os quatro a compor músicas e convidámos o João Marques para nos acompanhar ao vivo nos teclados.

Entrevista de Paula Lagoa
Fotografias de Ricardo Graça
(Publicado em 26 Setembro 2013)