leonel_final

Entramos e sentamo-nos. Pedimos uma bebida e ao som de um rock ‘n’ roll começamos a conversar, sobre cinema, claro está. Este mês pus-me à conversa com Leonel Mendrix, um moço ali de Pombal que tem três paixões na vida: arquitectura, música e passear o seu amigo cão Toby Wong (qualquer relação com o Cães Danados de Quentin Tarantino é pura coincidência… ou então não). Conhecemo-lo de projectos como Miss Cat e o Rapaz Cão, Rapaz Improvisado e Sinestetas Albinos. Como músico, diz ser espontâneo, intuitivo e um autodidacta. E nós gostamos muito disso nele.

1. Qual foi o último filme que viste? Que dizes? 
Comboio Nocturno para Lisboa. Gostei imenso da história, do facto de dar a conhecer ao mundo uma das realidades pela qual infelizmente o nosso país passou. Apreciei muito o modo como a personagem principal se envolve na história de um livro escrito por um médico e poeta português, e assim de Bern parte para Lisboa à procura do autor e de todo o significado do livro, com o qual se identifica muito. O elenco de actores é, de facto, surpreendente. Peca apenas pela história se passar em Lisboa e a única língua adoptada ser o inglês.
 
2. O teu top 3 de filmes:
Asas do Desejo, de Wim Wenders; Homem Morto, de Jim Jarmusch; Era Uma vez na América, de Sergio Leone, O Homem Elefante, de David Lynch e O Carteiro de Pablo Neruda, de Michael Radford. Espero que este top não tenha ultrapassado os três filmes que me pediste!
 
3. O teu top 3 de realizadores :
David Lynch, Jim Jarmusch e Francis Ford Coppolla. Mas tenho de dizer que o meu top não é só de 3, nem tem uma ordem específica.
 
4. Um actor e/ou actriz preferido(a)?
Tenho mesmo de escolher só um, não é? Que seja então o Robert De Niro, pois adoro o trabalho dele em Era Uma vez na América e no Taxi Driver, entre outros.
 
5. Um clássico do cinema que andes sempre a adiar?
Um não, no mínimo dois: Viver a Sua Vida, de Jean-Luc Godard, e Morangos Silvestres, do Ingmar Bergman.
 
6. O que te leva a ver um filme? O realizador? A premissa? O elenco? Tudo isto junto? Ou nada disto?
Normalmente a escolha do filme tem por base o realizador ou os actores. O tema também é importante! Mas já vi muitos filmes que me surpreenderam não conhecendo o realizador nem os actores, o que para mim é sempre bom, pois não gosto de ter a ideia de que só os realizadores e actores que conheço é que são bons a fazer cinema.
 
7. Que filme viste tantas vezes ao ponto de saberes as falas de cor?
Acho que nenhum, com pena minha!
 
8. Qual o filme da tua infância?
Os vários 007. O meu pai costumava alugar cassetes VHS e tive a oportunidade de ver alguns na década de 1980.
 
9. Um momento cinematográfico do qual te lembras recorrentemente? 
Adoro rever a conversa de mesa redonda no início do filme Cães Danados, de Quentin Tarantino. Adoro os actores e as personagens nesse momento!
 
10. Sei que nem sempre é fácil de admitir mas… choras a ver cinema? Um momento de ir às lágrimas?
Sim, claro, existem filmes que me comovem muito. Mas isso nem sempre significa que é um filme de que eu realmente goste, o que tem uma certa piada, pois talvez até esteja a chorar de tão mau que está a ser o filme, eheheh.
 
11. Se fosses uma personagem de cinema, qual serias e porquê?
Seria o Buster Keaton. Tenho a certeza de que me divertia muito, andava sempre em forma – e ao mesmo tempo sempre partido, é certo – mas, no fundo, teria sempre muita piada.
 
12. Com que personagem do mundo do cinema gostavas de ter uma conversa de café?
Uma vez disse que gostava de conversar com a Claudia Cardinale, mas como não é a única, desta vez escolho o Emir Kusturica. Muito provavelmente só para lhe dizer que ando com saudades de ver os filmes dele e que gostaria de o ver a realizar um filme em Portugal. Sempre gostei dos filmes de Woody Allen, mas sinceramente não estou assim tão curioso com o resultado de um filme dele em qualquer cidade de Portugal. Com o Kusturica seria perfeito!
 
13. Melhor banda sonora de sempre?
Todas as bandas sonoras dos meus realizadores favoritos são perfeitas. Mas, claro, a banda-sonora do filme Era Uma vez na América talvez seja a eleita! Sergio Leone e Ennio Morricone faziam uma dupla imbatível. Como também Federico Fellini e Ninno Rota sabiam realmente o que estavam a fazer com o cinema italiano. Adoro as bandas sonoras dos filmes do Francis Ford Coppolla: a d’O Padrinho e, por exemplo, a do mais recente dele, Tetro. Jim Jarmusch é outro realizador que me convence quando pensa nas suas bandas sonoras: o Homem Morto com a banda sonora de Neil Young é uma obra de arte. Todo o filme é uma mensagem inspiradora.
 
14. Quem eleges como O compositor de bandas sonoras?
Caramba, tenho mesmo de escolher só um? Pronto, que seja mesmo o Ennio Morricone. Tem uma carreira notável.
 
15. Se pudesses escolher um filme para criar uma banda sonora alternativa, qual seria? Porquê?
Talvez o Buffalo 66, do Vincent Gallo. Para além de ser um actor que aprecio, também gostei deste filme e identifico-me com a música que compõe. Seria um dos filmes que eu gostaria de ter realizado, como também alguns do Jim Jarmusch.
 
Entrevista de Catarina Mamede
Ilustração de Rui Cardoso
(Publicado a 20 Fevereiro 2014)