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A comemorar já quatro anos no próximo sábado, 15 de Março, a marca Sushie começou assim como não quer a coisa, mas de repente teve de querer, e muito. Foi-se a ver, a malta andava a ressacar de acessórios de moda. Tal como no rock, o do it yourself tem casos de sucesso.

Sushie é a alcunha desde pequena por ter nascido com os olhos rasgados, como os dos japoneses. Começou de uma forma muito natural, como hobby, a fazer para as amigas, a ir experimentando aos poucos, com o bichinho que já vinha da infância, altura em que a bijuteria surge na vida de muita gente mais ou menos prendada.

A coisa evoluiu para umas malas, ainda feitas por diversão, e como Susana Soares era freelancer na área do design, foi desbravando terreno até que,a certa altura, começou mais seriamente a procurar colaboradoras para a costura. Quando foi a ver, zás trás pás catrapás, estava a braços com um negócio e encomendas para satisfazer.

Uma bolsa e uma mala de senhora foram, de facto, os primeiros artigos que deram início a este empreendedorismo no mundo dos acessórios. Lançou-se no Facebook (ouviram, haters de redes sociais?), foi aí que se deu o boom, e mal pôs os seus produtos online, passada uma semana teve logo convites de duas lojas para revenda.

“Foi uma coisa natural, mas que se expandiu de uma forma muito rápida. Eu estava à espera primeiro de dar a conhecer as minhas criações durante uns meses, mas em três semanas deixei a minha vida de freelancer e fiquei com isto a tempo inteiro!”, recorda Susana.

sushie bags edit

Com a ida a diversas feiras, a carteira de clientes foi aumentando: o passa-palavra teve o seu efeito desejável. No que toca a criações novas, a maior parte são de sua autoria, pese embora o facto de aceitar algumas dicas, mas não todas, porque fogem ao seu âmbito, como é o caso de babetes para idosos, entre outras sugestões que num futuro imediato não estão nos planos.

Ainda hoje as malas de senhora são o bestseller da marca, mas também os lenços têm muita saída nos dias que correm. Mais uma vez, começou por ser algo pessoal, mas as pessoas viram e quiseram também. E chegados a esta parte do texto, é agora que se recorre a uma frase feita batida, mas, sim, a Sushie não vai em modas, dita-as. Olaré.

Das mais recentes edições, tem padrões capulana, directamente do import-export do eixo Maputo-Luanda, que estão a ter muito sucesso. “De início, pensava que o público alvo seria algo entre os 20 e os 35, mas a realidade mostrou que a clientela vai dos 15 aos 80”, esclarece. Este é um segmento tão amplo, que punha qualquer marketeer a espumar, mas pronto, o grosso da clientela vai dos 25 aos 35.

Os planos para o futuro passam por criar de raiz os seus próprios padrões. A crise veio atrasar os planos, e por enquanto compra ao fornecedor padrões já feitos, mas está confiante que um destes dias passará a criar de uma forma 100% personalizada as suas próprias imagens.

Apesar de viver em Leiria, não é a cidade do Lis o mercado principal, nem pouco mais ou menos. Com as diabruras da internet, dá-se o caso de serem as cidades de Coimbra, Guarda e a região Norte em geral, os principais destinos das encomendas. São quatro anos que começaram quase por acaso, mas o mundo do empreendedorismo está cheio de ‘acidentes’ destes. É de ficar com os olhos em bico.

Site:
http://sushiedesign.blogspot.pt/

E-mail:
sushie.design@gmail.com

Texto de Pedro Miguel
Fotografias de Ricardo Graça
(Publicado a 13 Março 2014)