PINHAL DAS ARTES 2014 _PREGUIÇA_6Um festival para a primeira infância. Ouve-se na mata nacional, pertinho de São Pedro de Moel. E aninha-se para sempre no coração das famílias. Se lá em casa mora um pequeno Beethoven, é de ir. Se os ouvidos do casal Antunes são tão duros quanto o pão de anteontem, é de ir. Se procuram o cenário ideal para o primeiro piquenique do ano, é de ir também. 

Naqueles dias em que a idade adulta cansa, por vezes sonhamos com um pedaço de paraíso na Terra, longe de tudo e de todos. Um lugar onde se escuta o chilrear dos pássaros sobre o riacho, o ar é puro e a sombra das árvores nos embala com a brisa tranquila do Verão. Pois esse lugar existe e aqui bem perto. Só têm de trocar o longe de tudo pela proximidade a São Pedro de Moel e o longe de todos pela companhia de algumas centenas de pessoas. Acreditem: mesmo assim vai valer a pena.

Pinhal das Artes, o festival da primeira infância. São 500 espectáculos para crianças até aos 6 anos, mais de 40 tendinhas e cantinhos, música, teatro e dança por artistas de seis nacionalidades. E histórias à fogueira, ioga, observação de pássaros, passeios de carroça, construção de instrumentos, cavalos, animais da quinta e permacultura, entre muitas outras actividades. Noite e dia, até domingo, dia 6 de Julho (programa). A organização é da SAMP com a parceria estratégica da Fundação EDP.

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Arrumados os factos, vamos à essência. Paulo Lameiro é o director artístico do Pinhal das Artes e o criador das carpas Koi, que por estes dias habitam o Lugar das Árvores. Um maestro impossível de descrever com justiça, que imaginou um festival para promover a criatividade em família. Bebés, crianças, pais, mães, manos, primas, avós, tios, todos são convidados a participar no diálogo entre a arte e a natureza. Se lá em casa mora um pequeno Beethoven, é de ir. Se os ouvidos do casal Antunes são tão duros quanto o pão de três dias, é de ir. Se procuram o cenário ideal para o primeiro piquenique do ano, é de ir também. Na pior das hipóteses, ficam a descontrair diante do aquário de peixes japoneses.

Desde 2012 que não havia Pinhal das Artes, o que torna a ocasião ainda mais especial. Na floresta encantada ecoam sussurros e gargalhadas, ouvem-se histórias de reis e de princesas, escutam-se violinos e violetas. Tanto se celebra a beleza do Universo como se enterram os pés em gelatina. E às vezes também se dorme a sesta. Podem andar de mapa na mão como um turista, a picar os trilhos ponto por ponto, ou simplesmente fluir entre as árvores, de espírito aberto, a ver o que dali vem. Não existem regras, a não ser as da comunhão e do respeito. Em qualquer caso, as crianças adoram.

Conselhos da Preguiça: acordem cedo, estudem os horários, levem farnel e boa disposição. Tudo o resto acontece por magia.

Texto de Cláudio Garcia
Fotografias de Ricardo Graça
Vídeo de Pinhal das Artes
(Publicado a 3 Julho 2014)