alex_gozblau_preguiçaEntramos e sentamo-nos. Pedimos uma bebida e ao som de um rock ‘n’ roll começamos a conversar, sobre cinema, claro está. Desta vez conversei com Alex Gozblau, um dos meus ilustradores portugueses preferidos (não, não é graxa, e ele sabe disso) e resta-me acrescentar que foi um prazer descobrir as respostas às minhas perguntas. 

1 – Qual foi o último filme que viste? Que dizes?
Fading Gigolo, de John Torturro. É como uma canção pop de Verão. Dura pouco tempo, dá para cantarolar o refrão, lembra o trabalho de outro gajo e logo a seguir já estamos a pensar noutra coisa.

2 – O teu top 3 filmes
Não é um top. São três filmes de que não me canso e que já perdi a conta às vezes que vi: Sunset Boulevard, 8 1/2, Midnight Cowboy.

3 – O teu top 3 realizadores
Buñuel, Fassbinder, Lynch. E continua a não ser um top. Se me perguntares isto dentro de 10 minutos, direi Vigo, Friedkin, Haneke.

4 – Um actor e/ou actriz preferido/a
Anna Magnani. E também aqui podíamos ficar a conversar sobre nomes até amanhã de manhã. E eu acabaria sempre por nomear o Peter Lorre.

5 – Um clássico de cinema que andes sempre a adiar
Nunca vi nenhum Tarkovsky. Um dos motivos deve ser o facto de ter existido sempre alguém por perto a dizer-me que “tem tudo a ver contigo”. Tenho medo de encontros perfeitos.

6 – O que te leva a ver um filme? O realizador? A premissa? O elenco? Tudo isto junto ou nada disto?
Essas são as soluções fáceis. Mas também acontecem acasos. Durante anos vivi a 3 minutos de um cinema com quatro salas e não raras vezes a escolha foi feita pela sessão mais próxima de iniciar. Vi coisas como o Trust e o Reflecting Skin assim. E também muita merda. Que é para não ter a mania.

7 – Que filme viste tantas vezes ao ponto de saberes as falas de cor?
“Num instante cresci, ganhei peso colocando à porta uma placa cheia de pintarola que dizia assim Rui Ventura Tadeu — Import/Export , que era para que ninguém me viesse à mão com a história de eu não fazer nenhum e de andar a chular a Rita.”

8 – Qual o filme da tua infância?
Mais do que um filme, talvez um género. Fui criança num tempo em que não havia vídeo-gravadores e em que os únicos filmes repetidos ad nauseam eram as velhas comédias portuguesas. Tornava-se difícil ganhar apego a um filme preciso. Em contrapartida, a televisão estava cheia de filmes de guerra, cowboys e gangsters. Eu preferia os gangsters. Tinham melhores vilões e nunca era certo quem sobrevivia ao The End.

9 – Qual o teu filme de animação favorito?
Um filme: When the Day Breaks, de Amanda Forbis e Wendy Tilby. Um realizador: Jan Svankmajer.

10 – Um momento cinematográfico do qual te lembras recorrentemente?
A Jeanne Moreau a cantar Oscar Wilde.

11 – Choras a ver cinema? Um momento de ir às lágrimas?
Enest Borgnine na cena final de Marty, de Delbert Mann.

12 – Se fosses um personagem de cinema, qual serias e porquê?
O protagonista de Skhizein, de Jérémy Clapin. Porque nunca estou lá.

13 – Com que personagem do mundo do cinema gostavas de ter uma conversa de café?
Com o Tom Waits na curta da série Coffee & Cigarettes, de Jarmush. Era ganhar duas vezes: conversar com o senhor Waits e ser o Iggy Pop.

14 – Se tivesses de ilustrar um filme, qual seria e porquê?
O Blue, de Derek Jarman. Porque vai bem comigo.

Entrevista de Catarina Mamede
Ilustração de Alex Gozblau
Animação de Rui Cardoso
(Publicado a 10 Julho 2014)