DCIM100GOPROPara quem já queimou calorias ao som da ‘Macarena’ em Torremolinos e do ‘Saturday Night’ em Benidorm, não se deve assustar facilmente com um passeiozinho à beira-rio plantado.

Fotogaleria: preguicamagazine.com/fotogalerias.

A Preguiça foi ao Arlindo das bicicletas fazer o test drive do serviço de aluguer que a sua loja Verso terá a partir da próxima segunda-feira, e meteu-se Pólis adentro, jornalista e fotógrafo de câmara na cabeça.

A via do Polis em Leiria, para quem quiser aproveitar tudo desde o início, pode começar (ou acabar, consoante o sentido) um pouco mais atrás, em São Romão, ao pé da Escola Profissional, ISLA, mais precisamente, nas traseiras do Juve Ginásio.

Aí começa o trilho que tem a particularida de ter umas escadas que levam a sítio nenhum. Viradas para o rio, ruína de uma funcionalidade que já não existe, em dias de calor parece que convida a um mergulho. Aliás, nos primeiros metros há uma série de plataformas de madeira que convidam à aproximação da margem, mas que acabam abruptamente ali para o rio.

Ao descrever uma curva no rio, há uma zona especialmente verde e redonda que pode transportar o desportista-de-trazer-por-casa até Paredes de Coura. É só pensar com muita força, levar o mp3 nos ouvidos, olhar para o verde e para o rio, e já agora, beber sem moderação.

Depois da estrada, sim, começa oficialmente o circuito da Pólis, com os bikers e skaters ali a dar show, pessoas a correr ou a andar, cãezinhos fofinhos e outros mais normais. No Verão, a densidade populacional adensa-se – não, pá!, já não vão a tempo de abater a barriga para Agosto – mas o que é preciso é que se divirtam.

Parte daquela zona tem sofrido cheias no Inverno, o que remete para a segunda viagem mental, que neste caso pode ser Veneza, com os seus canais, o rio que transborda – e, já agora, algum cheiro que por vezes se nota.

Acaba-se o trilho, anda-se um pouco pela passeio com cautela para não atropelar os transeuntes, “olá olá” aqui e ali de malta conhecida que corre, e vem à memória aquele anúncio antigo dos cornetos: “Um corneto pra mim, um corneto pra ti, olá olá… e a vida sorri!!…”

Passa-se a ponte, atravessa-se a passadeira com cautela, que isto de usar o ABS para deixar passar dá uma trabalheira dos diabos… Assim deve pensar a malta que conduz, a julgar pelas caras de contrariados que fazem.

Moinho de Papel à vista, traseiras dos bombeiros e chega-se às fantásticas cataratas de Niagara… errrr… de Leiria, mas é. Diz que é zona de águas profundas e tudo. Tira-se um retrato, inspira-se um pouco, mas não muito, e siga até à ponte El Rei D. Dinis, bonita por dentro e feia por fora.

Passa-se o rio, e o melhor é fazer uma primeira paragem, que a malta já deve ter feito alguns 40 quilómetros – ou menos – e como o desporto requer hidratação, a paragem no Mulligan´s é feita num ápice para beber algo de penálti, e foi um néctar amarelo que estava mais à mão. Qualquer semelhança com o Oktober Fest alemão, ou da Batalha, é pura coincidência.

Passeio de bicicleta_polis_26

Passeio de bicicleta_polis_22

DCIM100GOPRO

De volta às máquinas, o clássico Marachão, que à noite assume contornos de uma música do Lou Reed – pode ser o “Take A Walk On The Wild Side” – rasga a cidade ao lado do rio Lis e a uma velocidade furiosa: os cicloturistas da Preguiça assumem a sua vocação desportista, há muito em repouso, e até lhes passa pela cabeça que, se calhar, aquilo de fazer exercício até é porreiro.

Sempre em frente, que atrás vem gente, mas de frente também e a zona dos jardins do Lis está já ali. Do outro lado da estrada aproxima-se a zona do estádio, obra faraónica, acima das nossas possibilidades (essa sim, ó bestas!) que, naturalmente, só pode transportar uma pessoa para as pirâmides do Egipto.

É muita emoção, de maneiras que uma pessoa passa a fugir, para não chorar, e aventura-se para a parte final do circuito, que vai algures entre a Estação e a Barosa, zona de pomares – e não, ninguém roubou uma maçã, não sei porque é que perguntam.

Fim da linha, end of the line em americano. É um momento confuso porque se, por um lado, há a sensação do dever cumprido, por outro, vem à lembrança que agora é preciso fazer o caminho de volta.

Que remédio! Vai-se a trote, apreciam-se os cavalinhos que por vezes aparecem no horizonte e regressa-se com aquela sensação como na canção “Voltei voltei, voltei de lá, ainda ontem estava em França e agora já estou cá”.

Ah. sim, é preciso devolver a bicicleta de aluguer ao Arlindo das bicicletas, e a vantagem de ser ali na zona do Mercado Santana é que à chegada foi possível providenciar um especial combate à fraqueza, com uns croquetes quentinhos, acabados de sair do restaurante Salvador. O Josel é sempre uma opção.

Texto de Pedro Miguel
Fotografia e vídeo de Ricardo Graça
(Publicado a 24 Julho 2014)