Frances_Densmore_recording_Mountain_Chief2Bem, pessoal, iniciamos esta nova temporada da Preguiça com assuntos sérios. É o único! Prometo! De resto, irão ser só gadgets e guerras entre fanáticos da Apple e do Android… ou não.

Já devem ter ouvido, assim a modos que… meio atravessado, que estamos prestes a levar com outro imposto sobre “a lei da cópia privada”. Infelizmente, quase todos vocês associam esta lei a uma “suposta compensação” pela pirataria informática – esse mal que prolifera pela internet e que Deus nos livre de sermos atacados por esse bicho.

Muito bem, a partir deste momento apaguem por completo do vosso cérebro a palavra PIRATARIA. Esta lei nada está relacionada com esse assunto. Se há pirataria, isso é assunto para outras andanças. Por favor, não misturem leite Gresso com Johnnie Walker – são coisas completamente diferentes e para finalidades totalmente distintas.

Neste país, cheio de gorduras e de maus hábitos políticos, continuam a proliferar as “rendas” dos primos e amigos dessa classe que nos rege. Pergunto-vos: votariam a favor de uma lei que retirasse 0,01€ a cada tuga (incluindo tu) para que eu vivesse nas Maldivas a comer marisco e com os pés enterrados na areia para o resto da vida? Afinal, o que te custa 0,01€ ao final do mês?! Nada! Provavelmente fariam um manguito e mandavam-me trabalhar – que isto de trabalhar para os outros não está com nada. Ora nem mais!

Esta lei é disto mesmo que se trata: rendas. Rendas para associações e autores que alegam que perdem dinheiro quando… tcharaaammmmm… o melhor vem agora: compras um CD na Fnac e depois vais ripar/copiar para ouvires no teu smartphone ou computador ou qualquer outro dispositivo. (O Pedro Abrunhosa perdeu a oportunidade de teres comprado outro CD para o ouvires no computador). Rendas para compensar as associações quando compras o livro da Alexandra Solnado e o vais fotocopiar para teres uma salvaguarda antes que esta decida também fazer uma “regressão” ao passado. Ou até mesmo quando imprimes a fotografia do Tozé Brito porque fica bem na sala ao lado do quadro do Menino da Lágrima.

Assim, está para breve – se não fizeres nada – mais uma taxa para alimentar/compensar essas associações e autores dessas perdas, sempre que compres:

  • Um telemóvel
  • Uma pen USB
  • Um disco rígido
  • Um computador
  • Um tablet
  • Um leitor de MP3
  • Um cartão de memória
  • CD virgens
  • DVD virgens
  • Fotocopiadoras
  • Impressoras

Comecem a fazer as contas aos selfies que tiram; às fotos do casamento da vossa irmã; às fotos das férias; ao computador que compraram; à impressora para imprimirem os trabalhos da escola; aos cartões de memória para meterem na máquina fotográfica; à pen USB para trocarem ficheiros com os vossos amigos; ao telemóvel que compraram. Por este andar, já somam vários euros – para sustentar uns ordenados a mais uma classe, cheia de classe.

Para terminar, acabo com a citação de Vasco d’Orey e com dois links maravilhásticos e mais aprofundados da Maria João Nogueira e do Marco Santos (Bitaites).

“Viver de rendas: Ora uma compensação implica que tenha havido anteriormente alguma perda a ser a compensada, mas se as obras foram adquiridas legalmente, os seus criadores já foram justamente remunerados pelo seu trabalho” – Vasco d’Orey

Links
15 factos sobre a lei da cópia privada
Lei da cópia privada: não há selfies grátis

Texto de Eduardo Luís
(Publicado a 4 Setembro 2014)