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Férias gozadas, mas o Verão ainda não acabou: há que aproveitar bem os últimos dias quentes nem que seja com escapadinhas de fim-de-semana. Hoje sugiro-vos uma aventura em busca da praia mais bonita de Portugal.

Chama-se Ribeira do Cavalo, fica em Sesimbra e é, sem dúvida, o lugar onde estive mais parecido com o que se diz ser o paraíso. E olhem que da Figueira da Foz para sul devem contar-se pelos dedos de uma mão as praias que ainda não pisei. Mais para norte que isso não vou – não estou para apanhar tempo manhoso e ser engolida por tempestades de areia.

Bom, como tudo o que é raro é difícil de alcançar, para chegar à Ribeira do Cavalo é preciso fazer um trilho pelo meio do mato, que nem toda a gente quer, pode ou consegue fazer. Li algures que “requer alguma capacidade de deslocação e orientação”. Ora, eu posso confirmar ambas as coisas.

A primeira vez que lá fui comecei logo mal a jornada. Sem querer desenhei o meu próprio trilho, de tal forma que até a rastejar andei, entre arbustos e raízes gigantes de árvores. Eu sou daquela malta que gosta de aumentar o grau de dificuldade das coisas. Não, nem por isso!

Claro que nesses momentos recorri bastante ao meu vocabulário mais fino, especialmente para me ofender a mim mesma por me ter metido naquela alhada e, em especial, por ter tido a inteligência de ir de chinelinho de enfiar no dedo e sacola de praia ao ombro.

Malta, aquilo vale mesmo a pena, mas sapatilha nesses pés e mochila com tudo o que precisam para passar um dia na praia sem desidratar. É que, não se esqueçam, estamos a falar de uma praia selvagem – não há cá bares de praia, espreguiçadeiras, bolas de berlim e muito menos salva-vidas.

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Bom, no dia em que me perdi naquele mato terei demorado seguramente uma hora a encontrar o caminho certo, mas este ano, cheia de coragem, voltei lá. Desta vez pelo trilho correcto, que alguém teve a amabilidade de assinalar com uma cruz pintada a verde e lá fui. São entre vinte minutos e meia hora, encarnados na alma de um escuteiro, mas vale mesmo, mesmo a pena.

Prova de que esta praia é mesmo o paraíso na terra é que lá se juntam pobres e ricos desnudados e de pé descalço, com a diferença que os ricos chegam de barco e os pobre se esfalfam mato adentro. Pormenores!

Uma vez lá, nada disso importa. Tudo é literalmente cenário, e que cenário. Praia virgem como já não se encontra, envolvida em vegetação e água cristalina. Quem conhece chama-lhe “as Caraíbas de Portugal”, mas aqui em casa há um agente de viagens que diz que não tem nada a ver, garante, no entanto, que passa à vontade por praia tailandesa. Enfim, aventurem-se e façam as vossas próprias comparações!

O melhor caminho:
Depois do que vos contei, não sei se vão confiar nas minhas indicações, mas cá vai: Chegados a Sesimbra, devem seguir na direcção do Clube Naval, junto ao pontão. Do vosso lado direito, encontram um caminho de terra batida: é sempre a subir até encontrarem uns grandes calhaus, à esquerda, extraídos da pedreira e que indicam o corte que dá acesso ao trilho e a partir do qual já não podem ir de carro. Estacionem, equipem-se e desfrutem.

Mais coisas que podem interessar:
Sesimbra é uma vila muito simpática, vale a pena passear por lá, ir à praia da Califórnia, visitar o Castelo, que tem uma vista maravilhosa, almoçar ou jantar um bom peixe fresco ou uns chocos fritos, num dos muitos restaurantes que por lá encontram e até pernoitar, num bom hotel com vista mar ou, se orçamento for curto, no Parque de Campismo do Forte do Cavalo que é estupidamente barato.

Texto de Paula Lagoa
Fotografias de Rafael Silva
(Publicado a 11 Setembro 2014)