pedro duraoEra uma vez um estudante de Comunicação Social que subiu ao palco para dizer piadas em pé. Alguém se riu, porque hoje ele contribui no programa do Boinas, às 5 para a Meia Noite, a desempenhar o papel de argumentista. E às vezes actor ou figurante. Nesta breve incursão no mundo stand-up, o nativo de Porto de Mós já esgotou duas vezes o Teatro Villaret, com o colectivo 7 Pecados, dando voz à Vaidade. Algo em que tem especial orgulho. Também colaborou na escrita do espectáculo Sensivelmente Idiota, de Diogo Faro. Actualmente integra o Rebanho de Gambas. Há o futuro da comédia e há o Pedro Durão. Sexta-feira, dia 26, podem vê-lo no Famous Humour Fest, se estiverem por Lisboa.

Olá Pedro, tudo bem? Fala-nos de ti.
Olá Preguiça. Está tudo e com vocês? Lá em casa tudo espeta? Banhinho tomado? Óptimo. Então é para falar de mim? Eu sou o Pedro Durão, tenho 22 anos e estou mais gordo. Sou de Porto de Mós e vivi lá até acabar o secundário. Depois vim para Lisboa estudar e por volta de Maio de 2013 (acho eu) comecei a fazer stand-up. Devo dizer que acho que “a vida é para ser vivida”. Adoro socializar e fazer amigos! Sair à noiteeeeee! Seven é vidaaa (entrar antes das 2 da manhã porque tenho pulseira e estou na guest). E trabalho só no Verão e é para o bronze! Desculpem, uma pita invadiu-me isto por um instante, já está na cave outra vez. Na verdade tenho ansiedade crónica e há dias em que não consigo sair à rua porque estou com ataques de pânico.

Como é que foste parar ao 5 para a Meia-Noite?
Excelente pergunta, Preguiça! Foi uma sorte incrível, na verdade. Eu fazia stand-up há muito pouco tempo e fui convidado para actuar num festival de comédia que estava a decorrer no Teatro Villaret, para aí em Julho de 2013. Acho que ia ser a minha sétima actuação. Aquilo era um espectáculo com o Luís Filipe Borges e o António Raminhos e “jovens promessas” da comédia. Não sei bem como, acho que correu bem e o Borges ficou de falar comigo. Passados dois meses, convidou-me para ser guionista do programa dele. Em sua defesa, ele era capaz de já estar sob o efeito de alteradores de humor nessas duas vezes.

Luís Filipe Borges ou José Pedro Vasconcelos?
Ui, agora foste raposa, ó Preguiça. Vou ter de optar pelo Borges. Quando é assim, dou sempre primazia a quem vem do estrangeiro.

Nuno Markl ou Pedro Fernandes?
Outra? Estás a dar comigo em doido, ó Preguiça! Escolho o Markl, porque é o protagonista da melhor comédia que já se fez na RTP1. A performance dele de cha-cha-cha no Dança Comigo.

Nilton ou Nilton?
Sandro G, claro.

“Pedia que a Katy Perry se apaixonasse por mim”

Gostavas de ser famoso?
Bem perguntado, Preguiça! De facto, não gostava de ser famoso. Quer dizer, é uma pergunta difícil. Imagina, ó Pregui (posso chamar-te Pregui?), se ser famoso se traduzisse no facto de conseguir realizar mais projectos do meu agrado, ter mais liberdade criativa, ganhar substancialmente mais dinheiro, aí sim, gostava de ser famoso em detrimento de não o ser. Mas se pudesse fazer aquilo tudo que disse em cima sem ser famoso, preferia não o ser.

Famoso tipo quem?
Ah, tipo o Sandro G.

Imagina que o génio da lâmpada te concede três desejos. No plano profissional, pedes o quê?
Eina, ó Guiça (posso chamar-te Guiça?), tens com cada coisa. Deixa lá ver. Plano profissional? 3 desejos? Primeiro pedia para vender uma série à HBO por 300 milhões de euros. Depois pedia para que a Katy Perry quisesse trabalhar comigo na série e se apaixonasse por mim (mas num plano profissional apenas, claro!!!). E por fim pedia que o Sandro G fosse a personagem principal e se apaixonasse também (mas num plano profissional apenas, claro!!!)

Resolvemos aproveitar esta oportunidade para ensaiar futuras entrevistas de emprego. Assim corre-te melhor quando saíres da faculdade. Concordas?
Concordo, Preguiça. E acho louvável teres trazido a minha mãe só para esta pergunta.

Fomos à internet consultar as perguntas mais estranhas feitas pelas empresas. Preparado?
Bora, Guiça!

Vamos lá. Preferias lutar contra um pato com o tamanho de um cavalo ou contra cem cavalos do tamanho de patos?
Preferia não ter tomado ácidos.

De quantas formas podes retirar uma agulha de um palheiro?
Ainda bem que perguntas, Pregui! Várias. Com um detector de metais. Com uma pinça. Com uma aplicação que já inventaram, de certeza. Com um aspirador de agulhas. Chamo a Sara Norte, que ela sabe muito de agulhas. Abro uma revista de ponto-cruz e espero que a agulha fique excitada (é o porno delas, não julgues, Guiça!). Chamo um animal que coma palha para comer tudo e aguardo até ele pegar na agulha para palitar os dentes. Fácil.

“A haver anões, tem de ser no jardim ou no quintal”

Qual é a tua opinião sobre anões de jardim?
Eles não gostam de ser chamados anões! São meias-pessoas! A minha opinião em relação a isso é muito simples. A haver anões, tem de ser no jardim ou no quintal. Chega de ter anões em casa. Mesmo que digam “Ah, eu tenho o meu anão em casa mas ele está preso”; “Ah, o meu anão faz cócó na caixinha de areia ou só quando eu o levo a passear”. É contra-natura. Os anões. E isso de estarem dentro de casa também. O anão é um bicho que larga muita purpurina. Depois, não podem ver uma aliança que ficam doidos. É no jardim. Anões é no jardim. Quebra logo o gelo. Já imaginaste eu convidar a malta lá para casa para jogar uma peladinha, estamos no jardim, estão feitas as equipas e eu digo: “Oh pessoal! Bolinha baixa que o guarda-redes é anão!”. A malta ia delirar!

O que farias se ganhasses um milhão de euros?
Provavelmente reconstituição anal. Para ganhar assim um milhão de euros de estalo só vejo uma hipótese.

Como explicarias o Facebook à tua avó?
Fácil, Guiça.
Eu – Avó, no Facebook tens o perfil de cada pessoa acompanhado de uma fotografia. As pessoas podem “gostar” de algo mas não podem “não gostar”. Tens de ter muito cuidado com o que dizes porque tens de agradar a amigos que nem conheces.
Avó – É a PIDE?
Eu – Sim, mas com porquinhas em biquíni.

Descreve cinco maneiras de usar um agrafador.
1ª – Em caso de não haver saca-rolhas (esta é para o Renato, ele sabe quem é)
2º – Joelho do Ruben Amorim.
3º – Na boca do Pablo Alborán.
4ª – Baptizado Judaico.
5º – Num projecto que eu tenho há muito tempo, que é o seguinte: Agrafar um monte de velhos em Alfama, enfiá-los dentro de uma casa e fazer uma “Casa de AgraFados”.

“Para cozinhar um frango é preciso ser soberano”

Se fosses um programa do Microsoft Office, qual serias?
Visio, porque não gosto de me sentir usado.

Pepsi ou Coca-Cola?
Qualquer uma, desde que tenha Mentos comigo.

És um entregador de pizzas. Uma tesoura é-te útil para?
Para cortar caminho, ó Guiça!!! (Viste esta?). Ou então para entregar as pizzas mesmo em mão, se eu for o Eduardo-Mãos-de-Tesoura.

Já tiveste alguma doença sexualmente transmissível?
Já. Infelizmente não consegui transmiti-la a ninguém. Humano.

Que habilidades de liderança são necessárias para cozinhar um frango?
É a última, Guicinha? E é boa, ainda por cima! Deixa ver. Para cozinhar um frango é preciso uma panóplia de leadership skills (só para te mostrar que também sei falar estrangeiro). Para cozinhar adequadamente um frango é preciso possuir quatro características principais: sabedoria, força, riqueza e honra. É preciso ser soberano, saber tomar a decisão certa na hora certa e acarretar com as consequências. Em suma, é preciso ser um rei. Repara na quantidade de Reis dos Frangos que andam para aí.

Entrevista de Cláudio Garcia
Fotografia de capa de Sandro Arcanjo
(Publicado a 25 Setembro 2014)