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Prepara-te! O que te propomos é uma experiência para lá de surreal, é uma aventura nunca antes vista no mundo da restauração, ou noutro mundo qualquer. É uma viagem ao universo da gastronomia do riso, essa nova tendência que é tão experimental que só existe aqui. É um restaurante? É. É uma panóplia de pancadões à solta e em harmonia numa sala onde quase tudo pode acontecer? Também é. Fixa este nome porque vais mesmo precisar: Os Ferreiros. Repetimos para termos a certeza de que fixaste: Os Ferreiros. Sabes aquelas listas em que nos dizem os 100 filmes a ver antes de morrer? Pois bem, se curtes farra e petisco do bom, este é o filme que tens de ver o quanto antes. Bem-vindo a um banquete inesquecível  de maluqueira. Hoje, e todos os outros dias, o prato principal é rir até doer.

Este não é um restaurante para pessoas sensíveis ou facilmente impressionáveis. Se és um sisudo convicto, não vale a pena, não te sentes, isto não é para ti, vai-te dar uma coisinha má. Porque há a quinta dimensão, que já é uma cena bastante passada e que impressiona bastante, mas uns quilómetros mais à frente fica esta falha na normalidade espacio-temporal – Os Ferreiros -, onde se servem preciosidades deste calibre. Não parece, mas é verídico. Eu vi. Agarrem-se!

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Motosseras a rosnar à mesa, motorizadas a atravessarem a sala de jantar, cabras mesmo cabras a passear ao lado das cabras normais num espaço destes, omeletes de rebuçado, ovos estrelados com bolacha Maria… e em noites especiais para meninas especiais há salada de tomates caseiros a acompanhar o grão com o rabo mal lavado do boi. Pão de alho vindo de uma receita muito antiga e muito secreta. Os guardanapos são rasgados em pedaços porque a crise assim o obriga.

Há gelo a voar, há sacos para vomitar, há minis com twix, minis com laranja e palhinha, pedes uma cola e levas com um tubo de cola, a taxa média de alcoolemia é de 3,25, os donos são doidos e o funcionário é o primo que o Raminhos não sabe que tem. Comes dentro de um burburinho de arraial cruzado com um remix de Ibiza. Interrompido por vezes por cânticos em modo claque. “Cê-Gê-Tê-Pê, u-ni-da-de sin-di-cal…” Temos de ser sinceros: muito esporadicamente, não é garantido, mas pode eventualmente suceder, ouvires umas caralhadas ou veres alguém a brandir um pirete. Também é normal olhares para trás e estar um chefe a dançar em cima de uma mesa ou estar tudo enrolado em papel higiénico. Clientes que bebem oito de branco antes de jantar e clientes que nem sequer tiram o capacete também há. E às vezes são a mesma pessoa.

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A orquestrar todo este pandemónio estão os inigualáveis, os verdadeiros, os únicos, que por acaso são dois e irmãos, Leandro e Diogo Gomes. Uma dupla tipo rastilho e isqueiro, ou gasolina e fósforo, que ou se curte para caraças ou se curte para caraças. Estes verdadeiros senhores da coboiada assumiram as rédeas do estabelecimento há cinco anos. O pai, que pelos vistos tem o mesmo tipo de pancada, entregou Os Ferreiros à bicharada. E do pouco que percebo parece-me bem entregue. Eles são a alma de um restaurante que é uma experiência a não perder.

O mais espectacular disto tudo é que, para além do show de variedades, – que, sabemos de fonte segura, é costumeiro -, aqui come-se bem e muito, bebe-se de mais, é barato e a diversão é garantida. Nós comemos petiscos, salada de polvo, morcela e farinheira com maçã, orelha espacial e outras coisas que a memória não conseguiu guardar. É de aparecem, dá para todos, quer para o pessoal que trabalha a sério quer para advogados ou jornalistas. Digam que vão da Preguiça e aguentem-se.

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Os Ferreiros, também dominam A Forja, que fica mesmo ao lado. Mas aí, segundo dizem, é de lacinho e calça vincada, não é de chinelo ou de pantufas. É com outro tipo de classe. Para lá chegarem é meterem-se na estrada para as Cortes, passam a Reixida, sempre na estrada principal e quando virem um complexo gastronómico do lado esquerdo, param o carro e seja o que Deus quiser. Estão abertos de manhã à noite e fecham à terça. Como disse um senhor ao balcão: “vocês tenhem cuidado com esta malta”.

  • Os Ferreiros
    Café Restaurante
    Estrada Nacional 356/2 – Amoreira
    Cortes, Leiria
    Tel: 244 891 675
    Horário: Quarta a segunda das 8h30 às 0h30. Encerra à terça.
    Ferreiros no Facebook

Texto e fotografias de Ricardo Graça
(Publicado a 16 Outubro 2014)