Macroexótica_3

Já vos aconteceu começar a sentir repulsa por determinado tipo de alimentos? A mim, infelizmente não, mas esta semana conversei com uma pessoa que quase me levou lá.

Tenho amigos que, sem razão aparente, começaram a engelhar o nariz a coisas que comeram toda a vida, como por exemplo a carne de porco ou o leite, e parece que é coisa normal de acontecer. Não se assustem: à partida, isto é o vosso organismo a querer conversa, mas isso é lá entre vocês e ninguém tem nada a ver com isso.

Agora preparem-se, porque das duas uma: ou é ele a dizer-vos ‘Pára de me intoxicar com porcarias’, ou é a vossa consciência que começa a ficar mais desperta e mais sensível a tudo o que acontece aos animais desde que nascem até ao momento em que vos vão parar ao prato. E depois de entrarem nesse dilema, meus amigos, não há volta a dar. Vão mesmo ter de ceder e começar a portar-se melhor à mesa.

Se por outro lado, são dos que trituram tudo o que vos põem no prato, sem dó nem piedade, remorso ou arrependimento – confesso que faço parte desta equipa – aproveitem enquanto cá andam, que a vida são dois dias, sendo que a vossa/nossa corre sérios riscos de ser mais curta. Mas isso são pormenores, certo?

A pessoa com quem falei esta semana, Marta Horta Varatojo, é macrobiótica desde que nasceu. E como é que isto é possível? O pai, Francisco Varatojo, é um dos maiores especialistas na matéria em Portugal, e a mãe, Geninha Horta Varatojo, professora de culinária macrobiótica.

Isto faz com que a Marta seja uma das, certamente muito poucas, pessoas que nunca comeu um bife, muito menos um hambúrguer, embora já tenha tido uma experiência engraçada com um Mcfish, que podem ler aqui. A mim parece-me inconcebível; para ela é a coisa mais natural do mundo.

E enquanto conversávamos, eu pensava: ‘Meu Deus, não conhece o sabor de um belo bife de vaca, uma morcelinha de arroz, leitão…’ Ao passo que na cabeça dela deviam passar coisas do género: ‘Esta miúda é uma alarve! Com tantos erros alimentares cometidos aquele organismo deve estar prestes a fazer uma petição para o libertarem.’

Mas, atenção, a Marta segue tanto a dieta macrobiótica como a ideologia que esta representa. Pode parecer cliché, mas tem de ser dito, porque é mesmo importante: a macrobiótica, à semelhança de outros regimes alimentares alternativos ao chamado convencional, é acima de tudo um estilo de vida que tem como objectivo ajudar-nos a desenvolver o nosso potencial interno, e um estilo de vida que diz que devemos respeitar as escolhas de cada um.

E por falar em escolhas, a Marta explica que a macrobiótica não é mais do que isso mesmo, “porque as nossas vidas são, em grande parte, um reflexo das nossas escolhas e prioridades. Na base, ela dá-nos orientação para fazermos escolhas mais conscientes, sendo que a alimentação tem um peso importantíssimo pois é a nossa base biológica”.

A famosa frase de Hipócrates “somos aquilo que comemos” é literal, “o que comemos transforma-se no nosso sangue, que vai banhar todas as nossas células, órgãos do corpo e sistema nervoso, responsável pela forma como percepcionamos e interagimos com o meio à nossa volta”, explica.

Mais do que o paladar, ou as sensações que a comida nos proporciona, a macrobiótica diz que os alimentos estão carregados de diferentes energias. Há alimentos que nos deixam mais activos, outros que nos deixam mais relaxados. Desta forma podemos escolher os alimentos que melhor se adequam ao nosso estilo de vida e tornarmo-nos seres humanos mais saudáveis e felizes. Quem não quer?

Bom, mas não se pretende que fiquem a saber tudo com este artigo. Aliás, era impossível. A ideia era despertar o vosso interesse e dizer-vos que se procuram orientação alimentar, a macrobiótica pode ajudar – e nós até temos a sorte de ter, em Leiria, estes grandes malucos da família Varatojo, que são dos melhores especialistas na matéria no país e arredores.

A Marta tem uma loja de produtos naturais, a MacroExotic, e que é simultaneamente a delegação do Instituto Macrobiótico de Portugal, em Leiria, ali a 5 minutos da Praça Rodigues Lobo, no Largo Marechal Gomes da Costa. Tornou-se cozinheira, como a mãe, e dá todos os meses cursos de iniciação à culinária macrobiótica. O próximo começa já na terça-feira, dia 4 de Novembro, e eu vou lá estar, que ela conseguiu deixar-me curiosa com esta conversa (info e inscrições aqui).  Podem ainda conhecer um bocadinho do trabalho dela em macroexotic.com ou contactá-la pelo facebook.

Apareçam e vamos fazer tofu à brás!

Texto de Paula Lagoa
Fotografias de Ricardo Graça
(Publicado a 30 Outubro 2014)