PREGUICA_ANDRE

Entramos e sentamo-nos. Pedimos uma bebida e, ao som de um rock’n’roll, começamos a conversar, sobre cinema, claro está. Sentei-me com o André Pereira, mas desta vez ele não me escreveu nenhuma carta. Começou a escrever uma carta, mas foi para uma fresca de Hollywood, carta essa que mete muitas frescas de Hollywood ao barulho. Recordámos a nossa infância: os filmes maquinais com o Stallone e o Schwarzenegger, carros que são máquinas do tempo, jovens que se transformam em lobos e, claro, os filmes da Disney dobrados em brasileiro. Concordámos que há um filme em que toda a gente verteu uma lágrima e que quem diz que não, está a mentir com quantos dentes tem na boc. E ainda me ri alto e a bom som com o porquê da escolha da personagem com quem ele ia à bica… Mas, vá, leiam com os vossos próprios olhos.

1. Qual foi o último filme que viste? Que dizes?
Acho que foi o Alien – O Oitavo Passageiro. Que coisa mais degradante. E não me venham com a léria de que, naquela altura, as condições técnicas eram diferentes das que temos hoje e pardais ao ninho. O que mais me incomoda é mesmo o guião, as personagens e a interpretação. Nada daquilo faz sentido.

2. O teu top 3 filmes.
É sempre tramado fazer estes tops, mas cá vai: A Vida é Bela, do Roberto Benigni: um filme brilhante com base num dos momentos mais impressionantes da nossa História, uma comédia para chorar; Balas Sobre a Broadway, do Woody Allen: guião imaculado sobre a incrível e triste vida de argumentista; O Pátio das Cantigas, do nosso Ribeirinho: uma pérola do cinema português, feita sem asneiredo nem mamas da Soraia Chaves, com inteligência e actores a sério (e atenção que eu sou um grande fã das mamas da Soraia Chaves).

3. O teu top 3 realizadores.
Quentin Tarantino, Stanley Kubrick e Tim Burton. Três tipos completamente loucos, como mandam as regras do brilhantismo.

4. Um actor e/ou actriz preferido(a)?
O Anthony Hopkins. Ele é daqueles que, só com o olhar, representa todas as peças do Shakespeare. Sacana!

5. Um clássico do cinema que andes sempre a adiar?
O Braveheart. Ainda não o vi, talvez pela imensa simpatia que nutro pelo sóbrio e ponderado católico Mel Gibson.

6. O que te leva a ver um filme? O realizador? A premissa? O elenco? Tudo isto junto? Ou nada disto?
Depende, claro. Se a premissa for brilhante, mas contar com o Adam Sandler no elenco, esquece. Não vou nem que me paguem um rodízio de Angelinas Jolies. Se tiver o Anthony Hopkins ou o Jack Nicholson, a premissa até pode ter sido cozinhada pela malta dos Batanetes, que eu vou ver.

7. Que filme viste tantas vezes, ao ponto de saberes as falas de cor?
Sem dúvida nenhuma, o Indiana Jones e o Templo Perdido. Quando tinha oito ou nove anos, e chegava a casa, da escola primária, via sempre o filme. Durante um ou dois anos. Todos os dias. Para além desta minha obsessão, ainda obrigava o meu irmão e os meus pais a verem o filme comigo. Se, por qualquer motivo, eles desviassem o olhar, eu punha a cassete (lembram-se disso?) no PAUSE e chateava-me com eles. Voltava atrás e obrigava-os a ver tudo. Fortune and glory, kid. Fortune and glory!

8. Qual o filme da tua infância?
O Indiana Jones e o Templo Perdido, bem como todos os outros Indiana Jones. E muitos outros que eu devorei nessa altura, como os vários Rambo Regressos ao Futuro, o Lobijovem, o Comando e todos os filmes animados da Disney (dobrados em português do Brasil, claro).

9. Um momento cinematográfico do qual te lembres recorrentemente?
Nenhum em particular, mas sempre que uso o micro-ondas (que é praticamente todos os dias), sinto-me um James Bond a desactivar uma bomba antes de a contagem chegar ao zero.

10. Choras a ver cinema? Um momento de ir às lágrimas?
Um homem não chora! Mas que pergunta vem a ser essa?! Chorei quando o Mufasa morreu, claro. Toda a gente chorou nesta cena do Rei Leão.

11. Se fosses uma personagem de cinema, qual serias e porquê?
Acho que seria o Professor Henry Jones, interpretado pelo Sean Connery, no Indiana Jones e a Grande Cruzada. Ele é o pai do Indy e é um tipo teimoso, rabugento, distraído, adverso a aventuras e apaixonado por História.

12. Com que personagem do mundo do cinema gostavas de ter uma conversa de café?
Com a Sally, interpretada pela Meg Ryan no filme When Harry Met Sally. Por cada café que bebêssemos, ela simulava um orgasmo. Íamos a vários sítios e bebíamos vários cafés. Eu receberia ovações e telefonemas. Quando chegássemos a casa, não conseguiríamos dormir por causa dos cafés que tínhamos bebido. Ficaríamos a noite toda acordados. A simular.

13. Que banda sonora cinematográfica poderia ser a banda sonora da tua vida?
Qualquer uma feita pelo Ennio Morricone. Foi ele que compôs todas as melhores músicas de todos os melhores filmes do mundo, não foi?

14. Quem, do mundo do cinema, gostarias de ter sentado do outro lado da mesa para lhe escreveres uma carta? Agora imagina que essa pessoa está aqui, sentada à tua frente. O que lhe diriam as 2 primeiras linhas dessa carta?
A Mila Kunis, por exemplo. A carta seria qualquer coisa como isto:
“Mila, não chores. A Scarlett Johansson é que me desencaminhou. Ela e a Penélope Cruz, a Jennifer Lawrence, a Angelina Jolie, a Emilia Clarke, a Monica Bellucci e a Charlize Theron. Mas não significou nada. Eu gosto é de ti!”

Entrevista de Catarina Mamede
Ilustração de Rui Cardoso
(Publicado a 4 Dezembro 2014)