Bruno Cantanhede apaixonou-se pela fotografia analógica há mais ou menos cinco anos, numa altura em que a vida lhe pedia para ter calma e ser mais paciente. Ora, nada melhor do que tirar fotografias que não podem ser vistas na hora e com a agravante de, por não pescar nada do assunto, não saber, de todo, o que essas películas escondiam, até ao momento de serem reveladas.

Foi terapia para a mente que se instalou no corpo. Hoje não sai de casa sem uma das suas velhinhas Canon, da colecção que já conta com umas 50 máquinas (a maioria modelos dos anos 70) e, pelo caminho, feito de muitos testes, anotações e revelações, começou a fazer sucesso na web com fotos de miúdas giras, isto há cerca de um ano.

Agora a pergunta que se impõe: Mas ó Bruno, como é que tu arranjas tantas beldades dispostas a posar para ti? Sim, eu fiz-lhe esta pergunta a pedido de alguns fotógrafos, entusiastas e curiosos cheios de dor de cotovelo. Não é, Ricardo Graça, Rafael Silva e companhia? Pois bem, o Bruno responde o seguinte: “Ao início não foi fácil. Os meus primeiros trabalhos foram feitos com amigas e depois com amigas dessas amigas, até ter um portefólio para poder mostrar.”

Entretanto já fotografou tantas raparigas que começou a atrair a atenção de algumas agências e revistas como a Sticks and Stones Agency, Latch Magazine, C-Heads Magazine ou a Against All Odds, onde já publicou imagens e já fez trabalhos exclusivos.

É sobretudo no Instagram, com o nome de kid Richards, que faz sucesso. Nesta rede social de fotografias em formato quadrado tem mais de 10 mil seguidores espalhados pelo mundo – com alguma incidência na Austrália e Estados Unidos -, onde cada foto publicada tem sempre entre os 300 e os 800 likes.

“Esforço-me por publicar uma imagem todos os dias e às horas a que sei qua há mais gente online nos sítios onde sou mais seguido”. Como vêem, nada no trabalho deste fotógrafo encantado pela beleza feminina é ao acaso, sobretudo a escolha das fotos, que diz fazer “com todo o cuidado possível para que a pessoa fotografada goste e se reveja na imagem publicada”. “Às vezes a linha que separa uma foto bonita e artística da vulgaridade não é muito ténue, por isso tenho sempre esse compromisso de avaliar bem o que publico”.

“Sem filtros e sem photoshop”, Kid admite que no que toca a imagens a preto e branco o processo está controlado. Já sobre as fotografias a cores diz que não domina todas as variáveis, até porque gosta de fazer algumas avarias, como usar rolos fora de validade ou abrir a máquina para deixar queimar a película.

E é assim de experiências que vive esta alma de artista que vagueia entre a estética dos anos 60 e 70 e a actualidade das novas tecnologias, na fotografia e na música (guitarrista dos Born a Lion) sempre com a mira apontada para aquele objectivo: “fazer coisas que gosto, sentir-me bem a fazê-las e esperar, sem pressa, que alguém goste tanto quanto eu”.

Texto de Paula Lagoa
Fotografias de Ricardo Graça e Bruno Cantanhede (galeria)
(Publicado a 12 Março 2015)