Assador, casa de petiscos, marisqueira, taberna, ou em duas palavras: cozinha cosmopolita. É a definição que se aproxima mais da realidade quando falamos do Puttanesca, um restaurante leiriense que, há dez anos, sob os comandos de Nuno Santos dá cartas no que toca a provocar sensações de verdadeiro prazer à mesa.

Puttanesca é um tipo de molho italiano que traduzido à letra significa “prostituta” e que combina sabores intensos e picantes, que excitam os cinco sentidos. Portanto, a escolha do nome não foi por acaso. Nuno Santos, o chef, assume-se como provocador, arrojado e imaginativo. “Não veio ao mundo para agradar ninguém”, faz o que gosta e para quem gosta. Exemplo disso é o restaurante que gere, feito à sua imagem.

Para os amantes de um belo naco de carne, nada como experimentar o chuleton basco ou galego ou o entrecôte japonês. E porquê, perguntam? Porque o Puttanesca é um dos poucos locais em Portugal onde se pode comer carne maturada, o que, trocado por miúdos, significa que através de um processo de conservação ela se torna mais suculenta, macia e intensa.

Para quem já está com água na boca, a Preguiça avisa que a partir de agora a coisa só melhora. A ementa é de ler e chorar por mais. Presunto de pato fumado, setas a la plancha, polvo à galega, escalopes de foie gras com maçã caramelizada, bacalhau assado com xerem (papas de milho), txurrasco de vaca.

Sentada na mesa dos amigos, como simpaticamente Nuno gosta de lhe chamar, a Preguiça é tratada com tudo do bom e do melhor. Petisca-se – à mão – uma cecina de vaca (presunto de vaca fumado), um chèvre (queijo de cabra curado) regado com azeite Romeu “Puro como Deus o deu”, e pedaços de figo em calda. Até poderia ser uma entrada banal, não fosse o chef tão criterioso com os produtos que apresenta. O queijo francês afinal é produzido em Portugal, na Azambuja, o azeite, biológico, é de Trás-os-Montes e os figos “pingo de mel” são de Torres Novas. Escolhidos a dedo por quem gosta de servir o melhor. Para acompanhar as iguarias, vinho branco mineral da Quinta dos Termos, Beira Interior. De uma carta de vinhos vanguardista, a Preguiça não teria escolhido melhor.

Podia acabar por aqui, que o estômago já ia bastante aconchegadinho, mas o bicho anda de mãos dadas com a Gula. Na mesa bacalhau fresco grelhado, acompanhado com legumes assados em forno de lenha, um “utensílio” de cozinha bastante usado pelo chef, que deseja “explorar tudo o que o forno tem para dar” e é por isso que semanalmente coze ali o pão que é servido no restaurante. Agora, Nuno chama o “António”, mas aqui a música é outra. Tem uma história e vem numa garrafa com um rótulo por assim dizer diferente. É o vinho branco que faz companhia ao prato principal.

E porque não há entrada e prato principal sem sobremesa, a Preguiça ainda guardou espaço para um docinho (ou dois). Provou o Eclipse, a última criação do chef, e o Bulli. Até podia revelar do que se trata, mas nada melhor do que experimentar, com a garantia que vai querer voltar, nem que seja para dois dedos de conversa com o chef. Para terminar – duas horas e alguns quilos depois – café e um sherry wine.

Tudo isto ao som de música popular brasileira e a melhor companhia à mesa: os amigos.

Puttanesca
Rua da Escola, n.º463
Marinheiros, Leiria
Tel: 244 856 180
Horário: Segunda a sábado, 12h30 – 00h00

Texto de Joana Areia
Fotografias de Ricardo Graça
(Publicado a 12 Março 2015)