É terça-feira, são 18h45, não sei o que hei-de fazer para o jantar, também não estou com muita vontade para cozinhar… e penso: é semana da Roça com a Lolita. Vou ao frigorífico: praticamente vazio. Só restos e coisas encetadas. Não me apetece nada daquilo, nem sei o que fazer com o que tenho.

Penso novamente que não me ocorre nenhuma ideia para a Roça. Fecho o frigorífico, volto abri-lo, na esperança de encontrar aquilo que não vi na primeira vez! Tudo igual, um saco aberto com meia dúzia de folhas de espinafres baby, uma lata de tomate em calda já aberto, uma lata de feijão vermelho já cozido a ver-se o fundo, uma embalagem de tiras de bacon fumado com a validade a acabar, coentros com folhas muchas por estarem no frigorífico e mais umas coisas que já não deu para aproveitar.

Ainda sem saber bem o que fazer para o jantar, começo por saltear a única cebola que tinha – e não era uma cebola qualquer, era roxa -, dois dentes de alho, deixo alourar no azeite, junto uma folha de louro e umas pedritas de sal. A seguir juntei o tomate em calda e faço uma espécie de guisado.

Tempero com orégãos, junto o bacon e deixo apurar uns 10 minutos em lume médio/baixo. Junto os espinafres, deixo cozer mais uns minutos. Provo, está saboroso, continuo sem saber bem o que estou a fazer, mas não faz mal. Vou mexendo e acrescento o feijão vermelho, adiciono um pouco de água, volto a temperar com umas especiarias “red curry” para lhe dar um toque mais exótico e picante.

Começo a gostar do que está a sair: o molho está cada vez mais saboroso. Por fim, acrescento as folhas de coentros murchas, mais uma mexidela e, orgulhosa, fica pronto o meu jantar.

São 19h30, ponho a mesa, janto e delicio-me com uma refeição de improviso. Então penso: já sei o que vou fazer para a Roça esta semana. Acompanhei o guisado com esparguete, para ser mais rápido, mas se fosse com um arrozinho basmati ficaria melhor.

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Texto e fotografia de Katy Deodato
(Publicado a 19 Março 2015)