cartaz preguiça sede

A coisa começa num café. Depois, perante os olhares indiscretos de quem olha e se interroga ‘o que é que estes caramelos andam a tramar?’, passa a reunir-se na sala de alguém. A seguir, sai do armário para o mundo, sob a forma de magazine digital. Finalmente, 859 dias depois, a vadia da Preguiça mete-se no covil, e vai parar mais em casa.

Dito sem rodeios e sem cerimónias, era isto que se queria desde o primeiro dia, e por causa disso, vai haver festarola no próximo sábado, dia 9, a partir das 18h.

Um orçamento participativo falhado, a ver passar para a exportação mundos e fundos comunitários, indecisões, avanços e recuos, projectos de projectos, castelos no ar, e muitas outras frustrações depois, eis a sede da Preguiça Associação Criativa.

Porque a Preguiça sempre quis ser muito mais do que um mero magazine, embora seja esse o seu produto premium, o que, em linguagem de marketeer, não se traduz numa vaca leiteira, mas é sem dúvida a sua maior montra. Como quem diz que ‘é disto que somos feitos, mas somos malta para isto e para muito mais’.

Ao ser uma ‘Associação Criativa’, para além de ser um local de trabalho dos seus membros, não é um bar, mas bebe-se várias artes; não é uma casa de espectáculos, mas pretende ser um espectáculo de casa; tem o estatuto de espaço privado, e mais do que estar aberta ao público, quer estar aberta para o público.

Como em muitas outras estórias, isto nem sempre foi fácil: por vezes houve desânimo, mas também sempre houve resiliência, e esta malta está em querer que cada um com o seu feitio, o facto de ser tudo teimoso que nem uma mula, levou a isto. E até o mau feitio, que por vezes paira nestes ares… com a breca… conduziu-nos aqui.

A sede vai estar a dois passos, literalmente ao virar da esquina, da livraria Arquivo, a quem a Preguiça, publicamente, aqui deixa o seu agradecimento pelo espaço. Daqui para a frente, os desafios serão outros, ainda maiores, e a coisa só tende a piorar.

Não interessa. Batam à porta, que por agora, esta vadia vai parar mais em casa.

Texto de Pedro Miguel
Fotografias de Ricardo Graça
(Publicado a 7 Maio 2015)