Hugo Pereira

Descobriu a lomografia em 2005. Hoje em dia, até era menino para viver sem ela, mas não era a mesma coisa. A máquina anda sempre no porta-luvas do carro, pois nunca se sabe quando surge o momento para lomografar. E Hugo Pereira encontra muitos. Prova disso são as cerca de 10 mil fotos que fazem parte do seu arquivo. E é para aumentar.

Dizem que o primeiro amor nunca se esquece. Hugo nunca vai esquecer as primeiras fotos que tirou com uma máquina lomográfica, comprada em 2006, num Stock Market, em Leiria. Um rolo para deixar naquela gaveta, da qual se perde a chave “sem querer” e onde se juntam mais uns poucos. Mas os primeiros maus resultados foram um incentivo para o fotógrafo, natural da Marinha Grande. “Graças a eles, aprendi coisas novas, ou formas de evitar que voltasse a acontecer. Mas, de vez em quando, lá calha”.

Máquinas, rolos, fotografias. Mas afinal o que é lomografar? “É um acto de liberdade dentro da fotografia, o facto de não nos prendermos a regras ou a ideias preconcebidas permite-nos diferentes abordagens, incentiva à experimentação de novas técnicas e novas formas de fotografar”, não fosse uma das regras desta técnica fotográfica, “não penses, lomografa”. Há quem veja isto com maus olhos, mas no caso de Hugo, ajudou-o a “encontrar e a desenvolver aquilo que realmente gosto de fazer dentro da fotografia analógica. Hoje em dia adapto aquilo que aprendo na Lomografia à fotografia tradicional”.

Então qual é a diferença entre fotografia analógica e lomografia, perguntam vocês? E o Hugo responde: “a grande diferença passa mesmo pela experimentação. Depende muito de como cada um vê aquilo que faz ou que quer fazer, porque, de resto, é a mesma coisa: uma máquina carregada com filme, tudo o resto é bastante discutível. Existem máquinas dedicadas à lomografia, mas nada impede que se usem as mesmas técnicas quer na fotografia analógica quer na lomografia, que é basicamente uma marca”. No que toca à fotografia digital, a diferença é a falta de filme dentro da máquina; de resto, tudo se consegue.

Mas não pensem os leitores que lomografar é agarrar numa máquina e começar a disparar para todos os lados. É requisito perceber de bricolage, até porque às vezes é necessário “adaptar rolos de 35mm a máquinas de médio formato, ou fazer inversões de filme ou até mesmo em splitzers caseiros feitos com fita isoladora. Vale tudo!”
Passemos da teoria à prática. Através de técnicas como a dupla ou múltipla exposição – que consiste na captação de duas ou mais imagens sobrepostas no mesmo fotograma –, Hugo consegue conjugar vários elementos na mesma fotografia. “Por norma, conjugo as pessoas com a natureza, de forma a chamar a atenção sobre o nosso relacionamento com o meio ambiente. De resto, utilizo outras técnicas tais como a inversão de filme ou redscale, processo-cruzado, splitzer, fotografia infra-vermelho, desde que uma vá ao encontro daquilo que quero fazer, experimento”.

Com cerca de 10 mil fotografias, o lomógrafo já participou em várias exposições individuais e colectivas, algumas delas organizadas pela Eco – Associação Cultural de Leiria, tais como a Lomolife (Livraria Arquivo), Analogue Party People (Praça Caffé / Tuá-Tuá), Analogika (M|i|mo – Museu da Imagem em Movimento/ Espaço+Jovem), Cinantrop – Outras Gentes da Praia da Vieira (M|i|mo – Museu da Imagem em Movimento, Photographia (M|i|mo) e (Alma Lux Photographia). Individualmente expôs na Embaixada Lomográfica do Porto, no Moustache Coffee House, na Estação de Santa Apolónia com o projecto Analog que, posteriormente, passou para o Comboio de Lata. No próximo dia 23 de Maio inaugura o projecto “Simbiose”, no centro da Marinha Grande.

Os interessados em fotografia, lomografia ou que simplesmente apreciam coisas bonitas podem encontrar os trabalhos do Hugo na Lomographic Society International: http://www.lomography.com/homes/zulupt ou aqui. “Podia ter o meu site próprio mas, como podem ver, sofro de Preguiça”.

Texto de Joana Areia
Fotografias de Ricardo Graça e Hugo Pereira
(Publicado a 14 Maio 2015)