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Catarina Lopes Vicente, trabalhos de 2014

Já lhe chamam a rua mais cool de Leiria. No próximo sábado, 30 de Maio, é lá que inaugura a exposição “O que vem primeiro que tudo”, de Catarina Lopes Vicente. Na sede do colectivo a9)))). Duas portas ao lado, o Covil da Preguiça também tem novidades: Idalécio Francisco e Sandrine Cordeiro mostram pela primeira vez “Erotomania”, conjunto de fotografias e textos ao jeito cadavre exquis. E ainda há concerto de Nuno Rancho, vejam bem.

Catarina Lopes Vicente, 24 anos, vive e trabalha em Caldas da Rainha. Encontra-se no segundo ano do Mestrado em Artes Plásticas da ESAD.CR e apresenta na sede do coletivo a9)))) a segunda exposição individual. Participou em várias exposições colectivas, estando representada em colecções da Fundação Serralves e da Fundação Calouste Gulbenkian (cargocollective.com/catarinalopesvicente).

Na escola secundária trocou o ramo de ciências por algo completamente diferente: desenhos, vídeos e livros de artista. É através deles que procura perceber “O que vem primeiro que tudo”. Tem trabalhado a relação entre corpo, pensamento, visão e realidade com um “método constante de tentativa e erro” que procura libertar “a experimentação e a intuição”.

Tudo isto fica agora disponível em Leiria, durante três semanas. “Um esforço no sentido de compreender a natureza do modo como produzo as imagens e o processo que as tende a afastar do lugar para onde elas se pareciam dirigir”, explica.

“A ideia de gesto e inscrição para mim são importantes. Aí ocorrem sensações, temporalidades, limites, fronteiras e vestígios. Pode dizer-se que o trabalho incide sobre um pensamento que é afinado através da experiência”, conta à Preguiça Magazine. “Neste processo a finalização das imagens fica como que fora do campo visual, numa zona periférica à qual não se pode aceder senão através dos sinais que as imagens concretas nos devolvem”.

Para Catarina Lopes Vicente, o desenho tornou-se um meio fundamental. “É através do desenho que encontro a possibilidade de me colocar no lugar efectivo da construção do meu olhar, que passa a ser mais consciente sobre as coisas”.

Entretanto, no Covil…

erotomania
Está muito na moda o termo spoilers e vamos usá-lo aqui para vos sugerir que não procurem na internet o significado de “Erotomania”. Passem primeiro pelo Covil da Preguiça para conhecer a exposição de Idalécio Francisco (fotografias) e Sandrine Cordeiro (textos), baseada no jogo que os surrealistas inventaram em Paris – o cadáver esquisito.

Diz-se que a conversa entre Tanguy, Prévert, Breton e Duchamp estava desgastante e enfadonha. Para se distraírem, começaram a escrever numa folha de papel, que passavam ao vizinho deixando apenas uma palavra visível.

“No nosso caso”, explica Sandrine Cordeiro, “o ponto de partida foi uma fotografia proposta pelo Idalécio Francisco, à qual respondi com um pequeno texto. Esse texto deu impulso à fotografia seguinte e a partir daí foi-se criando uma narrativa com texto e imagem, sem sabermos antecipadamente qual seria o caminho a seguir, nem o destino. O título do projecto, “Erotomania”, surgiu, como convém, no fim e, segundo os entendidos, faz todo o sentido”.

O Idalécio Francisco (1980) trabalha como designer há vários anos, mas tem vindo a aprofundar a relação com a fotografia. Também se dedicou à pintura, com exposições entre Leiria e Marinha Grande, e à música, nas bandas Figas Diabo, Skull e Foam.

A Sandrine Cordeiro também tem uma banda rock. Ou pelo menos diz que tem, com o Idalécio e a Edite Costa. E pergunta: “por que raio é que o Idalécio não a refere na sua breve biografia (será por vergonha?)”. Estudou Artes Plásticas e Teatro na ESAD.CR e no ano de 2014 expôs no Banco de Portugal para assinalar 20 anos de pintura. Agora apetece-lhe escrever.

Entretanto, para ajudar a celebrar a boa vizinhança e as tardes luminosas com preguiça, o Nuno Rancho vai tocar para nós no Covil. Tem editado em nome próprio e com A Few Fingers, também o conhecem dos Bússola, mas desta vez é a solo. Para ouvirmos melhor aquelas malhas à Jeff Buckley.

  • O que vem primeiro que tudo
    Exposição de Catarina Lopes Vicente
    Inaugura sábado, 30 de Maio, pelas 17h30
    Sede do colectivo a9))))
    Rua Comandante João Belo, 29 – Leiria
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  • Erotomania
    Exposição de Idalécio Francisco (fotografia) e Sandrine Cordeiro (texto)
    Inaugura sábado, 30 de Maio, pelas 18h00, com concerto de Nuno Rancho
    Covil da Preguiça
    Rua Comandante João Belo, 31A – Leiria
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Texto de Cláudio Garcia
(Publicado a 28 Maio 2015)