My Own 2

Um país tão rico em contrastes que pode ser enviado às fatias e dentro de uma caixa. Cada um escolhe a sua. Este mês, o My Own Portugal dá a conhecer a Mata Nacional de Leiria.

Para nós, claro, sempre esteve aqui, entre a cidade e o mar. Mais de 700 anos de exploração sustentável da madeira, um exemplo internacional, a floresta mágica que alguns sonham Património da Humanidade. Dois leirienses captaram a essência do Pinhal do Rei e vão divulgar a nossa jóia na Europa, no interior de uma box com várias surpresas que pode ser encomendada através da internet.

Sandrina Antunes e Carlos Jerónimo, é deles que se fala, conheceram-se no clube de Kendo de Leiria, a versão japonesa dos pauliteiros de Miranda, mas com espadas. E foi um japonês que os levou a criar o projecto My Own Portugal. Contratado para ensinar os segredos da porrada de meia-noite, o homem não conhecia nada sobre viriatos e o guia que trazia na bagagem era do tempo em que os livros só tinham letras. Não foi preciso muito para Sandrina e Carlos se aperceberem da oportunidade – entre passeios à beira-mar e conversas no café, nasceu a ideia de promover os tesouros nacionais aquém e além-fronteiras.

Já lhes têm perguntado o que faz gente do marketing e da economia no sector do turismo, mas a resposta não podia ser mais simples: “Somos portugueses, adoramos Portugal e o nosso património.” Todos os meses saem para o terreno, investem em pesquisa e contam com a colaboração de especialistas – o que é outra maneira de dizer que sabem do que falam. Querem “dar a conhecer Portugal a quem pensa visitar o país e também aos que já vieram e conhecem o gostinho português”. Por enquanto, os clientes são quase todos portugueses, uns a residir em França e Inglaterra, outros que ficaram por cá, ignorando os apelos do primeiro-ministro. Mas os turistas estrangeiros constituem um público natural do projecto, que pretende revelar caminhos fora de Lisboa e Porto e os segredos mais bem guardados da Lusitânia.

Os subscritores da My Own Portugal compram caixas temáticas – uma por mês, no valor de 20 euros – que chegam através do correio, com surpresas. Isto é, conhecem o tema, mas não o conteúdo. Podem ser flores comestíveis, a exemplo da edição Portugal em Flor. Carlos e Sandrina também já andaram pelas adegas, comeram quentes e boas, seleccionaram presépios, pularam entre a poesia e a prosa, recordaram a paixão de Pedro e Inês e desvendaram a Rota do Românico, no Vale do Sousa.

Dia 15 de Junho, a empresa vai libertar a box dedicada ao Pinhal do Rei, um lugar cheio de histórias tão bem retratado neste trabalho especial do Região de Leiria. Não se pode revelar tudo, mas em primeira mão a Preguiça avança que há doces regionais, geleias e bolachas de amendoim, um roteiro com pontos de interesse, textos e imagens, um postal com ilustração de Jorge Morgado e um bilhete para o Mercado Medieval de Leiria. Está tudo explicado no site myownportugal.com.

Nos vários elementos que compõem a box “há sempre um fio condutor”, ou seja, produtos portugueses e o tema que Carlos e Sandrina estão “a trabalhar” no mês em questão. Neste caso, procuraram “exclusivos de Leiria relacionados com o Pinhal”.

A conservação dos alimentos e bebidas é um dos motivos porque só estão a vender no espaço da União Europeia, mais Noruega e Suíça. Deste modo, conseguem responder a qualquer encomenda, em qualquer país, no prazo máximo de 48 horas. Portanto, já sabem: é tudo o que têm de esperar quando a saudade aperta.

Texto de Cláudio Garcia
Fotografias de Ricardo Graça
(Publicado a 11 Junho 2015)