Hirondino

Uma jornalista de TV que não atinava com o nome ‘Hirondino’ no seu falso directo, as constantes interrupções ao Manuel (João) Vieira para dar uns autógrafos e tirar selfies, daquelas com vara, com o igualmente popular gajo de Alfama. Foi esta a tarde catita deste magazine que foi até esse bairro lisboeta, onde, na Casa da Liberdade Mário Cesariny da Galeria Perve, Hirondino Pedro e Manuel (João) Vieira inauguravam uma exposição colectiva.

Foi há dois anos que a Preguiça entrevistou Hirondino Pedro, na altura, por ocasião da sua exposição no Banco de Portugal, em Leiria. Dois anos volvidos, e num momento importante na sua carreira, o artista da zona centro inaugurou juntamente com o multifacetado Manuel (João) Vieira (Ena Pá 2000, Irmãos Catita, Corações de Atum, Um Mundo Catita, Candidato Vieira, etc…) uma mostra de pintura intitulada L’aprés Midi D’un Faune, onde ambos lançam um olhar irónico e crítico sobre esta merda toda.

Preguiça Magazine: Como se dá esta junção artística?
Hirondino Pedro: Conhecemo-nos há dois anos através de uma amiga comum. Eu já conhecia o trabalho do Manuel desde os anos 80, no grupo dos Homeostéticos, e para além da música, também sempre gostei do seu trabalho como artista plástico. E quando nos conhecemos houve uma afinidade quase imediata. Mostrei-lhe os meus trabalhos, ele gostou, ficou de falar do meu trabalho a alguém, e através do Cabral da galeria Perve, surgiu o convite de se fazer qualquer coisa em conjunto.

Preguiça Magazine: O que é que viste no trabalho do Hirondino?
Manuel Vieira: Eu acho que o trabalho do Hirondino tem uma coisa porreira, na medida em que existe ali um certo entusiasmo muito primário pela vida e um encantamento com as coisas, que eu acho que é muito importante.

Preguiça Magazine: Vocês olham para a galeria com esta exposição montada, e o que é que vos sugere?
Manuel Vieira: Nós tínhamos muitos mais trabalhos, e a galeria não é enorme, de maneira que está tudo um pouco condensado… (interrupção para autógrafo) (…) estava a dizer que a galeria está a explodir de cor neste momento. Esperemos que essa condensação de humor e de outras coisas não resulte numa explosão física.

Hirondino Pedro: Eu estou contente. Apesar de eu conhecer alguma da obra do Manuel, não a conhecia na totalidade, nem nada que se pareça, e toda esta conjugação acabou por ser uma surpresa. Há referências comuns, temos ambos bases parecidas e como unidade resultou.

Manuel Vieira: E fizemos a experiência de pintar algumas obras em conjunto, também…

Hirondino Pedro: Sim, o Manuel fez os desenhos, em algumas obras até começou a pintar e eu acabei. A maneira foi reagir. Havia certos ambientes do Manuel que segui, mas outros contrariei-os. Ao lado mais mental do Manuel eu reagi com um lado mais sensitivo, com aquele encantamento pela vida que ele referiu há pouco.

Preguiça Magazine: E eis a pergunta favorita: planos para o futuro?

Hirondino Pedro: É continuar a trabalhar, continuar com a ideia que a arte é um factor que pode melhorar a minha vida, e espero que contribua também para os outros, o que o país a possa reconhecer assim também, e saiba onde é que está a riqueza e não a miséria.

Manuel (João) Vieira: Eu vou tentar deixar de beber galões, pois dizem que foi isso que matou o Manoel de Oliveira. E estou a pensar em ganhar o Euromilhões, é um plano que eu tenho… esqueci-me foi ontem de apostar, portanto não será já, já. E também tenho um outro plano que é tornar Portugal um país de vanguarda, um país em que a cultura seja um factor predominante e distintivo entre os demais países. E é, mas a ideia é fazer isso no sentido positivo!

Preguiça Magazine: Isso é o Candidato Vieira a falar?
Manuel (Candidato) Vieira: O candidato precisa de um apoiozinho monetário. Se houver algum milionário em Leiria que queira contribuir com 15 mil, 20 mil euros para eu conseguir as assinaturas, eu desde já subscrevo o programa político dele.

Preguiça Magazine: Uma sede de campanha ainda se arranja…
Manuel (Candidato) Vieira: O problema é que são muitas juntas de freguesia pelo país, mas se houver quatro ou cinco sítios onde se possa ir fazer um pouco de campanha, e onde haja algum voluntarismo, pode ser que dê alguma coisa.

Gajo de Alfama: Ó chefe, dá para tirar uma selfie?

Entrevista de Pedro Miguel
Fotografias de Pedro Ferreira
(Publicado a 18 Junho 2015)

Excerto audio: