zito camachoO bouquet está para a noiva como a máquina fotográfica para Zito Camacho, o convidado desta semana, que se apresenta como fotógrafo de casamentos. Independentemente da situação, é alguém com uma grande dose de sensibilidade que consegue captar emoções, gestos e pormenores. Foi isso que ele aqui tentou pôr em palavras, mas, acima de tudo, é o que mostra através de imagens.

Descreve-nos o teu trabalho: o que gostas mais de fotografar, o que desejas ou gostas mais de transmitir, em que área da fotografia te sentes mais à vontade.
Dedico-me à área dos casamentos e sem dúvida o que mais gosto de captar são os sentimentos e os gestos que transformam uma imagem. É nesta área que me sinto totalmente à vontade. Quando estamos ligados profissionalmente a um tema ou área de negócio, de certa forma e instintivamente, usamos a máquina para fins comerciais. Ao ter centenas de fotos para editar, o tempo dita essa limitação para pegarmos em determinados projectos que se encontram na gaveta e com alguma poeira. Agora dedicado apenas à fotografia, quero tentar despertar essas ideias.

No início, o que te atraiu mais na fotografia?
Através de uma máquina emprestada por um amigo, fui fotografando tudo e mais alguma coisa, a simples magia de mostrarmos o nosso olhar e pensamento de forma diferente. Sempre tive fascínio pelo preto e branco, a força que desperta em determinadas imagens.

Escolhe até três fotografias da tua autoria e conta-nos a história de cada uma delas.

Foto1
A simplicidade desta foto espelha muito da minha pessoa: as viagens e o mar. Esta fotografia foi tirada numa viagem que fiz sozinho ao litoral alentejano. Ao sair do mar quase de noite, decidi passar ali a noite e acordei com esta janela. Uma janela de sonho.

Foto2
Um tema que nunca me canso de captar é o mar. É onde vou buscar o meu equilíbrio. Nesta foto gosto de observar a sua grandiosidade e beleza. Muitos dos projectos que quero desenvolver têm a ver com o mar. É um elemento com que me identifico e ao qual tenho uma grande ligação.

Foto3
Esta foto representa o que sempre pretendo captar e apresentar aos meus clientes: simplicidade envolta em poesia. Quando crio um álbum, quero contar uma história, os pormenores, os gestos as ligações e emoções. Faço questão de apresentar também fotos a preto e branco para quebrar a cor e realçar poemas escondidos.

Se tivesses de escolher um fotógrafo de referência, qual escolhias e porquê?
Herb Ritts, a forma como captou o retrato, dentro da alguma simplicidade e força. Em cada retrato captava a essência da pessoa ou da personagem.

Já houve algum momento ou situação que tivesses gostado de fotografar, mas, por alguma razão, não conseguiste?
Estamos constantemente a perder “aquela” foto ou que deveríamos ter abordado de outra forma ou ângulo mas, com essas frustrações e perdas, tentamos melhorar na próxima.

Qual a situação mais embaraçosa ou inusitada em que estiveste para conseguires tirar uma fotografia?
Subir para o altar com o padre aos berros a proibir tal acção. Por norma e no dia, em geral as igrejas são o local que acrescenta mais dificuldades para fotografar devido à quase ausência de luz. Para obter determinadas imagens a aproximação é inevitável. Por vezes temos padres mais exigentes, outras vezes extremamente radicais (poucos), apesar de entender a posição deles, visto alguns fotógrafos exagerarem.

Com a chegada dos telemóveis com câmara e com as redes sociais começou-se a verificar uma “overdose” de fotografias. Na tua opinião, esta situação prejudica ou beneficia a fotografia?
Como em todos os mercados, e principalmente o da tecnologia, a evolução tem sido assombrosa, os materiais de qualidade estão mais acessíveis. Quem entende seguir na área da fotografia pode através das redes sociais divulgar o seu trabalho e, se este apresentar qualidade, o processo é mais célere. O grande “pecado” são os likes de simpatia e, com alguns likes, a seguir temos uma página no Facebook intitulada de fotógrafo. Infelizmente o fotógrafo amador desapareceu, agora somos todos fotógrafos. O mercado está mais atento e exigente, e só prevalece a longo prazo quem demonstra qualidade e profissionalismo.

O que é preciso para ser um bom fotógrafo: é só ter olho de lince?
Sensibilidade. A sensibilidade é um ensinamento da vida, o que sentimos, captamos, pensamos e queremos transmitir. Mas uma boa lente 1.4 f é aconselhável.

Que local, pessoa e objecto gostarias ainda de fotografar?
Local: Mercado do peixe de Tsukiji ,no Japão. Pessoa: Willem Dafoe. De preferência, a preto e branco.
Objecto: Talvez o Ovo de Faberjé.

Para conhecer melhor o trabalho de Zito Camacho:
mywed.com/pt/photographer/camacho
facebook.com/zito.camacho

Entrevista de Catarina Pedro
(Publicada a 16 Julho 2015)