Um filme de 7 cabeças

A ideia é ser um diário, uma espécie de cooperativa fotográfica. É suposto ser simples e despretensioso, como as coisas fixes. Pode vir de um rolo, de um sensor, de um telemóvel ou mesmo da China. Com a soma fazemos um filme de sete cabeças.

13 Março 2016
Hugo Pereira

Marinha Grande.

E assim me despeço, acabo como comecei, não com um mas com vários instantâneos da melhor galeria do mundo, a porta do meu frigorífico.

Aqui moram os meus amigos de verdade, as pessoas que realmente interessam, as pessoas que têm, de uma forma ou de outra, um significado especial para mim, o meu filho, a minha mulher, o meu pequeno mundo. Algumas delas nem desconfiam que lhes dou essa importância mas, às vezes, basta uma palavra, um gesto, um olhar para nos reconfortar, para mudar a nossa opinião, a nossa maneira de pensar, para nos fazer felizes.

Dizem que é necessário dar um passo atrás para contemplar a totalidade de algo, que temos que levantar a cabeça para ver o horizonte mas, por vezes, temos que nos baixar, vergar, encostar a cara ao chão para reparar nos pormenores, os que realmente interessam, aquelas pequenas coisas que apenas nós, na nossa individualidade, compreendemos. Uma coisa maior é um aglomerado de coisas minúsculas e, se não tivermos capacidade para as observar e reconhecer, nunca conseguiremos ver o todo, nunca conseguiremos compreender os outros, nunca nos conseguiremos compreender, passamos a vida a olhar para o horizonte sem reparar no que está mesmo ao nosso lado.

Todo o início tem um fim e todo o fim é o início de algo, não vos digo adeus, prefiro um até já, foi com relativo prazer que privei com o pessoal da Preguiça e com a primeira equipa do Filme de Sete Cabeças, não levámos o barco a novos portos mas também não o mandámos para o fundo do oceano, tudo se resumiu a rambóia e amizade.

Agora que vos abri a porta de casa, a porta do meu coração, desamparem a loja, vou limpar o chão, apagar a luz e fechar a porta, até amanhã.

12 Março 2016
João Ferreira

Tenho de ir… Espera-me um futuro electrizante, mas guardo a esperança num regresso não muito distante.

11 Março 2016
Rita Cordeiro

Como o copo meio cheio ou meio vazio, o caminho para o amor é sempre um caminho de dois sentidos, uma escolha ou, na maiora dos casos, uma inevitabilidade.

10 Março 2016
Nuno Brites

Tu espantas-me!

09 Março 2016
Sofia Mota

Macau (2016)
Porque o nevoeiro não é o fim do caminho. É só a impossibilidade de discernir a continuação 😉
Obrigada  Preguiça por esta peregrinação em tão boa companhia !
Bem hajam ! Sois grandes !
Ps : esta imagem é de Macau, hoje! Lembrei- me então, será que o nosso tão “querido” D. Sebastião, ao lembrar-se da ansiada  espera em manhã de nevoeiro, não se terá confundido com o caminho ? 😉

08 Março 2016
Tiago Bartolomeu

… quando o final é feliz, um sorriso representa tudo!

07 Março 2016
Jaime Lobo

Quando o vento te traz de volta a natureza.

06 Março 2016
Hugo Pereira

Sítio da Nazaré. Reparei naquele pequeno buraco por acaso, olhei para o chão e, por alguma razão que não consigo explicar, senti uma vontade enorme de olhar através dele. No início baixei-me um pouco, sem dar nas vistas, mas não dava para ver nada, fui-me baixando cada vez mais até ao ponto de me encontrar de joelhos no chão, apoiado nos antebraços e com o queixo a roçar naquela imundice mas finalmente consegui espreitar. Era de facto uma visão espantosa, através do buraco via aquele pedaço de paisagem, o oceano fundia-se com o céu e apenas sobrava aquela pequena língua de terra no meio, a tentar dividir o indivisível. Aquela paisagem, quando vista no seu todo, diluía-se com o resto, era impossível apreciar apenas aquele pedaço sem ser através do buraco. Quando me levantei reparei nos olhares curiosos, nas pessoas a comentar umas com as outras com aquele sorriso trocista, afastei-me mas, passado uns metros, parei para apreciar. No início, as pessoas começaram a passar junto ao buraco e olhavam de soslaio, as que anteriormente se riram do sucedido, agora lutavam contra a sua própria vontade de se baixarem para ver. Passou uma, depois outra e, passado algum tempo, um grupo de pessoas rodeavam a zona, baixando-se cada vez mais até que um deles ganhou coragem e deitou-se no chão, quase imediatamente, o grupo todo se baixou, todos de quatro, com o rabo no ar, alguns até com o rego à mostra, acotovelando-se e discutindo, a reclamar a sua vez para espreitar através do buraco, até chegar ao ponto de alguns reclamarem a posse do achado: “Fui eu que vi isto primeiro, só eu tenho o direito de espreitar por ele”. Já ninguém reparava na triste figura que faziam, a febre de tomar posse de um buraco na parede era tão grande que se transformou em ganância colectiva. Na falta de um consenso sobre o direito de posse, criaram um grupo de “connoisseurs”, uma espécie de associação, reclamando o direito exclusivo sobre aquele buraco, afinal de contas, aquela vista não podia estar disponível para todos, a arte de espreitar pelo buraco tem que ser controlada, o comum dos humanos pode pensar que tem a habilidade, o “know-how” nessa arte mas não, não pode ser, quem quiser espreitar tem que ser sócio, tem que cair nas boas graças, tem que ser aprovado por aquele grupo restrito de pessoas que pensam saber como se espreita.

05 Março 2016
João Ferreira

Entraram numa espiral, num percurso descendente sem fim aparente. Levavam os braços cruzados atrás das costas, como se não fosse nada com eles…

04 Março 2016
Rita Cordeiro

Por muito que tente, o fantasma do teu Inverno nunca conseguirá ensombrar o jardim da minha Primavera.

03 Março 2016
Nuno Brites

Leiria, 2016. Quem tem uma marquise, tem tudo!

02 Março 2016
Sofia Mota

Macau (2015)
Que a memória é pântano de origens estranhas, já todos sabemos! Mas hoje, mais de meio ano passado, lembrei-me de repente da chegada a Macau ! Uma chegada contrariada, forçada e de bandeira negra hasteada . Não foi de propósito … Mas era assim! A vontade não deixava que fosse de outra forma! Era um desejo de que a própria terra me mandasse daqui para fora .
Hoje, nestes tempos depois, ainda com uma vontade pouco mais que precária, relembro estes dias num pensamento meio estranho e difuso em que esta pequena “Alcatraz”, ludibriada ou não pelo pântano da recordação ou falta dela, tem cantos e encantos… lembrei-me daquele dia em que cheguei a Macau!

01 Março 2016
Tiago Bartolomeu

Obrigar-me a tirar uns minutos para cumprir com o meu compromisso de correspondente da Preguiça nem sempre é fácil mas compensador é com certeza. Quando viajo gosto de poder partilhar um pouco das imagens que me preenchem o dia e hoje escolhi esta pois tive um dia de Caca… Escrevo e penso: este compromisso faz-me sentir bem pois força-me a parar, pensar e abstrair-me um pouco voltando às coisas, às pessoas e ao locais de que gosto. Obrigado Preguiçosos!

29 Fevereiro 2016
Jaime Lobo

Por vezes fazemos coisas que não somos nós. Somos quem não somos e não somos quem queremos ser. Criamos narrativas, linhas, cores e enquadramentos para dizer onde chegámos sem saber. Onde para mim está um campo triste a direito para ti um desenho de aventuras e caminhos.

28 Fevereiro 2016
Hugo Pereira

Texas, Marinha Grande

Uma questão de honra.

Vieste com a tua língua bífida, destilaste veneno nos ouvidos de outras pessoas com o intuito de criar uma ilusão, uma desculpa para os teus actos nojentos e deploráveis, de forma a chamar a atenção para a tua pessoa, tudo isto às escondidas, na sombra, mas eu vejo-te e sei que o fazes por um mísero punhado de dólares, por um rodapé na última página do jornal.

Pensas que ninguém dá por ela mas desde o dia em que te vi, tive logo a certeza do tipo de serpente que és mas descansa, um dia vais sentir o meu ferro, o meu chumbo, o meu punho na tua cara, um dia a máscara vai cair e toda a gente vai ver o teu verdadeiro eu. É tudo uma questão de tempo, eu vou ficar aqui sentado a apreciar o teatro pela centésima primeira vez e quando a altura chegar vais ficar cara-a-cara comigo, sem sombra para te esconderes, só eu e tu, vais pagar pelo que fizeste, a bala que tenho no barril tem o teu nome escrito.

Sim, é para ti que estou a falar, esse filme que fazes na tua cabeça já eu o vi uma centena de vezes por muitos realizadores diferentes mas todos acabam da mesma forma, contigo no fim de uma corda e comigo a cavalgar em direcção ao pôr-do-sol, ao som de uma música do Morricone.

27 Fevereiro 2016
João Ferreira

Vives num mundo moderno de quadrículas de vidro.

26 Fevereiro 2016
Rita Cordeiro

Leiria. Lembro-me da chegada à cidade e de esta visão ser sinónimo de casa, de finalmente respirar fundo e de os meus olhos ficarem rasos com a emoção do regresso. De, de onde eu vinha, haver quem me dissesse: tens tanta sorte em ter raízes e um sítio para onde podes sempre voltar. E voltei mesmo. Hoje em dia, que a tomo como certa todos os dias, preciso de me afastar de vez em quando para que os horizontes se abram de novo.

25 Fevereiro 2016
Nuno Brites

Leiria, 2016​. Já o meu avô dizia: “O amor é um abre olhos”. Ainda não aprendi…

24 Fevereiro 2016
Sofia Mota

Angola (2016)

A zunga é de todos os dias..mas um dia, lá longe, quando for maior…quero ser modelo!

23 Fevereiro 2016
Tiago Bartolomeu

Aquele momento em que passas um portão ferrugento numa zona industrial de Dar Es Salaam e segues a pensar: do monte de sucata que aqui vi na ultima vez destes indianos nem trabalho se espera! É só mesmo picar o ponto.

Ao invés és surpreendido por dois WRX de 2016! Novinhos! Preparados em Inglaterra e assentes em cima de tijolos! Pisquei os olhos duas vezes e disse para dentro: Não! Não estás cos copos já de manhã!

22 Fevereiro 2016
Jaime Lobo

Ri-te, mesmo que não tenhas dentes.

21 Fevereiro 2016
Hugo Pereira

Leiria

Aquela porta tem um significado especial para mim.

Lembro-me de, no silêncio da noite, atirar pequenas pedras aos vidros da tua janela, a luz acendia-se, abrias uma ponta da cortina e espreitavas. Nesse momento o meu coração disparava, descias as escadas descalça para não acordar os teus pais, rodavas a chave muito devagar, abrias a porta e beijavas-me com força, com paixão.

“Um dia passamos a noite juntos” dizias, voltavas a beijar-me com esses teus lábios carnudos e ofegantes, fechavas a porta, subias as escadas, voltavas a espreitar pela janela, piscavas o olho e apagavas a luz.

Eu ia para casa, feliz, a inalar o que restava do teu cheiro nas minhas mãos, agarrado àquela esperança de que, um dia, havíamos de libertar o fogo que nos consumia, um dia ia sentir o calor dos teus lençóis, um dia ia sentir o teu corpo nu contra o meu peito… um dia…

20 Fevereiro 2016
João Ferreira

Atravessamos pontes, superamos desafios e agradecemos aos amigos por estarem presentes!

19 Fevereiro 2016
Rita Cordeiro

Há dias em que a rua não se poupa a palhaçadas para me fazer rir.

18 Fevereiro 2016
Nuno Brites

Leiria, 2016​. Sai daí!

17 Fevereiro 2016
Sofia Mota

N’dalatando – Angola (2016)
Uma imagem em andamento … Daqui para acolá … Com o amor, quieto e apertado as costas ! Até já África !

16 Fevereiro 2016
Tiago Bartolomeu

“PIERSON: That’s your plan?

STRANGER: You, and me, and a few more of us we’d own the world.

PIERSON: I see. . .

STRANGER: Say, what’s the matter? . . . Where are you going?

PIERSON: Not to your world. . . Goodbye, stranger. . .”

 

in The war of the worlds

 

15 Fevereiro 2016
Jaime Lobo

Precisamos de tempo para ver as árvores tocarem o céu.

14 Fevereiro 2016
Hugo Pereira

Lembro-me do dia em que me viraste as costas como se tivesse sido ontem, lembro-me da expressão na tua cara, da raiva no teu olhar, disseste que nunca mais me querias ver e eu concordei, também não me queria ver mais. A última imagem que tinha de ti era as tuas costas a afastarem-se de mim.

As tuas acusações não foram mais do que confirmações daquilo que já desconfiava, sou um ser odiável e fraco, não tenho aquela confiança inabalável que os gajos giros e bem-vestidos têm, a confiança de quem tem a certeza absoluta do que quer, a certeza das acções que tomam e, quando tenho essa certeza, pareço convencido e arrogante, sou patético, até quando sou bom pareço mal, pelo menos era essa a certeza que tinha na altura.

Passados todos estes anos voltámos a falar e hoje somos amigos, hoje gosto de me ver; penso que continuo parvo e patético mas, muito provavelmente, já nos habituámos a isso.

13 Fevereiro 2016
João Ferreira

Dançámos até ser de manhã e fomos ver o amanhecer junto ao rio, onde falámos sobre os nossos sonhos, as nossas esperanças!

12 Fevereiro 2016
Rita Cordeiro

As minhas folhas caíram todas mas, mesmo nos dias mais cinzentos, os meus pulmões respiram céu azul e os meus ramos crescem. É a consequência de criar raízes fortes, mesmo que seja no sítio mais errado de sempre.

11 Fevereiro 2016
Nuno Brites

Leiria, 201​6​. ​Daqui, até ali.​ Mais coisa, menos coisa…​

10 Fevereiro 2016
Sofia Mota

A esperança às vezes trepa … Não se sabe de onde nem para onde !

09 Fevereiro 2016
Tiago Bartolomeu

Estranha essa máscara, mais verdadeira que a própria face…

08 Fevereiro 2016
Jaime Lobo

Estamos difusos, tremidos e continuamos a caminhar. Em frente, para o lado, sem sentido. Não conhecemos  ninguém e acabamos sós numa multidão.

07 Fevereiro 2016
Hugo Pereira

Pode ser uma ilusão, uma miragem mas o desejo é tanto que, se fechar os olhos, quase que lhe consigo tocar, sentir o seu cheiro.

06 Fevereiro 2016
João Ferreira

Tira essa máscara que há em ti, despe-te desses preconceitos que limitam a tua vivência. O caminho é teu. Percorre-o.

05 Fevereiro 2016
Rita Cordeiro

Há corações que batem escondidos na sombra. Sempre num vôo muito mais alto, num compasso longe da normalidade a que os dias da vida formatada os obriga e do que é visível a olho nu.

04 Fevereiro 2016
Nuno Brites

Leiria, 2016. Todos os dias me convenço que vou na direcção certa e todos os dias tenho dúvidas. Quem sabe um dia acerto.

03 Fevereiro 2016
Sofia Mota

Ndalatando – Angola (2016)

Regressar a África é uma espécie de arrepio ! É voltar à mãe velha que se esqueceu de si … Uma mãe de filhos bastardos, de dentro e de fora , mas mãe ! Doce ,  fértil, verde, água ! Regressar a África e como que renascer à deriva , entre beleza, rugas, cores e desdém … É muito !

02 Fevereiro 2016
Tiago Bartolomeu

Todos os caminhos me servem.
Em todos serei o ébrio
cabeceando nas esquinas.
Uma rua deserta e o hálito
das pessoas que se escondem,
uma rua deserta e um rafeiro
por companheiro.

Excerto de “Mar de Sargaços”, Fernando Namora

01 Fevereiro 2016
Jaime Lobo

Pode muito bem acabar em cabidela.

31 Janeiro 2016
Hugo Pereira

Marinha Grande

Aquele espelho tornou-se num ponto de paragem obrigatório, fica ali, no meio do nada.

Não existe uma estrada, um cruzamento, não existe qualquer justificação para a existência daquele espelho naquele lugar, está apenas ali no meio do campo a apontar para o céu, como um sentinela, que observa o passar dos tempos, imóvel, como um espantalho.

Sempre que me cruzo com ele, sento-me na erva a apreciar, através do espelho, as nuvens a passar, exerce sobre mim uma espécie de fascínio pelo modo como distorce ligeiramente a realidade, é como se olhasse para uma televisão, não compreendo, é daquelas coisas que só fazem sentido quando olhamos para elas.

Não sei de quem foi a ideia, qual o propósito, mas acho notável.

30 Janeiro 2016
João Ferreira

Levaste-me a ver o mundo, numa volta partilhada de encontros improváveis.

29 Janeiro 2016
Rita Cordeiro

Como duas rectas, cruzámo-nos no infinito. Seguimos depois, mais além, prolongando no tempo e no espaço uma inesperada estrada que, segundo as leis da física poderia nunca ter existido mas que, segundo as leis da química se tornou na mais inevitável das realidades.

28 Janeiro 2016
Nuno Brites

Leiria, 2016. Quando tu não estás, eu não pertenço aqui.

27 Janeiro 2016
Sofia Mota

Macau (2016)
Neste apêndice de terra, a beleza esconde-se … Tem uma espécie de medo de se mostrar. Às vezes penso se não será da solidão que sente !

26 Janeiro 2016
Tiago Bartolomeu

Ás vezes as imagens despertam musicas na minha mente… esta foi hoje.

Pungent smells
They consummate my home
Beyond the black horizon
Trying to take control

25 Janeiro 2016
Jaime Lobo

Leiria, 2016. Não te esqueças que toda a gente tem uma sombra.

24 Janeiro 2016
Hugo Pereira

Fabrica.Cowork, Marinha Grande.

Era uma vez, numa floresta à beira-mar, um Homem com um sonho e um Panda que decidiram construir uma cabana.

Ergueram os alicerces, estes eram feitos de amizade, construíram as paredes, feitas de dedicação, por fim, o telhado, que era da mais pura esperança. No interior, pintaram na parede um barco a largar ferro, este barco simbolizava a cabana, um sonho, a vontade de navegar por mares desconhecidos, sem medo das ondas e das tormentas, um barco robusto e confiante, qualquer que fosse o rumo que tomasse e por muito mau que fosse o mar, chegariam sempre a bom porto. A âncora simbolizava as raízes, por mais que se viajasse dentro daquele barco, o sítio de onde vieram estaria sempre presente, simbolizava a importância de as preservar.

Dentro dessa cabana vi histórias de encantar e até vi um urso a cantar e a tocar canções tristes, canções de embalar. Mas, um dia, o Homem deixou de sonhar e o Panda, fascinado pelas luzes da cidade, decidiu viajar.

Esta fábula não é triste e, apesar de tudo acabar, serve para nos lembrar que isto foi só o início e que devemos sorrir, pois o melhor ainda está para vir.

23 Janeiro 2016
João Ferreira

Enquanto esperava que o eléctrico partisse, enviei-lhe uma mensagem a dizer que estava a chegar à estação de S. Bento, para a ir buscar. Nos fins-de-semana de eleições ela costumava regressar à terra. No dia seguinte iríamos votar juntos e recordávamos os momentos da nossa juventude em que éramos tão cúmplices.

22 Janeiro 2016
Rita Cordeiro

Leiria.​ Aquele momento incrível (no sentido de parecer mesmo mentira) em que sais à rua com música a tocar aleatoriamente nos ouvidos e, com os Radiohead a tocar em altos berros o “Fake Plastic Trees”, te deparas com esta imagem.

21 Janeiro 2016
Nuno Brites

Leiria, 2016.​ Um dia Eça escreveu: “Tudo o que não seja viver escondido numa casinhola, pobre ou rica, com uma pessoa que se ame, e no adorável conforto espiritual que dê esse amor – me parece agora vão, fictício, inútil, oco e ligeiramente imbecil.”. Este ano vou para onde me leva o amor.

20 Janeiro 2016
Sofia Mota

Hong Kong. Chapéus há muitos!

19 Janeiro 2016
Tiago Bartolomeu

Sempre que olho parece-me que é como ter um mar em Terra. Os horizontes sem fim, ilhas com campos cobertos de flores e águias como gaivotas. Algumas ilhas têm casas e pessoas, normalmente, velhas que mais não fazem do que companhia a oliveiras e sobreiros centenários.

É sempre contrariado que abandono estes sentimentos quando me afasto no regresso à minha realidade. Um dia gostava de ser sobreiro e dar tempo a uma gaivota…

18 Janeiro 2016
Jaime Lobo

Fui triste e feliz e todas as coisas no meio. Quis ser tanta coisa que não fui e fui tanta coisa que não quis ser. Quando me vejo a ver, lembro-me de ter sonhado ser um menino leão.

17 Janeiro 2016
Hugo Pereira

Cedofeita, Porto

Estou farto de políticas e de políticos, para além de não perceber, não vejo diferenças.

Certamente será um problema meu, não me interesso o suficiente ou não tenho o discernimento para diferenciar as partes, o que representam e o que defendem, para mim um partido de esquerda é o mesmo que um neoliberal trabalhista a puxar para o centro, ou um neonazi pacifista de leste com tiques de direita, para mim, os verdes defendem o mesmo que um partido de social-democrata mas Estalinista de uma perna, é-me tudo igual. E os independentes? São aqueles gajos que entram a sós mas depois têm “amigos “ que defendem cores a apoia-los e, caso estejam a perder fazem aquela coisa das coligações?

 

Gostava de perceber estas coisas porque voto, eu participo no processo mas sinto-me como um maneta num jogo de matraquilhos, meto a cruz naquele que, no pouco que consegui perceber através dos jornais e da TV, me parece estar a mentir menos mas, no fim, fico sempre a pensar se comprei a verdade da mentira ou a mentira da verdade.

16 Janeiro 2016
João Ferreira

Porto. Os Sábados passam-se melhor em boa companhia!

15 Janeiro 2016
Rita Cordeiro

Não é que precise de muitos pretextos para fotografar os meus pés, mas uma constelação de estrelas alinhadas na perfeição num chão que, também por coincidência perfeita, condiz com as minhas sapatilhas é uma imagem demasiado bonita para ignorar numa semana triste. Black star, blue jean, oh, you pretty thing!

14 Janeiro 2016
Nuno Brites

Leiria, 2016.​ Hoje levo daqui um beijo e um abraço. O resto é música…

13 Janeiro 2016
Sofia Mota

Macau (2016)
Para curar as dores : uma ou duas mãos, uma picadela e uma luz bonita! Ao fundo soa uma qualquer do Bowie só porque sim!

12 Janeiro 2016
Tiago Bartolomeu

Presidencial.

11 Janeiro 2016
Jaime Lobo

Leiria, 2016. Quando o céu pesa, e o inverna nos leva, recolhemos na esperança de renascer heróis.

10 Janeiro 2016
Hugo Pereira

Marinha Grande

Os sinos tocam, é a hora da missa. Os acólitos apressam o passo, saltitam por entre as poças, com uma mão aconchegam a gola do casaco ao pescoço enquanto a outra mão se debate furiosamente com o chapéu-de-chuva que teima em fugir deixando a chuva passar.

“Este tempo é obra do Demo!” diz o homem para a mulher enquanto se dirigem para o interior da Igreja, completamente ensopados e despenteados.

Enquanto observo, fico a pensar nas palavras do homem: “É obra do Demo…”

Uma ova, penso eu, a chuva é a mais pura água benta, cai do céu, leva todo o lixo, toda a sujidade, lava as ruas dos nossos pecados, deixando tudo limpo e brilhante, pronto para voltarmos a sujar com os nossos vícios, com a nossa falta de respeito. A chuva, quando acaba o seu serviço, presenteia-nos com a imagem do céu e das nuvens impressa no alcatrão negro, é como se o céu estivesse mais próximo de nós.

Acabada a missa, o casal sai da Igreja, a chuva parou e o vento amainou, o homem puxa de um cigarro e fuma-o enquanto analisa o céu, no fim, atira a beata para o chão imaculado, no sítio onde, anteriormente, se via um pedaço de céu, agora, vê-se uma coisa distorcida com uma beata a boiar no meio. O beato segue o seu destino, caminha com aquela convicção de quem cumpriu o seu dever, murmurando entredentes com desdém “Raça de tempo..

09 Janeiro 2016
João Ferreira

Leiria
A luz de Leiria brilha mais forte, uma luz de gente talentosa, extremamente criativa e ambiciosa!
A prova disso é a comemoração do terceiro aniversário da Preguiça que passa agora a diário! Já não precisamos de esperar impacientemente pelas quintas-feiras!
Parabéns Preguiça Magazine e continua assim irreverente!

08 Janeiro 2016
Rita Cordeiro

Balões a levantar vôo no meu caminho. Um bom presságio de felicidade garantida, à altura das expectativas de um ano novinho em folha. Dou boleia a quem quiser juntar-se à festa.

07 Janeiro 2016
Nuno Brites

Riachos, 2015.​ Porque é que mundo dos grandes é todo ao contrário?

06 Janeiro 2016
Sofia Mota

Seul , Coreia do Sul (2015)
Salas de fumo…salas de fumo que não são gaiolas, que permitem às horas de escala ser um pouquinho menos dolorosas , que não descriminam, que tem plantas artificiais nas paredes e reais por lá afora,  sofás e uma vista bonita para os que entretanto vão aterrando e outros voando!

21 Dezembro 2015
Jaime Lobo

Detesto conduzir sozinho. Oiço um cachorro quente e um sapo saltitante, e nunca tiro o dedo do gatilho, estou sempre pronto a mudar e também o faço com a frequência.  Um gelado, uma água  fresca. Uma dor de garganta. Frio mais frio. Cigarros e sono. Ora nevoeiro, ora sol, nevoeiro, sol. Já estive onde vou, na altura ficou incompleto.  Que merda, o trabalho é tantas vezes um trabalho. E nunca nada fica completo.  As pálpebras seguem o asfalto para debaixo do carro. Porque raio vou daqui fazer uma coisa onde há centenas de outros a fazerem essa coisa melhor que eu.  Conhecimentos. Tudo vem de quem conheces. Ás vezes quero conhecer mais gente outras nem por isso. Estou bem com quem conheço e estou ainda melhor com quem me conhece. Mas bem não estou. Nunca estive, embora às vezes esteja. Crocodilo do rock sazonal. Levo-vos comigo a galgar quilómetros e levo-vos comigo parado. Detesto conduzir sozinho.

20 Dezembro 2015
Hugo Pereira

Porto.

Os Oto-vermes, aqueles bichos que nos tomam de assalto o cérebro com qualquer música, seja foleira ou não. Massacram-nos até ao ponto de nos fazer detestar uma música.

A mim, aconteceu-me logo pela manhã, abri os olhos e a primeira coisa que me veio à mente foi uma música do Gato Preto, Gato Branco. De início correu tudo bem, eu até gosto da música mas com o passar do tempo tornou-se numa repetição constante do refrão:

“Djindji rindji Bubamaro
ciknije shuzhije
ajde mori goj romesa”

Perto da loucura, lembrei-me que um dia alguém me tinha dito que a cura era semelhante à da ressaca de vodka que se cura com outro copo de vodka mas como andava na rua, não tinha como a ouvir. Ao chegar à Ribeira, dei de caras com um grupo de rua a tocar o fim da música, ao vivo, em frente aos meus olhos, exactamente a parte a seguir ao refrão e o fim.

Afinal tinham razão, a música do Balcãs é como uma ressaca de Vodka, é só mais um copo e está bom.

Porto.

Os Oto-vermes, aqueles bichos que nos tomam de assalto o cérebro com qualquer música, seja foleira ou não. Massacram-nos até ao ponto de nos fazer detestar uma música.

A mim, aconteceu-me logo pela manhã, abri os olhos e a primeira coisa que me veio à mente foi uma música do Gato Preto, Gato Branco. De início correu tudo bem, eu até gosto da música mas com o passar do tempo tornou-se numa repetição constante do refrão:

“Djindji rindji Bubamaro
ciknije shuzhije
ajde mori goj romesa”

Perto da loucura, lembrei-me que um dia alguém me tinha dito que a cura era semelhante à da ressaca de vodka que se cura com outro copo de vodka mas como andava na rua, não tinha como a ouvir. Ao chegar à Ribeira, dei de caras com um grupo de rua a tocar o fim da música, ao vivo, em frente aos meus olhos, exactamente a parte a seguir ao refrão e o fim.

Afinal tinham razão, a música do Balcãs é como uma ressaca de Vodka, é só mais um copo e está bom.

198 Dezembro 2015
João Ferreira

Leiria,
Longa se torna a espera, aguardando sentado no banco da vida, à espera de dias que nos façam sentir vivo, realmente vivo!

18 Dezembro 2015
Rita Cordeiro

Ano após ano, sempre no mesmo dia, a recordação a surgir cada vez mais ténue. Ano após ano, a memória a apagar-se um pouco mais. E eu a sonhar com o dia em que vou conseguir arrumá-la no sítio onde pertence. O dia em que vai desaparecer de vez o exacto momento em que, num movimento de desfragmentação após uma intersecção abrupta, os planetas se desalinharam, o mundo parou de rodar, e tu, sem nunca olhar para trás, saíste da minha órbita.

17 Dezembro 2015
Nuno Brites

Leiria, 2015. A saudade é uma porta que deixamos sempre aberta. O amor é a porta que nunca queremos fechar.

16 Dezembro 2015
Sofia Mota

Quando for grande quero ser uma Miss e usar uma faixa vermelha com letras esquisitas ao ombro !

15 Dezembro 2015
Tiago Bartolomeu

Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

                                  Miguel Torga

13 Dezembro 2015
Hugo Pereira

Monte Real.

A guerra é uma coisa horrível, é o exemplo prático do nosso lado mais negro, da nossa imbecilidade, ceifam-se vidas e destrói-se o meio em nome da falta de razão resultando em morte, violência, pobreza e destruição, no fim, todos perdem, mesmo os que pensam que ganharam.

A meu ver, a guerra devia ser travada de maneira diferente, nada de bombas e balas. À falta de um acordo civilizado entre duas partes, a coisa devia ser decidida através de jogos, vagas de batalhões de jogadores de Queime-se, seguidos de companhias de jogadores de Mikado terminando no jogo da Estátua Silenciosa. O vencedor levava a razão e uma tablete e o perdedor ia para casa com uns calduços no pescoço.

Gostava de chegar a casa, ligar a TV e ver nas notícias que o Estado Islâmico estava a levar quatro na pá da Rússia no Macaquinho do Chinês. Ou isso ou uns Jogos sem Fronteiras.

12 Dezembro 2015
João Ferreira

Lisboa. Por pouco que me escapava… mas era só peixe miúdo… os outros são difíceis de encontrar…

11 Dezembro 2015
Rita Cordeiro

Passar metade da vida sem ter curiosidade de conhecer o que está para lá do horizonte tem apenas uma única vantagem: ainda faltar a outra metade para descobrir o que nunca se procurou. Deve ser isso a crise de meia-idade: descobrir a meio a falta de tudo o que ainda está para vir e as saudades infinitas de tudo o que já foi.

10 Dezembro 2015
Nuno Brites

Curvachia, 2015. “O teu caminho ainda é longo…”, quantas vezes não me disseram? Quantas vezes não me perdi eu? Quantas vezes não me espalhei e não me custou a erguer e voltar a seguir em frente? Hoje parei, já não dou ouvidos a ninguém. “Não sei para onde vou. Sei que não vou por aí.”

09 Dezembro 2015
Sofia Mota

Pequim, China (2015). Esta é uma imagem de saudade! De uma Pequim de céu azul, com 15 graus negativos e com gente assim… Fresca, depois de umas braçadas no lago gelado de Houhai!

08 Dezembro 2015
Tiago Bartolomeu

Cattle Futures Summary: Ideas of a possible signal higher after Friday’s new contract lows were dashed Monday as live cattle futures dove another 2%. Boxed beef cutouts were mixed with choice 0.10 higher to 202.70 and select down 0.97 to 190.52. Cattle slaughter for the week was at 110,000 head, compared to 110,000 last week and 112,000 a year ago. Last week’s slaughter was at 560,000 head, 0.6% lower than a year ago. With higher carcass weights, beef output last week was at 473 million pounds, up 2.0% higher than a year ago. Abundant beef supplies are putting pressure on retail beef. February live cattle sank 2.45 cents to 127.15 cents/pound at the close Monday, while April futures lost 1.77 to 128.45. January feeder cattle moved 3.95 cents lower to 156.45 cents/pound and March feeders declined 4.15 cents to 154.07.

07 Dezembro 2015
Jaime Lobo

Leiria, 2015. Encontrei a enxada durante um trabalho que tive bem de manhãzinha.  Era o corte de mais uma árvore em Leiria, esta, supostamente estava doente, embora não parecesse, mais ou menos como todas as outras. Perguntei-lhe se a podia fotografar, ( à enxada, não à árvore) e falei-lhe no projecto, ela com o ar cansado de quem passou anos e anos a bater em pedra e a volver terras, acedeu e prometeu acompanhar com carinho. Nem sabe bem quando nasceu, nem o que já ajudou a construir. Tem saudades desses tempos. Agora, sente-se um objecto em desuso, longe vão os dias em que quase toda  a gente lhe tocava, aliás, ” houve milhares que nunca me largaram”, atira com ar maroto. Agora as mãos são de seda, regadas a Dove e outras mariquices com substractos, já não há mãos grossas, tão rugosas como o chapisco de um servente fraco,  castigadas pela vida e pelos cabos que brandiam. Ri-se saudosamente do tempo em que até lhe dispensavam piadas, ” Mais vale uma mão inchada que uma enxada na mão” ou seria ao contrário?Ahh esta cabeça, menino!!! Com a agricultura destinada ao esquecimento teve de se virar para o sector público, onde vai tendo algum trabalho, intercalado com muito encostanço. ” Não percebo, às vezes parece que me confundem com uma bengala ou o raio!!” Diz, arreliada. Fotografei-a sobre uma cama de Outono, para realçar a relação ferro terra bota amarelo calça verde. Voltei à minha vida, indeciso, se feliz por lhe ter tocado poucas vezes, se triste.

06 Dezembro 2015
Hugo Pereira

Porto

Não me ajeito para a música, sou uma verdadeira nulidade no que toca a conseguir tirar uma única nota, seja de que instrumento for. Sou tão mau a tocar pandeireta como piano, sou igualmente mau em ambos. Estes dedos toscos e descoordenados recusam-se a seguir instrucções simples, recusam-se a comunicar com o cérebro, têm vontade própria, seja com cordas, teclas ou baquetes.

Se o James Marshall Hendrix tivesse nascido com estes dedos, hoje, seria conhecido pela sua perícia e habilidade com estivador, não como músico, aliás, sempre que tento tocar num instrumento musical, não sai uma nota, sai um gemido de dor, um desesperado pedido de ajuda, um urro de horror por parte do instrumento, como quem lhe está a espetar uma faca ou a apertar o pescoço com um garrote.

Gostava mesmo de conseguir criar uma melodia, causar emoções através de um instrumento, gostava de fechar os olhos e, percorrendo a escala, tocar nas pessoas com outro tipo de dedos, uns que não sejam toscos nem desajeitados.

05 Dezembro 2015
João Ferreira

Leiria,

No passado fim-de-semana, Leiria estava repleta de vida, com pessoas a palmilhar ruas e a desfruir dos dias luminosos de final de Novembro.

Sombras longas na calçada, reflexos de um Outono que caminha vagarosamente para o Inverno.

04 Dezembro 2015
Rita Cordeiro

Um dia disseram-me que eu tinha falta de ambição, num tom grave e crítico, como sendo uma falha de carácter imperdoável. Lembro-me do vazio entre o conceito de felicidade dessa pessoa e o meu. Hoje em dia rio-me quando penso nisso e sei que seria feliz se tivesse um jardim com um limoeiro, mesmo que esse limoeiro tivesse apenas um limão.

03 Dezembro 2015
Nuno Brites

“Aqui há gato!”, disse-o em voz alta quando comecei o dia. E eu, que sou um desconfiado, repito-o muitas vezes e quase sempre acerto. Mais uma vez tinha razão…

02 Dezembro 2015
Sofia Mota

Triciclos – é isso mesmo, pelos vistos são triciclos cá por Macau!
Mas estes, não são como os outros cá das àsias. Estes estão sózinhos, parados e vazios à porta de um casino de seu nome Lisboa.Estes já não têm a vida que leva os outros no dia a dia e que embeleza as cidades que os usam. Não andam em contramão, não reclamam, são mudos. De humano, neles, só mesmo no cesto o cartaz promocional das meninas ou o olhar indiferente dos que passam.

01 Dezembro 2015
Tiago Bartolomeu

Podia chamar-se a terra do trânsito. Aqui o perigo de percorrer 8km em 3 horas é algo que corres mal te colocas à estrada. Nairobi: quando sabes que algo pode vir a doer, nada como um pouco de Nivea…

30 Novembro 2015
Jaime Lobo

Leiria, 2015. Não amo nada sem seres tu. És a minha bandeira, o meu país e o meu Deus. A razão de viver e um motivo para morrer. Só o teu gesto pode abrandar a esfera em ebulição ou parar o tempo no infinito.

29 Novembro 2015
Hugo Pereira

Marinha Grande

Cinzas.

Eu sou teu e tu és minha, foi em ti que nasci e cresci, devo-te tudo e tu, nada me deves.

O teu cabelo cheira a mar e o teu corpo a pinho, por mais que me lave, por mais que me esfregue, este teu cheiro não desaparece, ficou entranhado em mim para sempre.

Foste abusada, violada por pessoas que envergavam cores e defendiam bandeiras, foste explorada por quem alegava ter posses, meios e fundos em prol, não dos teus, mas dos seus próprios interesses, deixando-te descaracterizada, fazendo de ti uma sombra do que em tempos foste mas és resiliente, vais vingar.

Amo-te, do fundo do coração, em ti nasci e em ti vou morrer e, quando isso acontecer, que me transformem em cinza ao lume do teu pinho e me espalhem sobre ti ao sabor da maresia. Eu sou teu e tu és minha, para todo o sempre.

28 Novembro 2015
João Ferreira

Aveiro.

Está em Portugal, um dos maiores artistas que tive oportunidade de conhecer nos últimos tempos…Tinha bilhete para o ver no SBSR em Julho, as horas calculadas ao limite, mas o avião partiu tarde de Manchester e não cheguei a tempo de o ver actuar…Ele regressou e na 3ª feira assisti a um dos espectáculos mais emocionantes que tenho na memória…Uma presença em palco “monstruosa”, uma voz com uma elasticidade incrível, pés descalços numa noite fria de Novembro, mãos pousadas no teclado do piano, letras para fazer pensar, um sobretudo que realça o corpo esguio e um baterista a acompanhar…O concerto de Benjamin Clementine no Teatro Aveirense foi tudo menos um momento solitário. Foi uma hora e meia de plena comunhão musical. Venham mais destes!

27 Novembro 2015
Rita Cordeiro

Entretemo-nos diariamente com o visível, o imediato, o aqui e o agora.
Cruzamo-nos com coisas importantes sem nos apercebermos da proximidade com que nos observam. Mesmo quando são magníficas, heróicas ou simplesmente uma memória sombria de dias gloriosos. E isso assemelha-se cada vez mais, e de forma assustadora, ao acto de não (vi)ver.

26 Novembro 2015
Nuno Brites

Porto, 2015. Há sempre uma linha que separa.

25 Novembro 2015
Sofia Mota

Macau, China (2015)
Silêncio…para se poder ouvir!

24 Novembro 2015
Tiago Bartolomeu

A terra é mesmo redonda! E as distancias relativas. Os cinzas e as folhas no chão do meu ontem são antipodas dos novos verdes vivos e castanhos humidos do meu hoje. Abri a pestana ás 3 e já o sol anunciava convictamente a manhã! Que contraste com a noite de ontem por volta das 18… Redondo é cíclico!

23 Novembro 2015
Jaime Lobo

Fátima, 2015. Um cão fiel, uma cadeira de praia no asfalto e crentes a desfilar fraquezas.

22 Novembro 2015
Hugo Pereira

A minha cara-metade.

Custa-me dizer certas coisas, para mim é muito mais fácil escrevê-las como se fossem dirigidas a um desconhecido, no frente-a-frente sou atrofiado, as palavras sufocam-me, são grandes demais para passar na boca mas, em compensação, tenho a coragem para as dizer em público.

A minha metade, a minha outra face, o meu yang é um ser admirável, com todas as suas qualidades e defeitos. Nesta minha bipolaridade, o que critico é o que me apaixona e é óbvio que, por vezes, sou uma pessoa difícil de compreender.

O melhor que consigo fazer é, através de uma fotografia e algum texto, mostrar o que sinto, dizer que quero respirar o teu ar, estar ligado a ti através de um tubo, embriagar-me no teu cheiro, no teu hálito, o ar puro é deslavado e sensaborão. O passar dos anos torna-nos mais frios, é a nossa natureza, é a tendência que, por vezes, tem que ser contrariada, a lógica não faz qualquer sentido quando se fala destas coisas. Dizer que te amo é vulgar demais, tem poucas letras.

Só para que saibas, quero quatro máscaras, uma para cada um de nós e outra para o que vier, para que no fim, quer ele chegue ou não, quando tudo estiver prestes a explodir, estarmos todos com um sorriso nos lábios, felizes, de mãos dadas a assistir ao início do fim, nada nos poderá tocar, nada irá destruir o que construímos e, se conseguir, vou bater palmas e gritar bis quando a cortina descer.

21 Novembro 2015
João Ferreira

Manchester, Inglaterra

Adios… Conversas com a morte…

Essa puta que nos bate à porta quando menos esperamos. Na roda viva da vida.

Não fujas porque és apanhado, como os outros comuns mortais.

Essa puta. Foge dela! Foge!

Não fujas… Ela apanha-te…

20 Novembro 2015
Rita Cordeiro

Apesar das nuvens, negríssimas, procuro e consigo vislumbrar algum azul e tento não me esquecer de que o sol brilha sempre acima delas.

19 Novembro 2015
Nuno Brites

Leiria, 2015. Vai chover, li por aí. E eu estou a banhar-me com os últimos raios deste sol de outono. É a minha praia.

18 Novembro 2015
Sofia Mota

Tai O – Hong  Kong – China. Gostava de vos falar de Tai O, mas não sei as palavras para um vilarejo de pescadores Takan que moram  por cima da água. Gostava de vos falar de Tai O, mas não sei como se dizem as cores dos verdes montanhosos e os azuis do mar com céus purpuras e rosas à mistura. Gostava de vos falar de Tai O, mas não sei os sons das marés que vazam ao final da tarde nem como se diz do silêncio do descanso do alpendre, ou das esplanadas que se espalham com cheiro a café. Gostava ainda de saber desta magia de uma Hong Kong imensa, que entre cimentos, ilhas e distâncias, esconde tesouros … Tai O!

17 Novembro 2015
Tiago Bartolomeu

Quanto tempo dura uma memória? … quanto tempo é preciso para apagar a dor? Será o passar do tempo lixívia suficiente para desfazer flores e dor? Será que a chuva e o vento desvanecem memórias? Quanta dor dura o tempo?

16 Novembro 2015
Jaime Lobo

ISIS, Síria, Paris, Beirute, o mundo e o homem, as decapitações, os fuzilamentos, as crianças soldado e as crianças mortas, o terror, a História para sempre destruída, o Boko Haram, Nigéria, a mutilação genital, a pobreza, a fome, a Amazónia, o desrespeito, a ditadura do petróleo, a poluição, a Volkswagen, a crise, a crise dos refugiados, os submarinos, a TAP, as nomeações, os tachos, os bancos, os ladrões em geral, violadores, pedofilia, o clima, o cancro, a sida, a indústria farmacêutica, as negociatas, a corrupção, os esquemas, a intolerância, o desconhecimento, as certezas, a desinformação, a burrice, a conice, a ganância, a religião, o fanatismo, a violência, a TV, os impostos, a segurança social, as gravatas, a traição, a mentira, a FIFA, o excesso de fotografias, os paus de selfie, Angola, a Coreia do Norte e outras ditaduras, a falta de escola e saúde para todos, bilderbergs, maçons, seitas e profetas em geral, a incompetência, a prepotência, o nuclear, a Monsanto, o Trump, o racismo, o excesso de trabalho, a falta de trabalho, os vistos gold, o parlamento, os rácios, os eucaliptos, a extinção do rinoceronte e de qualquer outro animal, a caça recreativa, as touradas e todas as outras merdas deste planeta, inclusivamente a minha falta de memória. Foda-se, vamos antes seguir o cão.

15 Novembro 2015
Hugo Pereira

Chiqueda, Alcobaça. Muitos sonham com a chegada do cavaleiro com a sua armadura brilhante, montado no seu cavalo branco; de alguém que resolva os nossos problemas de uma forma fácil, que resolva as nossas trapalhadas rápida e eficazmente, que as faça desaparecer quase que por milagre, de forma a que não nos dê trabalho; alguém que trate dessas coisas por nós, que se responsabilize pelos nossos actos. Eu sonho com a chegada do cavaleiro negro, o que nos vai castigar, o que vai apontar todos os nossos erros, que nos vai trespassar com a sua lança, sem dó nem piedade, alguém que nos vai causar terror, que nos obrigue arregaçar as mangas e ir à luta, a enfrentar as consequências dos nossos actos de peito aberto. É na adversidade que damos o nosso melhor. Quando algo ou alguém nos facilita a vida, ficamos moles, de braços cruzados à espera do alívio, da redenção. No fundo, quero perceber qual é o meu lado da barricada, se sou o herói ou o cobarde, como me vou comportar quando chegar aquele momento decisivo, se sou o trigo ou o joio.

14 Novembro 2015
João Ferreira

Ginjal, Cacilhas. Não me lembro de um Verão de S. Martinho tão quente como o deste ano… nem mesmo o de 75… mas ainda faltavam uns meses para nascer. O governo caiu. Morte anunciada desde a semana que tomou posse ou talvez desde o dia 4 de Outubro… Fica para a história o governo de menor duração de sempre. 12 dias. Em 40 anos de democracia em Portugal e se Cavaco indigitar António Costa como Primeiro-Ministro, seremos governados pela primeira vez por partidos que não ganharam as eleições, mas que em coligação representam uma maioria no parlamento. Se isso se concretizar, parece-me que Costa não terá uma vida facilitada, com os partidos de direita a anunciarem uma oposição sem tréguas e com os partidos de esquerda, ainda com umas arestas por limar… a julgar pela apresentação de quatro moções de censura, em vez de uma conjunta. Entretanto Passos contra-ataca e pede revisão constitucional extraordinária para dissolver a Assembleia e antecipar eleições. Da maneira que o cenário político continua a aquecer, por este andar chegamos ao Natal a tomar banhos na praia! Na Catalunha, os independentistas votaram na segunda-feira no Parlament o início do processo de secessão. A Europa cresce ou desunifica-se? Em Leiria, este Domingo, abrem as portas do novo Museu, um projecto desejado pelos leirienses, desde o início do século passado e que agora se concretiza.

13 Novembro 2015
Rita Cordeiro

Num dia de azar anunciado, encontro a sorte ao virar da esquina e não há dia 13 que a apague.
Até porque, a juntar à festa, hoje faz sol e amanhã é sábado.

12 Novembro 2015
Nuno Brites

Leiria, 2015. Rapidamente cresce a fila no fim de tarde do São Martinho. Entre a nuvem de fumo e o barulho do sal a estalar na braza, está a Maria, há 40 e tal anos a abrir o coração para pessoas que ali esperam por uma dúzia de sorrisos embrulhados em papel de jornal velho. Há este provérbio chinês: “Se alguém está tão cansado que não te possa dar um sorriso, deixa-lhe o teu.”. Lembrei-me da Maria.

11 Novembro 2015
Sofia Mota

Tóquio, Japão (2015). Hoje apeteceu-me ir dar uma volta. Tóquio mais uma vez, e as suas gentes, os laços cor de rosa, as palhinhas nada mudas, as distâncias, as crianças que crescem antes do tempo e depois voltam atrás… O Japão,  este controverso e bonito Japão!

10 Novembro 2015
Tiago Bartolomeu

… nunca viveu verdadeiramente. Existia na falta de rumo que as pessoas faziam viver e alimentava-se do vazio da vida sem esperança. Apesar de poder mudar o mundo que toldava, nunca se sentiu saciado e seguia devorando… Porém, um dia, primeiro uma pessoa e depois outras revoltaram-se e descobriram um sentido. Sentindo-se cada vez mais fraco e com cada vez menos alimento vergou-se e… Ressurreição!

09 Novembro 2015
Jaime Lobo

Leiria, 2015. Perdido por natureza volto vezes sem conta  à procura das coisas desaparecidas. Subo e desço degraus, parto e regresso. Na sombra e sob a artificialidade do halogéneo. A pedra no caminho? Normalmente não lhe ligo. Hoje, fotografei-a.

08 Novembro 2015
Hugo Pereira

Vilamoura. Quero voltar a ser puto. A vida pregou-me uma rasteira, enganou-me, fez-me desejar ser adulto com promessas de independência e respeito mas foi tudo uma grande mentira. Fui ludibriado, levaram-me a acreditar que tudo seria melhor quando fosse mais velho mas é mentira, tudo se torna pior, mais feio. Os nossos olhos tornam-se mais críticos, recusam-se a ver a beleza das coisas mais simples, a nossa imaginação fica limitada, fica lógica demais, sonhamos acordados com tretas materiais como a lotaria, deixamos de sonhar com o que realmente vale a pena sonhar; deixamos de ser cavaleiros ou astronautas para passarmos a ser só ricos, quero agarrar numa pedra, imaginar me dentro de uma nave espacial e perder-me em aventuras sem fim no caminho para casa, não quero sentir o peso das notas nos bolsos. Quero ver a beleza em tudo, deixar de ser crítico, deixar de meter defeitos, de ser picuinhas, quero olhar para uma folha e ver um tesouro, quero rir sem ter medo de parecer mal, sem recear que me julguem doido. Quero que os dias sejam infinitos, que voltem a ter 24 horas ou mais e não estes escassos 24 minutos ou menos. A vida foge por entre os dedos como se fosse areia. Quero voltar a sentir aquela paixão arrebatadora, intensa e violenta que quando acaba parece o fim do mundo e não esta coisa racional e comedida. Não tenho pressa de morrer, recuso-me a ficar mais velho, que se lixe a responsabilidade, que se lixe o respeito, quero voltar a ser uma folha em branco, quero conseguir apreciar o que o mundo tem para me oferecer com a mente limpa e pura. Desisto de ser adulto, não quero, já não vale, assim não brinco mais.

07 Novembro 2015
João Ferreira

Porto. “I will see you on the dark side of the moon…”

06 Novembro 2015
Rita Cordeiro

Leiria, 2015. A Márcia a unir os pontos todos com a magia com que só ela sabe e a tornar reais o amor, o desamor, a beleza, a luz, a escuridão e as saudades à flor da pele. O amor nem sempre salva. A música, essa, salva sempre, e ouvi-la ao vivo é sempre um momento maior.

05 Novembro 2015
Nuno Brites

Vila Nova de Gaia, 2015. Não digo nada. Não quero dizer nada. Não sei escrever sobre abraços.

04 Novembro 2015
Sofia Mota

Macau. Há uma península para aqui que se chama Macau … Diz que é devido à deusa A-Ma, o que é bonito! Não é China, não é Portugal… Experimentei a ver se poderia ser Japão no meio de Las Vegas, tal não é a confusão! Não, não encontrei identidade!  É uma espécie de terra de ninguém com todos cá dentro. Os que cabem pelo menos. Mas, entre uns e outros encontrei beleza… Encontrei cores e corações perdidos, encontrei paragens e corridas, encontrei luzes, e também amor e amigos!

03 Novembro 2015
Tiago Bartolomeu

Palavras para quê?…

02 Novembro 2015
Jaime Lobo

Leiria. O caminho, sei-o de coração. As imperfeições, as sombras, os ossos toscos que nos sustêm e os segredos onde a pele se dobra e a carne se une. Há tanto onde ninguém procura. Há a vida na distância que o músculo retira e a liberdade que todo este  tempo nos trás. Serás sempre o destino. Tic tac tic tac, amanhã vou declarar o meu amor por ti. Amanhã, ou em qualquer outro dia banal.

01 Novembro 2015
Hugo Pereira

Marinha Grande. Teste de paternidade. Ter um filho foi a melhor coisa que me aconteceu, porém, é uma espécie de paradoxo.Deixamos de ter a vida que tínhamos anteriormente, o nosso tempo desaparece assim como a nossa privacidade mas, no fim de contas, se pudesse mudar alguma coisa, não mudava nem uma vírgula, é uma espécie de sacrifício masoquista, sabe bem. Ser pai é o meu maior teste, é incrivelmente exigente e dura uma vida. Sou posto à prova constantemente, o “será que estou a tomar a decisão correcta?” ou o “será que estou a passar os valores correctos?” são uma constante e não existe cábula para nos ajudar.

31 Outubro 2015
João Ferreira

Porto. Ontem tomou posse o XX Governo e coincidência ou não, as ondas gigantes da Nazaré estão de volta. Curioso para ver as surfadas desta assembleia e se existe maturidade política, que não nos obrigue ir a eleições novamente daqui a seis meses. Do outro lado do mundo, a China suspende a lei do filho único.

30 Outubro 2015
Rita Cordeiro

Lisboa, 2015. Os dias são todos iguais. Apenas se distinguem pelo destino da viagem que às vezes se apaga e dá lugar ao desconhecido, esse vácuo cheio de possibilidades que torna quase tudo possível. Mesmo quando parece impossível.

29 Outubro 2015
Nuno Brites

Pinhal de Leiria, 2015. Faz cuidado!

28 Outubro 2015
Sofia Mota

Zhuhai, China. Sem texto… só gente!

27 Outubro 2015
Tiago Bartolomeu

Leiria. Há dias em que gostava de ser crente e pedir o milagre do relógio parado… Dessa forma podia fazer tudo o que gostava de ter feito e dizer tudo o que gostava de ter dito.

26 Outubro 2015
Jaime Lobo

Leiria, 2015. Tudo passa tão rápido que não tenho tempo para falar da espera.

25 Outubro 2015
Hugo Pereira

A cidade saiu à rua. As casas levantaram-se dos seus alicerces e ocuparam as ruas, com os seus braços de betão e punhos fechados no ar, gritando impropérios e palavras de ordem. Ocuparam parques e jardins, arrancaram árvores pela raiz, destruíram campos e prados exigindo o seu domínio absoluto sobre a natureza. Reclamam o seu lugar ao sol através da força, em defesa dos fracos e oprimidos, em prol de uma raça que não tem qualquer contributo para o ecossistema: nós. O ciclo natural da sobrevivência das espécies tem que ser quebrado, não existe espaço suficiente para animais e Homens, tem que haver condições para o progresso, para o avanço, a natureza é antiquada e obsoleta, não faz sentido, só estorva, todo esse espaço desperdiçado com plantinhas e animais, para quê? Vamos andar para a frente, evoluir, a vida não se ganha deitado na relva a olhar para o céu, mas sim com obras, com cimento e alcatrão, as pessoas têm que trabalhar, têm que ter as condições ideais para o fazer, queremos prédios, arranha-céus por todo o lado, estas pobres criaturas precisam de evoluir. Vamos ocupar tudo, cada centímetro quadrado de terra sem dó nem piedade, que se lixe o meio, o princípio é passado e o futuro é o fim.

24 Outubro 2015
João Ferreira

Leiria. Esta madrugada muda a hora… Parece que os dias ficam mais “curtos”… Façam o favor de atrasar os relógios 60 minutos, ou 3600 segundos, como vos apetecer… tempo para mais uma conversa entre amigos, para prolongar a loucura de uma noite de fim-de-semana, ou simplesmente para por o sono em dia…

23 Outubro 2015
Rita Cordeiro

Leiria, 2015. O amor que nos uniu era imenso, dividido em partes iguais. Éramos yin e yang, o equilíbrio que se desequilibrou e deu origem à igualmente imensa cicatriz que hoje nos atravessa a ambos – e continua a unir – na mais estranha, longínqua e inesperada dimensão quando, à noite, fechamos os olhos.

22 Outubro 2015
Nuno Brites

Porto, 2015. Para muitos a espera foi o fim da linha. Amanhã talvez voltem…

21 Outubro 2015
Sofia Mota

Pequim (2015). Estamos em Wangfujing , uma das principais avenidas de Pequim… Entre compras, multinacionais, casas de chá e ruas de petisco! A estrela  do mar faz espetada com a lula, o escorpião, ou a tarântula, entre barracas de doces mais ou menos regionais e bugigangas do mundo. Aqui tudo borbulha, ferve, esfuma-se ciclicamente! Em jeito de curiosidade, não é o chinês que depois come os pitéus, à semelhança de tudo o resto, é o mundo que aqui vem visitar que as degusta, ou não…!

19 Outubro 2015
Jaime Lobo

Lisboa, 2015. Um dia destes vou à pesca. Se o mar for a vida e as marés o estado do tempo no tempo,  ou se da margem ao horizonte flutuar a imensidão do mundo, espero as profundezas à tona e o desconhecido revelado, o sonho ondulante no vento da manhã e a surpresa no anzol.

18 Outubro 2015
Hugo Pereira

Doca de Alcântara, Lisboa. Saí à rua com vontade de partir rumo ao incerto, queria ver o que o destino ou o acaso tinham reservado para mim. Entrei no primeiro transporte público que encontrei, nem vi qual era o destino, pura e simplesmente entrei e deixei-me ir, apenas decidi que só saía no fim da linha. Pus-me a imaginar onde me levaria, seria a um outro transporte que me conduziria a outro destino qualquer? Com o decorrer da viagem a imaginação começou a tomar conta de mim: “Mas isto vem dar aos Himalaias?”. Ou então saio em Marrocos, onde o cheiro da areia me invade as narinas e monto num camelo que me leva à China onde entro num avião que me leva à Nova Zelândia, seguidamente, apanho outro avião que me leva a Nova Iorque…  sinto o transporte a abrandar, abro os olhos e tenho a sensação que estou em terras tão longínquas que me parecem familiares. Chego ao fim da linha, desço os degraus com alguma ansiedade e estou novamente à porta de casa, entro e deixo-me cair no sofá, estou completamente exausto e com um sorriso nos lábios. Lar, doce lar, sabe tão bem chegar a casa quando passamos tanto tempo fora.

17 Outubro 2015
João Ferreira

Manchester, Inglaterra. A corrida à presidência ganhou esta semana uma candidata para fazer frente ao Professor Marcelo. Será que Maria de Belém vai conseguir chegar ao Palácio?

16 Outubro 2015
Rita Cordeiro

Leiria, 2015. When there’s nothing left to burn, you’ve got to set yourself on fire.

15 Outubro 2015
Nuno Brites

Leiria. Sou um estranho em casa. Já não sei se vou embora, se fico. O vento não sopra nada de novo e eu estou aqui. Sou mais um número pendurado.

14 Outubro 2015
Sofia Mota

Vang Vieng, Laos.
Se me perguntarem:
– Ah e tal aquela viagem pelo sudeste asiático, do que mais gostaste?
– Tudo!! Mas Laos….
– Ah e tal e o que é que Laos tem então de especial ?
– Nada! Não tem as praias ou montanhas da Tailândia, não tem o exotismo histórico e flutuante do Cambodja, mas Laos …tem magia! Tem gente que não se descreve, tem sorrisos que não vêm no mapa de expressões, tem monjas em Hiundays a distribuir a fé de Buda, tem massagens e bicicletas, tem arroz, café e ópio escondido. Tem uma água doce turquesa, e céu também, e uma floresta virgem em penhascos com casitas de madeira tosca à mistura… Tem…
– Ah e tal mas isso também vês noutros lados.
– Talvez… Mas não é a mesma coisa!

13 Outubro 2015
Tiago Bartolomeu

Acabei de ouvir as opinações após o encontro no Largo do Rato (“delay….rewind…de umas horas sff”) e lembrei-me que tinha tirado esta foto no que para mim foi um momento supostamente feliz ou de esperança. O mesmo poderia dizer deste momento que poderá ser marcante para uma abertura a novas ideias/ideologias como nunca houve no nosso país… E depois volta a razão!: é só a mesma cambada de agarrados ao poder… deixa lá ver se sempre vai haver uma oportunidade de outras ideias com tudo a provar…

12 Outubro 2015
Jaime Lobo

Leiria. O caminho do sangue. De um lado o que me trouxe aqui, do outro, o que me vai levar. Sou um  veículo genético de um passado que esqueço mais vezes do que ele merece. Perdido na construção de alguém, que se lembre, e seja lembrado.

11 Outubro 2015
Hugo Pereira

Mata de Benfica, Lisboa. O fim. Chegou o fim! Não o fim do mundo, esse vai continuar no mesmo sítio e a rodar para o mesmo lado, mas o nosso fim. Não vai cair nenhum meteorito, o mundo não vai explodir, o apocalipse não vai acontecer, vamos, pura e simplesmente, desaparecer. Tudo o resto vai ficar na mesma, talvez um pouco melhor, a nossa falta não será sentida. Não iremos desaparecer de uma forma poética nem tão pouco digna, não vamos sair em grande, o mundo vai-se ver livre de nós como um cão que se coça com a pata traseira para se livrar de uma pulga, vamos ser exterminados como se fossemos um parasita, como um incómodo, uma coisa que causa nojo, algo que está no meio do caminho, algo que vai trazer alívio depois de desaparecer. Vamos sair pela porta dos fundos, com o casaco por cima da cabeça para não nos reconhecerem, para não termos que olhar nos olhos quem se sente ofendido. Fomos mal-educados, malcomportados, armámos bronca, sujámos tudo, usámos e abusámos sem pedir licença, tomámos as coisas como nossas, fomos inconvenientes como aquela pessoa a quem alugaram um quarto e, no fim, deixou tudo sujo, partido e a cheirar mal… um nojo. O fim chegou porque não nos metemos no nosso sítio, armámo-nos em espertos, em superiores… no fundo… porque não nos soubemos comportar como animais.

10 Outubro 2015
João Ferreira

Porto. No rescaldo eleitoral e do Há Música na Cidade (que teve mais participação que as eleições), o dia da Implantação da República passou a dia de reflexão, numa semana em que se comemorou o dia dos castelos, com o PS a piscar o olho à direita e à esquerda e com a quase certeza de um governo minoritário PSD/CDS… A dança para a presidência começa a ganhar mais ritmo e o Nobel da Paz foi para o Quarteto de Diálogo para a Tunísia. Bom fim-de-semana a todos!

9 Outubro 2015
Rita Cordeiro

Lisboa. A minha mãe ensinou-me a gostar de flores e é graças a ela que, hoje em dia, reparo também nas folhas das árvores e no verde dos campos e em toda a vida que desponta mal chega a primavera. Mas eu nasci no outono e é no outono que a minha mãe, naquele que é sempre um dos melhores momentos do meu dia de aniversário, me oferece flores.

8 Outubro 2015
Nuno Brites

Leiria. Menina, eu ouço a música que tu olhas.

7 Outubro 2015
Sofia Mota

Emeishan, China. De tapete vermelho estendido! Houve música na cidade!

6 Outubro 2015
Tiago Bartolomeu

Leiria. Este último fim-de-semana foi marcante para mim. Não pela eleição de um novo governo, mas porque na minha terra aconteceu algo bem mais conciliador. O evento Há Música Na Cidade é um marco a cada edição. Nem tento realçar mais, pois diversas opiniões de gente bem mais credível musicalmente do que eu já o fizeram, a excelência de alguns dos concertos que pudemos ouvir. O que me salta à memória ao recordar o evento foi ver a cidade na rua! Foi ver tantas pessoas fora de casa em torno da cidade. Gente de todas as idades, famílias inteiras… Pessoalmente dei por mim a parar de 10 em 10 metros a cumprimentar mais alguém e a sentir que as pessoas estavam abertas a isso. Talvez seja a magia da música a embalar as pessoas….

5 Outubro 2015
Jaime Lobo

Leiria. Reflectido no chão, o céu.  Podemos gostar de pessoas que não gostam de nós? E o contrário?

4 Outubro 2015
Hugo Pereira

Fátima. A fé é algo que me faz confusão, não é o seu cerne, é a adaptação individual do conceito que me intriga. A fé de cada um é uma coisa pessoal, podemos sempre questionar mas não devemos condenar aquilo em que cada um acredita, é como uma impressão digital, é única, exclusiva e apenas diz respeito ao próprio. A fé é algo que não se vê, é uma hipótese onde depositamos toda a nossa confiança e em que acreditamos incondicionalmente, do fundo do nosso ser. Alguns acreditam em entidades superiores, algo que nos observa e nos leva a agir de determinada forma, outros são movidos por uma fé pessoal, acreditam que, individualmente, têm o poder de decidir o que está certo e o que está errado, têm o discernimento para tomar a decisão certa, a força para seguir em frente e ultrapassar todos os obstáculos acreditando apenas em si mesmo, na sua força interior. Eu inclino-me mais para a segunda opção, aquela em que acreditamos em nós próprios e gostava de acreditar que todas as pessoas têm essa capacidade, a de tomar a decisão certa individualmente e colectivamente, como um todo, acreditar que temos fé uns nos outros.

3 Outubro 2015
João Ferreira

Lisboa. Hoje é o aniversário da minha irmã mais velha. Amanhã vou votar.

2 Outubro 2015
Rita Cordeiro

Leiria. Os avós, essas pessoas maravilhosas que a vida nos dá de presente. E de passado. E de futuro. E que deixam tantas saudades, daquelas que nunca passam.

01 Outubro 2015
Nuno Brites

Leiria (2015). Este País Não é Para Velhos.

30 Setembro 2015
Sofia Mota

Cidade Proibida, Pequim (2015) Esta China, de vermelho vestida vem de há mais que anos… já no tempo de antes era por entre vermelhos que o casal se vestia, por entre os mesmo que dormia e aspirava a sua sorte. O casal Imperial foi-se. A Cidade Proibida ficou. Continua vermelha, como a nação! Os curiosos, sempre mais que muitos, espelham-se para lá da história e para cá do futuro!

29 Setembro 2015
Tiago Bartolomeu

Nunca escrevi um diário. imagino que nem sempre se tem algo para escrever. Coisas que valem a pena registar.

28 Setembro 2015
Jaime Lobo

Leiria. Estou pelos cabelos e emaranhado em linhas tortas. Uso a água a correr para abrandar o sangue e aperto o cume para destilar a vontade de te atirar ao chão.

27 Setembro 2015
Hugo Pereira

Gândara dos Olivais, Leiria. A fuga.

Aquela enorme vontade de entrar no primeiro avião e levantar voo, não interessa para onde desde que seja para outro lado qualquer.

Não quero fugir de ninguém, não estou à procura de melhores condições, quero ter a audácia para largar tudo, quero ter o meu destino nas mãos, quero ter a coragem para sair da rotina, do meu conforto, da minha segurança e partir, trocar tudo por nada, mas, se calhar, talvez o nada seja tudo o que tenho… então, quero pegar no meu nada e ir à procura de tudo.

Apostar as fichas todas, arriscar tudo numa incerteza e ser livre, livre das contas, do emprego, do trânsito, da formatação do dia-a-dia, do fato que me querem vestir quando, na realidade, só quero andar nu.

Quero chegar ao pé da mulher que amo e, enquanto visto o casaco ao meu filho, dizer:

“Mete a mochila às costas, temos de ir.”
“Para onde? O que se passa?”
“Não sei mas temos de ir, o avião está à espera, vamos ser livres.”

E vamos, entramos no avião, com o passado na bagagem e com o futuro sabe-se lá onde, só sei que é em frente, só nós os três, mais ninguém.

26 Setembro 2015
João Ferreira

Braga. A uma semana das eleições legislativas, os portugueses estão divididos. Por certo, quem sairá vencedor será o partido da abstenção e naturalmente os derrotados serão os mesmos do costume. Quanto vale um voto? Vais ficar em casa? Entretanto, em Braga comemora-se a 25ª edição dos Encontros da Imagem. A maior celebração da fotografia em território nacional, com muitos nomes grandes da fotografia internacional.

25 Setembro 2015
Rita Cordeiro

Pedrógão, Leiria. Muito se aprende a observar o que nos rodeia: às vezes é preciso ter coragem para não seguir o bando e esperar pela altura certa para levantar voo.

24 Setembro 2015
Nuno Brites

Leiria, 2015.

  • Não te vejo. Onde estás?
  • Vou deixar que o vento me leve.
  • Não te demores longe de mim.

23 Setembro 2015
Sofia Mota

Pequim, China. Garotos outra vez Sofia ? Não há mais assunto por aí por esse lado de lá? Haver até há. Muitos. Mas, perceber que no monstruoso metro de Pequim, onde o espaço até para respirar, por vezes, é escasso… por onde normalmente reina a indiferença do ir para outro lado qualquer… Ali, no meio, poder dar de caras com a possibilidade de saber usufruir, ainda assim, da viagem … Hum, se calhar isso, só mesmo com “um dó li tás” feitos em quatro tons e um par de sorrisos ao nosso lado que convida  a pegar na câmara e, com eles perceber que antes de chegar podemos ter um belo caminho!

22 Setembro 2015
Tiago Bartolomeu

Uganda. No regresso ao hotel dei por mim a reflectir sobre os dois dias de mais um novo país no “portefólio”. E, nesta imagem, acabo por ler um pouco do sentimento que reina entre as minhas primeiras ideias. Uma realidade aparentemente descomplexada num país muito pobre financeiramente mas que se orgulha de si mesmo. Não senti aquela carga associada a qualquer complexo de inferioridade, pelo contrário tem sido uma boa surpresa o desenvolvimento intelectual com que me deparo. Não estão crianças na foto e isso não é obra do acaso pois estão nas escolas e não nas ruas. Não deviam os manequins ser negros? Ou também existem brancos que não usam a cabeça? Uganda tem sido uma agradável surpresa. Espero que estas impressões se tornem convicções e que se confirmem e voltem a confirmar nos anos vindouros.

21 Setembro 2015
Jaime Lobo

Leiria. Não há voo de exibição que tire do lugar quem sabe onde quer estar.

20 Setembro 2015
Hugo Pereira

Paredes da Vitória. O Verão bazou, foi-se embora. Passou tão depressa como uma “one-night stand”, antes de fecharmos os olhos, estava lá mas quando os abrimos já não estava, sobra apenas o vazio, a memória do calor e do cheiro. Fugiu como aquela pessoa que saiu a dizer que ia comprar tabaco e nunca mais voltou, deixando-nos sós, na expectativa de que volte a entrar pela porta. Acabou-se, não há mais marcas de biquíni nos corpos dourados, nem o cheiro do mar, misturado com o cheiro da areia e do protector solar, acabaram-se os passeios à noite de t-shirt, calção e chinelo de enfiar no dedo, foi-se. Vou sufocar numa montanha de roupa quente e fofa até à sua volta. Começou a longa jornada de nove meses a desejar que chegue, como uma gravidez planeada e obrigatória. O tradicional “aaahhh, nunca mais é Verão” começou. Nesta longa travessia do deserto frio e chuvoso resta-nos o conforto das mantas, das tardes em casa em frente à lareira, o som do vento a assobiar, da chuva a bater nas janelas e a memória do chapéu-de-sol, espetado na areia, ao lado da espreguiçadeira virada para o mar.

19 Setembro 2015
João Ferreira

Newtown, País de Gales. O caminho por vezes torna-se sinuoso, mas o movimento de solidariedade a que assistimos nos últimos dias minimiza muito a complexidade desses trajectos e aproxima as pessoas. Este fim-de semana, a caravana do amor seguiu o seu destino, com 50 toneladas de esperança. Boa viagem, Aylan Kurdi Caravan!

18 Setembro 2015
Rita Cordeiro

Pedrógão, Leiria. Este ano não tive férias. Assisti, nos bastidores, aos relatos dos banhos de sol e mergulhos no mar e piscina, aos passeios na areia e aos fins de tarde acompanhados de pôr do sol. Nunca o descanso com o tempo contado me soube a tão pouco, nunca os fins-de-semana me souberam a tanto.

17 Setembro 2015
Nuno Brites

Leiria, Fonte Luminosa. Recordo-me como se fosse ontem, das tardes que consumi horas no salão de jogos ao ritmo de alguns cigarros. Com o corpo preso aos movimentos dos pulsos, nalguns dias passava mesmo a melhor parte da tarde sem ver o sol a esconder-se, concentrado a jogar para não perder. Eram tempos de outros vícios. Tempos esses, que, na minha minha cidade, ficam agora a tardes-luz. Agora é lá fora, na rua.

16 Setembro 2015
Sofia Mota

Fenghuang, Hunan, China. Na cidade da Fénix, mais para o Sul da China, o tempo ainda fica para lá de longe… A criançada, como os pássaros antes de voar,  anda aconchegada em ninhos de lã e vime… Aqui, onde o Inverno daria uma espécie de alerta púrpura, os pimpolhos sabem de um calor maior, que os tira de casa, que os leva,  aninha e ampara por essa vida fora!

15 Setembro 2015
Tiago Bartolomeu

Quénia. “De Souza, Kenya’s oldest pub, a blend of culture and class. Established some 105 years ago in old Mombasa town, this is not your average bar. Its patrons are as diverse as they come, but the reference point in what as become the melting point of ages is Francis, its barman of 50 years” (in: Sunday Nation, Sunday 22 June 2014, pag 12: Lifestyle).

14 Setembro 2015
Jaime Lobo

Leiria. Gin, sapatos apertados, uma estranha relação com o chão. Neste contorno sem sol estendido e colado a mim onde às vezes sou maior, um gigante esticado, com a cabeça lá longe, e noutras, quando a luz cai a pique, desapareço.Transformado em sombra dentro de terra. Na mão, um copo sintéctico de vaidade, um néon grande de mais para mim. Às vezes somos outros sendo nós próprios. É um refresco e é de manhã! E eu, critico-me melhor do que tu. Estou dentro de uns sapatos apertados e este é o ar que preciso para me soltar um pouco.

13 Setembro 2015
Hugo Pereira

Quarteira. O instantâneo, normalmente, é visto como algo que se faz para desenrascar, de forma fácil e sem grande significado, uma fraca alternativa face ao original, um produto duvidoso de segunda categoria. Para mim, o instantâneo é o oposto. Não é duvidoso, é algo que tem muito significado, não é uma alternativa, é a essência, o verdadeiro, só existe um, apenas o original e nada mais. O instantâneo é um momento, uma fracção de segundo impresso num pequeno objecto rectangular onde cabe o mundo inteiro: os nossos amigos, a pessoa que amamos, o nosso filho, o pôr-do sol, aquele momento único, especial e irrepetível que apenas os nossos olhos vêem. O instantâneo, por norma, acaba exposto na melhor galeria do planeta: a porta do nosso frigorífico, a porta do frigorífico de alguém que vai olhar para essa foto todos os dias e se vai lembrar daquela fracção de segundo como um momento único e genuíno e não de uma coisa fútil e passageira. O instantâneo não é algo que se possa guardar num disco rígido ou fechar dentro de um álbum, é algo que passa a fazer parte do nosso dia a-dia, algo que está ali, à vista de todos, das pessoas a quem abrimos a porta de nossa casa, a porta do nosso frigorífico, a porta do nosso coração.

12 Setembro 2015
João Ferreira

Penedono. Viagem ao interior de Portugal, vazio, cheio de memórias e com pouca visão de futuro, um pouco à imagem daquilo que foi o debate desta semana, entre os dois principais candidatos a Primeiro-Ministro.

11 Setembro 2015
Rita Cordeiro

Antuérpia. Não sei se acredito no destino ou apenas em coincidências. A verdade é que nunca deixo de me surpreender quando vêm ao meu encontro pormenores em que poderia tão facilmente não reparar se não estivesse atenta, mas que fazem tanto sentido e se encaixam tão bem naquilo que me faz falta no preciso momento em que os vejo.  E é nessas alturas que construo o meu diário visual, muitas vezes com banda-sonora. É uma espécie de magia que me sustenta os dias e me ajuda a nunca me esquecer do que foi e é importante.

10 Setembro 2015
Nuno Brites

nuno brites 100915Torres Novas. Esperança. Apresentaram-me ao Guilherme poucos dias antes de ter conhecido o Aylan. Se a história do menino Sírio acabou na praia, a do menino de Torres Novas ainda agora está a começar, no entanto, as circunstâncias foram mais ou menos as mesmas: Uma família à procura de um futuro, guiada pela esperança de o conseguir. Que nunca deixemos que se acabe a esperança.

9 Setembro 2015
Sofia Mota

sofiamota090915Roppongi, Tóquio. Uma espécie de prólogo… E pronto! Está lançada a laracha para darmos umas voltas por este lado de cá do mundo! Abre as hostes, o país do sol nascente e a sua, ainda, indescritível Tóquio… Ali, há um sítio quase perto do céu onde a cidade se mostra. Naquela hora, aquela “que ninguém desconfia”, o céu pinta-se de azul e rosa, e espalha purpurinas para incendiar o chão. Ali, há um espaço de perfeito “pandam” entre nuvens, neons e quimonos. Ali, o tempo anda mais devagar a cada final de dia… Anda tonto entre a tradição e um futuro qualquer… Ali, há uma espécie de acordo entre o cair do sol do céu e o nascer da luz na terra. Ali, acima da grande Tóquio o mundo quase consegue parar!