SOPA DE MASSAS _ O NARIZ_ PREGUIÇA MAGAZINE 2

Corria o ano de 1996 e um vereador leiriense acabava de apoiar um festival de teatro com mil contos. 20 anos depois, o valor mantém-se, o que muda é a qualidade, a diversidade, o querer fazer mais, melhor e diferente, que são muito maiores. O ACASO veio para ficar – pelo menos até 31 de Outubro. Hoje Leiria, amanhã, quiçá, o Mundo.

“E chegamos aqui. Passam 20 anos assim de repente”. É com estas palavras que Pedro Oliveira, um dos fundadores do festival ACASO, resume duas décadas de existência de um festival que começou por acaso e que, hoje em dia, pretende chegar o mais longe possível. “A ideia é extravasar o distrito, não existirem limites, quer de espaços quer de pessoas. Até porque o mais importante para nós é chegarmos ao público”.

Leiria é o núcleo e o berço do ACASO, mas o festival chega a outros municípios: Batalha, Marinha Grande, Pedrógão Grande e, este ano, também Ansião, Ourém e Santarém se juntam aos palcos deste certame. Pedro Oliveira vai mais longe: “Se for preciso chegar às Ilhas, chegamos, a Trás-os-Montes, chegamos, a Espanha, chegamos. A ideia é divulgar, levar cultura, chegar mais longe”.

Traduzindo o programa em linguagem matemática ficamos a saber que: a vigésima edição, que teve início a 10 de Setembro e termina a 31 de Outubro – 41 dias, portanto -, conta com três dezenas de espectáculos (teatro, poesia e música), um documentário, uma exposição de fotografia de teatro e três oficinas de expressão dramática. Há ainda a possibilidade de visitar os bastidores do teatro e ver, por exemplo, um ensaio aberto da peça Viemos Todos de Outro Lado, no dia 25 de Setembro, no espaço O Nariz.

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Teatro da Palmilha Dentada

Este ano voltam a estar em palco companhias e espectáculos internacionais como é o caso de ¡EVITA, Y YO! Historia de dos Argentinas, da companhia italiana Assemblea Teatro, que inaugurou o festival, Uma Noite Na Lua, com Gregório Duvivier, também conhecido pela participação no programa de humor brasileiro Porta dos Fundos. De Moçambique vem Nos Tempos de Gungunhana e de Inglaterra Falling Light in Liminal Spaces.

Em paralelo com as companhias independentes nacionais de referência, às quais o ACASO tem habituado o público, a companhia leiriense O Nariz estreia três peças: Afonso, Príncipe de Portugal, com texto de Luís Mourão e encenação de Pedro Oliveira, em co-produção com o Teatro Apollo; Viemos Todos de Outro Lado, com texto de Luís Mourão; e Pedra, Papel, Tesoura, com base em textos de Célia Aldegalega e Ricardo Alves, encenação de Andrzej Kowalski: um espectáculo sobre violência doméstica que conta com o apoio institucional da APAV.

Para saber tudo, tim tim por tim tim – datas, locais, horas, preços, companhias, encenadores, intérpretes, quem realizou o quê, quem escreveu o argumento, os patrocinadores, ou até mesmo a quem foram feitos os agradecimentos finais – o melhor é espreitar o programa online.

Texto de Joana Areia
17 Setembro 2015