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JOANA AREIA

FOTOGRAFIAS
RICARDO GRAÇA

8 OUTUBRO 2015

Era no número 7 da Rua D. António da Costa, em Leiria. Tinha sete mesas. Das dezenas de copos, sete – um por mesa – serviam para o proprietário beber com os clientes. Assim é fácil adivinhar o nome do local, correcto? Sim, é isso. Retiro do Abade. Carinhosamente chamado de Tasca 7, voltou ao activo, agora na Rua Maria da Fonte. Ali só falta o Michelin, porque a Estrela já existe.

“Um dia destes abrimos uma tasca, ó Estrela, dizia ele. E assim foi”. A Tasca 7 era a paixão de Carlos Vieira, mais conhecido por Carlos “Chupa”. Era uma paixão, como se fosse um anexo de uma casa, a casa de Carlos e Estrela, a casa museu, a casa dos amigos. “O meu marido era fotógrafo profissional e nunca foi destes negócios. Mas quando se tratava de comer e beber, sabia o que queria.”

Foram 23 anos de Tasca 7, de convívio, de amigos, de conversas. Os bons momentos eram o prato do dia. “Às nove da manhã já tinha malta a comer peixe frito, queijo fresco, pão com marmelada e vinho.” Dona Estrela fala disso com o maior sorriso do mundo. Um sorriso que aumenta a olhos vistos quando fala da nova Tasca 7, aberta desde o passado dia 5 de Outubro.

“Já sentia saudades da malta, do centro histórico, do frenesim.” Dona Estrela é uma pessoa com o coração na boca, quando fala do marido, do que faz, e de quem sempre a acompanhou, provando os seus petiscos. É por isso que a decorar as paredes do restaurante estão fotos antigas, de convívios, de amigos.

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Descem-se as escadinhas e é como entrar em casa. Há cadeiras de madeira coloridas, toalhas aos quadradinhos vermelho e branco. Os móveis antigos, os  parapeitos e as paredes estão repletos de objectos tauromáquicos – pequenas peças de chumbo pintadas à mão, quadros, esculturas, fotografias – ou não fosse Carlos Chupa um aficionado.

Foi da mãe, Dona Filomena, que recebeu alguns ensinamentos culinários, que Estrela aperfeiçoou na escola de formação feminina. Mas o dom deve vir nos genes, já que a avó já tinha sido cozinheira em Lisboa, no extinto Hotel D. José. “Arroz de cabidela, feijoada de chocos, dobrada com feijão branco, ossos do espinhaço, bacalhau espiritual, à lagareiro. Ai, filha, tanta coisa! É o que gosto de fazer.” Era a Estrelita a enumerar as especialidades da casa e a Preguiça a babar. Os clientes podem ter a certeza de que à quinta há cozido à portuguesa. Outros pratos da gastronomia tradicional, especialidades da Dona Estrela, podem também vir a tornar-se pratos fixos na ementa. O menu diário por 6,5 euros inclui sopa, prato principal, sobremesa e bebida. Ah! E simpatia e boa disposição, mas isso não tem preço.

Na mesa, os petiscos: pataniscas, azeitonas, pão e broa, orelha de porco, salada de polvo, queijo e chouriço para 10. Nós éramos três. O jantar desenvolveu-se entre uma salada de grão com bacalhau, duas histórias da antiga Tasca 7 e três idas do pão ao prato das iscas. No final ainda havia espaço para licores, tostas e doce de figo, caseiros.

Ficou provado – e agora é a vossa vez de comprovar a veracidade dos factos – que ser cliente da Dona Estrela é bom. Ser cliente e amigo é bom demais. Tem-se o privilégio de ser tratado por filho, querido, amor. Dali sai-se de estômago e coração cheios.

Tasca 7
Rua Maria da Fonte
Leiria
Tel: 962 238 621
Horário: de segunda a sábado para almoços e lanches
Jantares só por marcação
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