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JOANA AREIA

FOTOGRAFIAS (actuais)
RICARDO GRAÇA

15 OUTUBRO 2015

Era para ser um restaurante, e ainda deu uns passinhos de bebé nesse sentido, mas acabou por se tranformar num bar, o mais antigo da cidade, e tudo por causa de um gira-discos. Foi o primeiro bar dos primeiros estudantes. Tem uma história que dava um romance, mas para os mais preguiçosos aqui fica um resumo, um livro de bolso sobre Os Filipes, ou como nasceu a noite em Leiria.

“Manel dos Filipes”, como carinhosamente é tratado, caiu em Leiria de pára-quedas, mas orgulha-se de dizer que tem aqui muitos amigos. Tinha 40 anos quando abriu as portas – em 1987 – e desde então já passaram quase 30. As portadas verdes não enganam ninguém. É local de paragem obrigatória e mesmo para aqueles que neste momento estão a engelhar o nariz: quem nunca bebeu ali um moranguito e ouviu James que atire a primeira pedra!

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Em cerca de 52 minutos de conversa, onde álbuns de fotografias são folheados, ficamos a saber que o gajo mais bêbado de Leiria era um estudante de Engenharia Mecânica, que houve um Estrebaria, um Terreiro Bar e um Seca-Meca, que o Manel é natural de Torres Novas e que fez parte da direcção do União de Leiria. Saudades “são muitas. Foram tempos bons, que dificilmente se repetem”.

Foi no andar de cima que viveu e de onde saiu para se casar. Agora vive a cerca de um cigarro de casa. Era chamado de Dr. Manuel, o pai dos estudantes. “Havia muitos pais que telefonavam para aqui para saber como estavam os filhos”. Hoje em dia mantém-se a tradição. Os estudantes de Leiria terminam o curso com distinção, a cadeira “Filipes Bar” é de nota 20 para cima. Aberto de segunda a sábado, com música ao vivo, DJ, muito rock, num ambiente que faz lembrar um pub inglês, promete não mudar. “Em equipa que ganha não se mexe”.

Os Filipes_7Os Filipes

Nem só de Manel se faz “Os Filipes”. Desde o primeiro minuto que Manel tem o apoio de Filipe Miguel, um dos impulsionadores, o homem que com um gira-discos que o pai tinha em casa transformou o restaurante num bar, e desde os 18 anos de Gilberto Filipe. Agora é fácil perceber o porquê do nome. É um bar de família, é um bar de amigos, dos antigos de Manel e dos amigos dos filhos que, por força das circunstâncias, caíram nas boas graças do pai.
Desistir é palavra que não entra no dicionário desta família, até porque “é impossível tirar o bichinho do corpo”, dizem os filhos. O pai vai mais longe, e só sai quando lhe der o “badagaio”.

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Quer seja atrás do balcão a servir uns copos ou atrás da cabine a trocar uns sons, “os filipes” estão ali por amor à camisola. “Trabalhar em família nem sempre é fácil, mas estamos vivos”, até porque quando se tem um pai que ao mesmo tempo “é o melhor amigo” tudo se torna melhor. Para além disso, há uma motivação que supera qualquer dificuldade: “aquilo que recebemos em troca. Ao longo dos anos tenho feito entre os clientes imensos amigos, coisa que me enche a alma de alegria. E digo-o com convicção de que são amigos que se for preciso despem a camisola para me dar e isso não tem preço”, explica Filipe.

O outro Filipe acrescenta: “Acredito que temos a responsabilidade de, juntamente com os outros, trabalhar para que a noite de Leiria continue a ser um polo de atracção para pessoas fora da cidade. Quem vive em Leiria, em algum momento da vida passou pelo Terreiro, passou pel’Os Filipes”. O sucesso desta casa com quase 30 anos de vida deve-se também a “todos os colaboradores que por ali passaram”.

Os Filipes
Largo Cândido dos Reis
Leiria
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