[mpc_vc_share_list title=”” facebook=”1″ twitter=”1″ google_plus=”1″]

Texto
Pedro Miguel

Fotografias
António Gomes

Ilustração
Elsa Poderosa

19 Novembro 2015

Em tempos de cólera como estes em que vivemos, o amor é muito importante. Elsa Pedrosa transformou o seu apelido em ‘Poderosa’, embora não tenha nada de violento. A avaliar pelos seus trabalhos, é com o poder dos seus traços que quer conquistar o mundo. Aqui entre nós, lá segreda que esta atitude de confiança também existe para ver se atrai energias positivas. Mas isso é segredo, ok?

Tem tido uma vida irrequieta, e o seu plano de conquista começou naquela onda do vá para fora cá dentro: a partir da Sismaria, Monte Redondo, no concelho de Leiria, estudou na cidade do Lis no secundário, fez a licenciatura em Design de Comunicação em Faro, no Algarve, e depois, como quem não fica a caminho, rodopiou para Guimarães onde tirou o mestrado de Ilustração. Sim, pelo meio fez Erasmus na República Checa, mas como quem vai à linha da frente ver a posição das tropas.

Após a vida académica, houve um período de pouca produção artística, como que a pensar nos passos seguintes, e a decisão foi mandar-se para Lisboa, mais ou menos porque sim, não porque gostava, mas precisamente porque não lhe apetecia ir, e isso funcionou como um desafio. “Estive um ano e meio a vender cuecas”, diz enquanto sorri e recorda esses tempos laborais na Women’Secret. Queria provar a si própria que conseguia trabalhar num emprego normal, complementa.

Por estes dias, Elsa Pedrosa, perdão… Poderosa, está a acabar um mural na Amadora inspirado pelas ilustrações de Roque Gameiro e a cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro. É uma iniciativa da autarquia local, que criou um mapa do graffiti, para deixar um marca em diversos locais sob a forma de circuito dos principais trabalhos de arte urbana do concelho. E como que a brincar às geografias, por um mero acaso, fez parelha com uma outra artista, natural de Leiria, Ana Dias, com quem já tinha feito uma exposição no Banco de Portugal, no mostra Vírus, da associação Eco.

Já expôs em Leiria, em exposições colectivas no Banco de Portugal e na livraria Arquivo, participou também no Entremuralhas, no Castelo de Leiria, e também em Lisboa, Porto e em diversas vezes em Guimarães. Decidiu em Agosto dedicar-se em exclusivo à ilustração. “O meu sonho é mesmo trabalhar como ilustradora e fazer livros para crianças”, revela. O trabalho final de mestrado, foi precisamente um livro para crianças, intitulado O Menino Vazio, com contornos autobiográficos, que, confessa, mexem com emoções, falta de auto-estima e o ganhar de confiança. Neste momento está a fazer um livro para a pequenada, e o mote são os hábitos estranhos.

Reconhece que se inspirou na irmã, que bebia um galão com tudo, fosse à refeição, a acompanhar uma francesinha, ou então um galão com chouriço também ia bem. “Às vezes andamos à procura de inspiração para trabalharmos e ela pode muito bem estar à nossa frente”, reflecte. “Quem sabe se não farei um dia a estória de alguém que vende cuecas?”, graceja.

Já dizia o Leonard Cohen que first we take Manhattan, then we take Berlin, por isso no que toca a planos para conquistar o mundo, em género de resolução para o próximo ano, Elsa Poderosa escolheu a cidade do Porto, para onde quer ir viver nos próximos tempos. Maltinha aí de cima, é favor de a acolher bem, com essa hospitalidade como só vocês sabem, combinado?

 Ilustração de Elsa Poderosa criada para a Agenda One Life a Day, publicada em Campinas, Brasil.

Ilustração de Elsa Poderosa criada para a Agenda One Life a Day, publicada em Campinas, Brasil.

Link para os seus trabalhos:
https://www.behance.net/elsapedrosa