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Texto
Cláudio Garcia

Fotografias
António Gomes

26 Novembro 2015

O director do monumento convidou, eles aceitaram. Habemus livro: Contos Imperfeitos, no Mosteiro da Batalha.

Sara Monteiro escreve sobre uma rainha que regressa à vida, Afonso Cruz fala de um homem que durante anos a fio mede a distância entre dois túmulos, Cláudia Clemente inventa um personagem que procura um tesouro e descobre o amor, Paulo Kellerman apresenta o diálogo de um casal que assiste a um casamento, João Paulo Silva relata as invejas entre dois arquitectos e Paulo Moreiras relata uma invasão de ratos. E não é tudo. São 20 textos de outros tantos autores, que foram desafiados a escrever um conto inspirado no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha. A colectânea sai em Fevereiro.

Joaquim Ruivo (director do Mosteiro), Paulo Kellerman e João Paulo Silva já se conheciam de outras guerras e convergiram em mais esta aventura – que até captou financiamento da administração central, mesmo em tempo de vacas magras, o que só abona a favor da ideia.

Entre os 20 escritores, há vários da região de Leiria e também nomes mediáticos a nível nacional. Gente do romance histórico e da poesia, e outros que garantem o contraste de géneros, perspectivas e interpretações. Todos passaram um fim-de-semana na Batalha para visitas nocturnas e diurnas ao monumento, incluindo a cerca conventual e os terraços, que em geral são de acesso reservado.

“Não queríamos 20 contos históricos… e por isso a diversidade na selecção dos nomes, para que surgissem abordagens muito diferentes”, explica Paulo Kellerman, que com João Paulo Silva assegurou a coordenação editorial do projecto, com apoio da livraria Arquivo. Houve “liberdade total” para os autores, mas a visita guiada às entranhas do conjunto Património da Humanidade acaba por fazer a diferença. “Permitiu que cada um conhecesse a fundo a realidade do Mosteiro e depois escolhesse o seu caminho literário, a sua inspiração, o seu objectivo”, realça Paulo Kellerman.

Quase sem se dar por isso, já lá vão nove meses de gestação. Está prevista uma edição de mil exemplares, para assinalar com solenidade e reflexão, num daqueles momentos a que vulgarmente se chama tertúlia. Título: Contos Imperfeitos, como as Capelas. Os nomes: Afonso Cruz, Ana Cristina Silva, Andreia Monteiro, António Manuel Venda, Cláudia Clemente, Cristina Carvalho, Elsa Margarida Rodrigues, Fausta Cardoso Pereira, Fernando José Rodrigues, Inês Botelho, Inês Fonseca Santos, João Eduardo Ferreira, João Paulo Silva, Luís Mourão, Paulo Assim, Paulo Kellerman, Paulo Moreiras, Raquel Ochoa, Sara Monteiro e Sílvia Alves.

E acontece que já em 2014 um grupo de fotógrafos tinha andado pela Batalha, a convite de Joaquim Ruivo, na tentativa de captar novas perspectivas do Mosteiro. Parecendo que não, já são mais de 600 anos de pé. O director do monumento explica como estas e outras iniciativas se inscrevem num modo muito próprio de gerir o património edificado – para trazer as pedras à vida. “A minha filosofia de trabalho é a de tornar o monumento vivo e aberto à cultura contemporânea, que faça apelo à criatividade”, conclui.