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Textos
Hugo Ferreira
Pedro Miguel

3 Dezembro 2015

Ainda não sendo, 2015 já era. Neste Escutismo especial, resolvemos compilar em dois textos distintos, um do Hugo Ferreira e outro do Pedro Miguel, os melhores discos (e não uma lista com dezenas de capas) de vários géneros musicais que foram lançados em 2015. 

Hugo Ferreira:

Andámos durante anos a dizer que as listas de melhores do ano não deviam ser divulgadas antes do fim do mesmo porque há discos que só nos chegam às mãos no início do ano seguinte, mas a verdade é que a maioria deles nem sequer nos chegam aos ouvidos. São nomeações subjectivas, mas são discos que comprei, ouvi e que gostava de oferecer a todos os meus amigos (ou a quase todos, que há quem já nem tenha leitor de CD).

É um artigo atípico, onde apenas se referem os nomes de Father John Misty, Tame Impala, Blur, Bjork, Foals, FFS, Leon Bridges, Wilco, Kendrick Lamar, Young Fathers, New Order, Ibeyi, Grimes, Coutney Barnett, Kurt Vile, Destroyer, Sleater-Kinney, Julia Holter,The Fall, Joanna Newsom, Django Django, Sleaford Mods, Faith No More, Jim O’Rourke, Grandbrothers, Benjamin Clementine ou Car Seat Headrest, para dizer que, entre muitos outros que guardo cá em casa, não tão mediáticos mas igualmente interessantes, não estão no topo.

Melhor disco pop/rock internacional:
Sufjan Stevens – Carrie & Lowel

Uma obra-prima. A sua audição devia ser incluída na matéria lectiva do ensino obrigatório.

A melhor electrónica:
Mongwana Star – From Kinshasa
Electrónica e world music num disco frenético e inovador.

Melhor disco de world music:
Songhoy Blues – Music In Exile

O rock nunca nos fez tão Mali!

Melhor disco clássica/contemporânea:
Ólafur Arnalds feat. Alice Sara Ott – Verses (Chopin Project)

É tudo bonito demais para escrever o que quer que seja sobre este disco.

Melhor EP
Oscar – Beautiful Words EP
Um EP carregado de grandes canções que mostram que a brit pop pode ter um nome gigante a editar um longa-duração de estreia já no início de 2016.

Se atribuísse o galardão de melhor disco nacional tinha de ir para a estreia dos Les Crazy Coconuts, mas como não quero ser acusado de regionalismo tendencioso, aqui vai uma lista dos três temas nacionais de 2015 que mais me encheram as medidas:

Sean Riley & The Slowriders – “Dili”

The Glockenwise – “Heat”

Les Crazy Coconuts – “Speed Shoes”

Pedro Miguel:

Sendo DJ numa discoteca, nem sempre é fácil arranjar música passável saída na semana anterior. Claro que há excepções, e muitas e boas, pese embora a malta tenha o hábito de não reagir à primeira.
Porém, entre os malhões deste ano, há os P.I.L. com o tema “Double Trouble”. Não se livrou de receber algumas más críticas, mas como é o John Lydon dos Sex Pistols, who gives a fuck about critics?

Continuando nos temas avulso, as Mother Feather, com uma faixa homónima, recuperaram um certo glam, com um rock barbudo nas axilas, feito de vozes femininas, e com um falsete ah aah ah aaah aah bem conseguido. A descrição do som feita pela própria banda também é interessante: pop cock rock!

Depois também gostei recentemente do IAMX, com o seu “Happiness”. Acaba por ser algo datado, podia ter saído no final dos anos 90, mas saiu agora e não há mal nenhum. É daquelas canções para se ouvir no carro a caminho de lado nenhum, onde apenas importa o volume generoso (mas, por favor, com os vidros fechados; não façam figuras, pá).

Uma palavrinha para os bem resolvidos Cat’s Eyes, o duo-romance entre Faris Badwan, o vocalista dos Horrors e a multi-instrumentista soprano Rachel Zeffira, com uma banda sonora barroca e linda chamada Duke of Burgundy.

E depois, houve os discos dos Beach House (dois!), lançados no mesmo ano, ainda assim, a preferência tende para o primeiro, o Depression Cherry, o B’lieve I’m Goin Down de Kurt Vile, e ainda o arranca-corações do já citado pelo Hugo Ferreira, Father John Misty.

Há uma banda quase fetiche, algo de veia gótica que corre cá dentro, os Tropic Of Cancer, que mesmo sem disco novo, soltaram uma música nova numa compilação, o tema chama-se “I Woke Up and the Storm Was Over”, um bom título para enfrentar o novo ano que se aproxima.

Num campo mais electrónico, os Chemical Brothers trouxeram “Go”, e na secção do bate-pé, os Tame Impala deixaram a coisa acontecer com, “Let It Happen”. Mas o destaque vai para os HeCTA, que para além de ser composto pelo habitualmente melancólico Kurt Wagner, dos Lambchop, pouco tempo depois da bronca da Wolkswagen, começou a rodar este Sympathy For The Auto Machine”. Como disseram na Pitchfork, suck it up, hippies! O vídeo é bom, e o fantasma dos Kraftwerk paira no ar.

No que toca aos nacionais, estou no mesmo comprimento de onda do Hugo Ferreira, e acrescento a continuação do esplêndido trabalho de Pedro Vindeirinho, da editora com sede em Leiria, Rastilho Records, que tem reeditado alguma discografia essencial do rock português, como os Censurados (eh pá, sim, já foi em 2014, mas foi ali em Dezembro e só bateu em 2015), Mata Ratos ou recentemente com três discos dos Peste & Sida, ou a edição do regresso dos Bizarra Locomotiva, para além das edições em vinil de David Fonseca e Dead Combo. Para 2016, está prometida a edição em vinil do 10.º aniversário do álbum Masquerade, de Legendary Tiger Man. Impecável!

Para 2016, já houve um desejo cumprido, que é o facto de o Reverence Valada, no Cartaxo, não calhar outra vez em cima do Entremuralhas, em Leiria, o que é simpático.

Uma nota final para dizer que os leirienses Phase, banda em actividade desde a segunda metade dos anos 90 até ao início do novo século, vai regressar já este mês, para um concerto a não perder, no Beat Club, em Leiria, a 26 de Dezembro.