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Texto
Sara Peres

17 Dezembro 2015

Eu gosto do Natal. E por isso, achei apropriado escrever sobre a época, mesmo sem mencionar rabanadas, filhoses, bolo-rei e outras coisas parecidas. Mas depois espreitei os posts alusivos à quadra escritos por mim em anos anteriores e esmoreci: já falei sobre tudo o que queria dizer sobre o Natal e o que significa para mim. A ideia do regresso a casa, ao lugar a que pertencemos, a importância dos pequenos rituais, como a confecção dos doces ou o jantar em família… mantenho tudo, não mudei de ideias, mas já escrevi sobre isso e não quero sentir-me uma Margarida Rebelo Pinto que se plagia a si mesma.

Felizmente, junto ao Natal vem o fim do ano. Ou o Ano Novo, para os optimistas. Eu já desisti das resoluções de ano novo, o “para o ano vou…”. Nunca consigo fazer mais exercício, ser mais regrada com a comida (o queijo, o raio do queijo!), dormir oito horas por dia, conviver mais, ser melhor pessoa, etc. Quando muito, consigo esforçar-me nesse sentido. Mas comportar-me assim o ano inteiro? C’os diabos, não.

Acho mais produtivo (e fácil) pensar no ano que está quase a acabar. O tempo foge depressa e quando damos por nós, estamos um ano mais velhos, trabalhamos com pessoas que nasceram nos anos 90, que não se lembram do Kurt Cobain vivo, ou de a televisão só ter dois canais. Temos 30, nascemos no mesmo ano em que se estreou o “Regresso ao Futuro” e sabemo-nos velhos, sentindo-nos jovens. Passou tão rápido, já chegou e era suposto termos feito uma série de coisas que não fizemos ainda. Mas ainda somos a(o) irmã(o) mais nova. Ainda temos 18 anos, não é? Ah, espera, já foi há mais de 10 anos. E já saímos da faculdade há mais de cinco. E começámos a trabalhar na mesma altura. Espera, já passou assim tanto tempo?

Depois perguntam-nos: “E perspectivas para o futuro?” Quais perspectivas? Qual futuro? Nós temos é de viver agora. Mas dizem: “Tens de pensar no futuro.” Sim, como se todas as respostas estivessem à nossa espera lá ao fundo, no futuro. Mas como saber se essas respostas cabem nas minhas perguntas?

Se houve coisa que aprendi este ano, é que não adianta pensar muito no futuro. E no passado também não, na verdade. Embora se deva tirar algum tempo para olhar para ele com atenção. Há lições a retirar, ensinamentos a aprender, como quem toma notas no final de uma aula prática de Química. Sentemo-nos por momentos, como se admirássemos o Guernica pela primeira vez, tentemos isolar os elementos, para depois olharmos o conjunto e, após tirarmos algumas conclusões, passarmos ao quadro seguinte.

Dizia o Tom Hanks em Forrest Gump que a vida é como uma caixa de chocolates. Digo eu que a vida é como uma galeria de arte: haverá períodos que não nos agradam tanto, movimentos que não nos dizem nada e outros que nos deixam extáticos, maravilhados, ou apenas felizes. Mas para chegar aos modernistas, temos de passar pelos neoclássicos. Podemos correr, mas depois não percebemos como a pintura evoluiu até chegar ao século XX. Talvez o melhor mesmo seja aguentar, tentar aprender algo de novo e seguir em frente. No final da visita, certamente seremos pessoas mais bem informadas. E mais crescidas.