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Entrevista
Catarina Pedro

Fotografias
Ricardo Graça

29 Janeiro 2016

Na rubrica Fora de Cena, com um formato quinzenal, pretendemos conhecer o percurso de alguns actores que fazem do palco a sua vida, olhando-os para além das personagens que vestem. É sobre teatro que aqui falamos, mas o que queremos mesmo é ouvir as histórias reais, onde cada um se apresenta ao vivo e a (muitas) cores.

Se dividíssemos o trabalho do convidado desta semana em Actos, o Acto I seria preenchido com a participação em novelas, filmes e séries de televisão (Quem não se lembra, por exemplo, do Gil da Rua Sésamo?). O Acto II é principalmente dedicado à encenação de inúmeras peças, junto de grupos de teatro universitário e no Teatresco em Vieira de Leiria. Tendo já recebido um prémio de melhor encenação, é conhecido nesta área pela sua criatividade e procura de inovação. Falamos de Pedro Wilson.

O que te motivou a ir para o teatro e como tem sido o teu percurso?
Para poder fugir ao trabalho e a uma vida monótona sem risco e com criatividade. No fundo sempre quis manter-me criança como o Peter Pan: livre, sonhador e a criar mundos de poesia.

Na tua opinião, o que distingue o teatro de outras artes (como o cinema, por exemplo)?
O teatro tem a magia de só ser arte naquele preciso momento em que acontece, para logo a seguir deixar de ser… como que desaparece deixando só o seu perfume.

Para ti, o que caracteriza uma boa personagem?
Não sei. Só sei que é uma coisa que depende sempre da perspectiva de quem a observa com toda a sua carga vivencial. Mas, mais do que a própria técnica do actor, o mais importante é ser sobretudo credível (dramaticamente) aos olhos de quem vê (público).

Alguma das personagens que já interpretaste te marcou especialmente?
Todas me ensinaram e deixaram “marcas“. Mas a personagem que mais me marcou e continua a marcar é aquela que eu vivo todos os dias, eu, o Pedro.

Como costumas lidar com as críticas?
Bem hajam! Bem hajam! Ainda que às vezes doam são elas que nos fazem crescer e tornar-nos mais lúcidos naquilo que fazemos! E, além disso, é sempre uma visão exterior que além de nos questionar artisticamente põe em causa os nossos “castelos de areia”…. E são sempre tantos e muitas vezes estão tão escondidos de nós próprios…

Pedro Wilson_2Pedro Wilson_4Pedro Wilson_1

Conta-nos um episódio imprevisto que te tenha acontecido em palco ou na preparação de uma peça e como lidaste com ele.
Não me lembro de nada em especial… E quando me tento lembrar de algo que tenha passado o que me vem à memória é sempre uma mescla de sensações impossíveis de descrever… Nem é bom nem mau, é forte!!

Quais os principais desafios e entraves com que geralmente te deparas e como costumas ultrapassá-los?
Os principais entraves e as dificuldades mais importantes foram sempre os últimos. É que para mim, os últimos são sempre os primeiros e totalmente diferentes dos anteriores. Não tenho uma técnica especial para os resolver, resolvo ou então tento dar a volta! Bendita a teimosia que às vezes também serve para alguma coisa!

Mesmo sem bola de cristal, como vês o futuro do teatro em Portugal?
Vivinho da silva!!! É como a bolsa: está sempre em sobe e desce mas vai-se sempre renovando.

Que actor/actriz português/portuguesa mais admiras?
Todos! Pela sua coragem e sentido de liberdade, entrega e paixão! Com todos, amadores e profissionais, aprendo novos e velhos caminhos! E também me ensinaram que para fazer teatro não é preciso nada, é só gostar de arriscar e deixar-se ir pelas marcações ou sem elas.

Tens algum ritual de entrada em cena?
Não preciso, já tenho tantos rituais nesta vida!

Qual a peça de teatro para a qual comprarias novamente bilhete para voltar a ver? 
A da vida e até podia ser com outro papel.