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Texto
Paulo Sellmayer
designificados.wordpress.com

2 Fevereiro 2016

A semana passada andei a ver de calculadoras. Como qualquer consumidor tento fazer uma compra informada. Vejo que produtos desejo, onde os posso encontrar e que preços têm. No final balanceio estes factores e adquiro o produto pretendido. Normal.

Lembrei-me que o estúdio Industrial Facility, dedicado ao design de produtos com trabalho para várias marcas como a Lacie, a Louis Vuitton ou Grendene, já tinha desenhado uma calculadora. Este produto é um exemplo de como a inovação no design de produto às vezes implica apenas associar elementos conhecidos a uma função pretendida. No caso, os botões de uma calculadora. Que melhor do que teclas que já usamos todos os dias e que por isso nos são familiares para serem os botões de um objecto comum? Assim, torna-se fácil de “entender” um objecto novo (na foto: Calculator, Industrial Facility. Produzido por IDEA, Japão).

Bem, sorte a minha porque vi que têm uma loja online no sites deles e dava para encomendar directamente. Assim já dava para fazer contas em estilo. Não habituado à moeda, libras, ainda fiquei confuso e pensei que tinha desvalorizado ao nível do kwanza. Mas não, 199 £. Por uma calculadora. De plástico. Quase que podia ser feita com teclas de teclados antigos recolhidos no electrão. Mas não.

Produzido em larga escala e ainda assim são € 262,55.

Pensei que de facto “lá fora” isto deve ser normal. Aliás, nem vejo porque um telemóvel não deva custar 17000£, já que, para além de fazer contas, ainda tira fotos.

Enfim, ainda há quem critique o desbravar terreno de designers para campos mais dedicados à escultura e de edições limitadas, onde os preços exorbitantes incomodam quem acredita na filosofia existente na génese da disciplina: através de uma produção industrial racionalizada mais pessoas terão acesso a mais bens de consumo a um preço inferior. Pôr máquinas a realizar o trabalho de pessoas/artesãos promove uma descida de preços dos produtos. Mas para quem defende a filosofia do good design parece estranho promover a existência de um mercado muito alto acessível a muitos poucos.

Entretanto deixei-me ficar por um exemplar da Lexon, que tem bastantes coisas interessantes de estacionário de escritório, que vi na Arquivo e que me custou €10.