designificando int
[mpc_vc_share_list title=”” facebook=”1″ twitter=”1″ google_plus=”1″]

Texto
Paulo Sellmayer
designificados.wordpress.com

16 Fevereiro 2016

Uma das fases mais custosas no desenvolvimento de um produto novo, em termos de tempo e de investimento, é a da prototipagem. Tens de fazer e ver para crer, usar e experimentar. Por melhor que desenhes à mão ou no computador, nada te dá a sensação de teres na mão aquilo que projectaste.

Mas, claro, se estivermos a desenvolver uma embalagem de cartão, a facilidade de construir protótipos e pequenas maquetes ajuda nos processos de decisão.

Porém, existem matérias, processos de fabrico e escalas em projectos que nos dificultam a vida, dada a complexidade de os simular. É como fazer sumo de uva quando se quer testar a qualidade do vinho.

Um desses casos é o vidro. Não bastasse o facto de que desenhar coisas transparentes com o brilho e expressão pretendidas é um dos testes de admissão para assistente de um Da Vinci, também o vidro enquanto matéria não se permite a simulações usando plasticina para fazer uma travessa de pyrex ou uma jarra da Jasmin.

Algumas das peças produzidas no workshop de produção de vidro em molde. À frente peças do designer Jorge Carreira

Existem, no entanto, algumas possibilidades de testar e experimentar com a matéria e com os vários processos de produção existentes.

Por exemplo, o CENCAL, na Marinha Grande, que desempenha de forma excelente o seu papel de formação de técnicos profissionais ligados ao ramo. Para além disso, serve também de laboratório onde se podem experimentar formas e processos inovadores, sem a pressão de uma linha de produção ou os tempos de desenvolvimento de protótipo exigidos pela indústria. Ou seja, nos cursos e workshops de formação de técnicas de vidro soprado com e sem molde orientadas por um vidreiro experiente podem experimentar -se um sem-número de possibilidades. Porreiro, não? Ah, e as formações são de borla.

Num contexto onde a dificuldade do sector é notória, apesar de hiperbolizada como quem está nas urgências com uma constipação à espera de vez e só berra “ó mãe, ó mãe” porque talvez assim lhe dêem atenção, o CENCAL ainda é um motor de inovação, onde existe espaço para explorar as técnicas e os materiais.

Têm surgido projectos de designers e artistas que renovam o interesse nesta indústria, provando que um ofício ou técnica artesanal não precisa simplesmente de ser deixada a morrer. Projectos dos designers Vítor Agostinho ou Samuel Reis nasceram no seio destes workshops/formações e dão uma nova vida a quem vaticinava o sector como moribundo.

Esta lógica de experimentação é o fulcro para o qual a indústria devia estar centrada, seja no sector do vidro ou outro. Porque permite a experimentação, porque dá lugar à criatividade, porque forma quadros competentes e conhecedores da cultura material necessária para a criação de uma certa “novidade” relevante. Sem espaço para a criatividade é difícil ser-se criativo. Acho que tem de haver mais ferramentas que dêem esse espaço aos criativos.